Não há como negar a tendência de declínio acentuado da população, concentrada em países e regiões específicas, mesmo que outras partes do planeta ainda apresentem crescimento demográfico.
Alguns especialistas consideram o termo "colapso" um tanto exagerado para descrever o fenômeno da diminuição da natalidade no mundo, prefererindo falar em "declínio populacional acentuado". Na verdade, o caso requer que analisemos a situação desse recuo populacional por dois eixos críticos:
Eixo 1: (Ásia Oriental) Japão, Coreia do Sul e China, com taxas de fertilidade de fato muito baixas (entre 0.78 e 1.3);
Eixo 2: (Europa) Alemanha, Espanha, Itália e França, com taxas de fertilidade abaixo de 1.7 há décadas.
Para se ter uma ideia do fenômeno, só em 2024 o Japão perdeu mais de 900 mil habitantes. A França, por sua vez, teve o menor crescimento populacional desde 1945.
Mas ainda existem regiões em pleno crescimento populacional:
A) África Subsaariana, que apresenta as maiores taxas de crescimento do planeta, com sua população devendo quase dobrar até 2050, passando de 1.2 para quase 2.1 bilhões;
B) Sudeste Asiático/Sul da Ásia, com a Índia já sendo o país mais populoso, com tendência a continuar crescendo.
Mas, afinal, o que está por trás dessa tendência?
Considero que o declínio dessas regiões afetadas não seja resultado de um único fator, mas de uma combinação de causas profundas e interligadas, todas associadas ao desenvolvimento econômico e social.
As causas estruturais e sociais (de longo prazo) estão todas relacionadas ao desenvolvimento econômico, ingresso das mulheres no mercado de trabalho, urbanização, acesso à educação e planejamento familiar, mudança de prioridades de vida (ênfase em carreira, custo de moradia) e desaparecimento do estigma em torno da decisão de não ter filhos.
Eventos populacionais adversos também podem acelerar a queda, incluindo conflitos armados, pandemias (covid-19, aids) e políticas desastrosas (como a do filho único na China).
A grande questão é que este fenômeno não se trata apenas de se ter menos pessoas. Ele redefine a estrutura etária das sociedades, trazendo desafios complexos como a inversão da pirâmide etária, através do envelhecimento rápido das sociedades. No Japão, por exemplo, quase 30% da população já tem 65 anos ou mais.
O aspecto dramático sempre será a pressão sobre Sistemas de Seguridade Social, com menos trabalhadores ativos sustentando uma base crescente de aposentados. Trata-se de uma ameaça viva a viabilidade de pensões e saúde pública.
Avalie-se ainda que a escassez de trabalhadores para preencher vagas, freia o crescimento econômico, levando a desacelerações severas, como as projetadas para a China.
Considere-se ainda as questões da geopolítica, pois a força econômica e influência global de uma nação pode diminuir à medida que sua população encolhe e/ou envelhece.
Não há consenso sobre os efeitos globais do declínio populacional.
Líderes como Elon Musk acreditam ser a "maior ameaça à civilização", alegando que menos pessoas significam menos mentes criativas para resolver problemas globais.
Outros especialistas argumentam que uma população menor pode aliviar a pressão sobre os recursos naturais e o meio ambiente. Esses acreditam que instituições e subculturas que valorizam famílias maiores podem naturalmente se tornar mais proeminentes, estabilizando a população a longo prazo.
Os governos afetados estão experimentando diferentes políticas, com resultados variados. Coreia do Sul, China e França, por exemplo, já abraçam políticas pró-natalidade, através de incentivos financeiros, apoio à creche, licenças parentais e vantagens fiscais, mas a eficácia é limitada e de longo prazo.
Considerada uma solução mais imediata para compensar a escassez de mão de obra, a imigração não deixa de ser uma luz, tanto que EUA, Canadá e Alemanha já dependem fortemente dela para manter o crescimento populacional.
Focar na automação, inteligência artificial e aumentar a participação de idosos e mulheres no mercado de trabalho para compensar o número menor de trabalhadores passou também a ser considerada uma solução, ainda que limitada, para o "colapso populacional" num cenário com tendência demográfica desigual e complexa.
Finalmente, os líderes mundiais precisam sim agir rápido para se antecipar - se é que ainda há tempo -, ao que o demógrafo austríaco Wolfgang Lutz batizou de “Armadilha da Baixa Fertilidade”, pois mais que danosa, ela sempre travará tudo à frente.
Foto: Divulgação
___________________

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.