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O colapso populacional e seus efeitos e desafios no mundo global

Não há como negar a tendência de declínio acentuado da população, concentrada em países e regiões específicas, mesmo que outras partes do planeta ainda apresentem crescimento demográfico.

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 11/01/2026, 10:00
O colapso populacional e seus efeitos e desafios no mundo global

Alguns especialistas consideram o termo "colapso" um tanto exagerado para descrever o fenômeno da diminuição da natalidade no mundo, prefererindo falar em "declínio populacional acentuado". Na verdade, o caso requer que analisemos a situação desse recuo populacional por dois eixos críticos: 


Eixo 1: (Ásia Oriental) Japão, Coreia do Sul e China, com taxas de fertilidade de fato muito baixas (entre 0.78 e 1.3);


Eixo 2: (Europa) Alemanha, Espanha, Itália e França, com taxas de fertilidade abaixo de 1.7 há décadas. 


Para se ter uma ideia do fenômeno, só em 2024 o Japão perdeu mais de 900 mil habitantes. A França, por sua vez, teve o menor crescimento populacional desde 1945.

Mas ainda existem regiões em pleno crescimento populacional:


A) África Subsaariana, que apresenta as maiores taxas de crescimento do planeta, com sua população devendo quase dobrar até 2050, passando de 1.2 para quase 2.1 bilhões;


B) Sudeste Asiático/Sul da Ásia, com a Índia já sendo o país mais populoso, com tendência a continuar crescendo.


Mas, afinal, o que está por trás dessa tendência?


Considero que o declínio dessas regiões afetadas não seja resultado de um único fator, mas de uma combinação de causas profundas e interligadas, todas associadas ao desenvolvimento econômico e social.


As causas estruturais e sociais (de longo prazo) estão todas relacionadas ao desenvolvimento econômico, ingresso das mulheres no mercado de trabalho, urbanização, acesso à educação e planejamento familiar, mudança de prioridades de vida (ênfase em carreira, custo de moradia) e desaparecimento do estigma em torno da decisão de não ter filhos.


Eventos populacionais adversos também podem acelerar a queda, incluindo conflitos armados, pandemias (covid-19, aids) e políticas desastrosas (como a do filho único na China).


A grande questão é que este fenômeno não se trata apenas de se ter menos pessoas. Ele redefine a estrutura etária das sociedades, trazendo desafios complexos como a inversão da pirâmide etária, através do envelhecimento rápido das sociedades. No Japão, por exemplo, quase 30% da população já tem 65 anos ou mais.


O aspecto dramático sempre será a pressão sobre Sistemas de Seguridade Social, com menos trabalhadores ativos sustentando uma base crescente de aposentados. Trata-se de uma ameaça viva a viabilidade de pensões e saúde pública.


Avalie-se ainda que a escassez de trabalhadores para preencher vagas, freia o crescimento econômico, levando a desacelerações severas, como as projetadas para a China.


Considere-se ainda as questões da geopolítica, pois a força econômica e influência global de uma nação pode diminuir à medida que sua população encolhe e/ou envelhece.

Não há consenso sobre os efeitos globais do declínio populacional.


Líderes como Elon Musk acreditam ser a "maior ameaça à civilização", alegando que menos pessoas significam menos mentes criativas para resolver problemas globais.


Outros especialistas argumentam que uma população menor pode aliviar a pressão sobre os recursos naturais e o meio ambiente. Esses acreditam que instituições e subculturas que valorizam famílias maiores podem naturalmente se tornar mais proeminentes, estabilizando a população a longo prazo.


Os governos afetados estão experimentando diferentes políticas, com resultados variados. Coreia do Sul, China e França, por exemplo, já abraçam políticas pró-natalidade, através de incentivos financeiros, apoio à creche, licenças parentais e vantagens fiscais, mas a eficácia é limitada e de longo prazo.


Considerada uma solução mais imediata para compensar a escassez de mão de obra, a imigração não deixa de ser uma luz, tanto que EUA, Canadá e Alemanha já dependem fortemente dela para manter o crescimento populacional.


Focar na automação, inteligência artificial e aumentar a participação de idosos e mulheres no mercado de trabalho para compensar o número menor de trabalhadores passou também a ser considerada uma solução, ainda que limitada, para o "colapso populacional" num cenário com tendência demográfica desigual e complexa. 


Finalmente, os líderes mundiais precisam sim agir rápido para se antecipar - se é que ainda há tempo -, ao que o demógrafo austríaco Wolfgang Lutz batizou de “Armadilha da Baixa Fertilidade”, pois mais que danosa, ela sempre travará tudo à frente.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.