Cochichos bem distribuídos e desmentidos categóricos: velho esporte da política volta a interferir no tabuleiro da sucessão ao Palácio dos Despachos.
á cenários eleitorais que se desenham com dados, pesquisas e alianças. No Pará, porém, nenhum deles dispensa um ingrediente clássico: a boataria. Ela circula sem CPF, mas com endereço certo. Não assina embaixo, mas deixa digitais e, não raro, entra nas pesquisas antes mesmo de entrar oficialmente na disputa.

O último alvo foi a pré-candidatura de Mário Couto ao governo do Pará, pelo PL, que, desde novembro do ano passado, quando o ex-senador confirmou, em conversa direta com a coluna, que havia recebido aval da direção nacional do partido para entrar na disputa, passou a incomodar.
Desde então, o nome de Mário Couto passou a circular com mais frequência em análises, projeções e até nas famigeradas pesquisas, algumas delas chegando a colocá-lo na terceira posição.
O que é novo, novíssimo, é o boato. Ele surgiu na semana passada, estrategicamente antes do aniversário de Couto, celebrado na sexta-feira, 22 de janeiro, com um jantar concorrido em uma churrascaria de Belém - daqueles eventos em que se mede temperatura política pelo número de cumprimentos e pelo silêncio atento dos observadores profissionais.
Segundo a versão que começou a circular com zelo quase artesanal, Couto teria sido visto dias antes deixando um suposto “elevador secreto” do Palácio dos Despachos, após uma reunião reservada com o governador Helder Barbalho.
A motivação atribuída ao encontro também vinha pronta: Helder estaria preocupado com uma possível vitória em primeiro turno do prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, adversário direto do seu grupo político.
A solução imaginada pela fonte boateira, sempre muito criativa, seria “estimular” a candidatura de Couto para forçar um segundo turno e, nesse cenário, alinhar o ex-senador à candidatura de Hana Ghassan, nome apoiado por Helder à sucessão estadual.
Como manda o figurino da boa apuração - e costuma frustrar o da boa fofoca - a coluna não contou conversa e procurou diretamente o personagem central da história. Couto não tergiversou. Disse que jamais se prestaria a esse papel e lembrou, sem nostalgia alguma, que não costuma esquecer traições políticas.
“Primeiro, eu já tenho certa idade que me dá a segurança de que jamais trairia meu posicionamento e minha Pátria. Porém, essa idade não me causou esquecimento. Não esqueci como os que comandam esse grupo político me trataram em 2018 e jamais vou me prestar ao papel de apoiá-los”, declarou Couto, como sempre, alto e em bom tom.
A referência é conhecida dos mais atentos. Em 2018, Couto lançou-se ao Senado pelo PP com apoio formal de Helder Barbalho, então favorito ao governo. Foi apresentado na convenção, mas teve o nome misteriosamente suprimido da ata. Insistiu, registrou candidatura dias depois e acabou considerado inapto pelo TRE, num episódio que o deixou isolado e sem margem para reaproximações sentimentais.
Esse histórico, aliás, torna o boato ainda mais ornamental do que convincente - mas não menos funcional. A boataria, no Pará, raramente busca ser crível; seu objetivo é circular. e circular bem.
Enquanto isso, o fato segue seu curso: Mário Couto está oficialmente em pré-campanha, em diálogo com as lideranças locais e com presença crescente no debate eleitoral. O tabuleiro está posto, com pelo menos três polos definidos, e a disputa promete ser menos previsível do que gostaria qualquer manual.
Já o boato, esse não pede registro nem aval partidário. Vive de timing, aniversários e elevadores imaginários. E, como sempre, cumpre seu papel com eficiência silenciosa: lembrar que, no Pará, a política também se faz no subsolo, mesmo quando o elevador pode até não existir.

•Extraído do blog Pero Vaz de Caminha, de Joércio Barbalho, direto de Bragança: “Somente a coisa pública brasileira é capaz de apresentar fatos inusitados.
•O prefeito de Bragança, Mário Júnior, esteve em Belém e visitou o gabinete no Tribunal de Contas do conselheiro Daniel Lavareda (foto), relator do processo que suspendeu as licitações no município por irregularidades.
•No entanto, na postagem do prefeito, parece que a visita foi bastante satisfatória, e tudo resolvido.
•Um reencontro de velhos amigos. Valendo relembrar a letra musicada – “Amigo é pra essas coisas/O apreço não tem preço” - seja lá o que isso significa.
•Se, de fato, como disse um internauta, a defesa do Remo é "uma mãe" e o setor do meio campo é um "pai ausente", o que esperar das próximas mexidas do técnico Osório em jogos tão complicados que aguardam o Leão na série A?
•Produtores de cacau da Bahia e do Pará irão promover uma marcha a Brasília, com apoio do deputado federal Airton Faleiro.
•A ideia é defender, no Congresso, a produção nacional contra a importação de amêndoas oriundas da Costa do Marfim para as grandes indústrias de chocolate.
•A Associação Nacional dos Produtores afirma que, além de desvalorizar o preço, a importação pode atrair doenças, como a “Vassoura de bruxa”, que dizimou a cultura do cacau em diversos países produtores.
•Para baixo, todo santo ajuda. O irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro, afirmou que não conseguiu sacar o prêmio da quadra da Mega da Virada porque o valor já teria sido retirado por outra pessoa.
•Ele relatou o caso nas redes e levantou suspeitas sobre falhas no sistema da Caixa Econômica Federal. Segundo ele, a aposta fazia parte de um bolão familiar que incluía o próprio ex-presidente.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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