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O futuro do trabalho não é sobre máquinas, mas sobre o que nos torna humanos

Esqueça guerra entre humanos e máquinas, pois a nossa capacidade de colaborar com elas é que definirá quem terá sucesso

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 16/08/26 10:00
O futuro do trabalho não é sobre máquinas, mas sobre o que nos torna humanos

O medo de que as máquinas roubem nossos empregos não é novidade. No entanto, o relatório "Future of Jobs 2025" do Fórum Econômico Mundial nos apresenta uma realidade mais sutil e otimista: até 2030, 170 milhões de novas vagas serão criadas globalmente, contra 92 milhões de postos deslocados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos. Ou seja, a grande questão não é se teremos trabalho, mas que tipo de trabalho será esse e como nos prepararemos para ele.


As profissões que emergirão com mais força se dividem em dois grandes polos. De um lado, a tecnologia como motor principal: especialistas em IA e Machine Learning, analistas de Big Data e engenheiros de Fintech estão no topo da lista de carreiras em alta. 


Aliás, o LinkedIn já contabiliza mais de 1,3 milhão de novos empregos habilitados para IA globalmente. De outro, a resposta a crises globais, como a transição verde e o envelhecimento populacional, impulsiona a demanda por engenheiros de energia renovável, especialistas em sustentabilidade e profissionais da área da saúde, como enfermeiros e assistentes sociais. São profissões que, em sua maioria, combinam conhecimento técnico com um propósito maior.


No entanto, o dado mais revelador é a rápida obsolescência das habilidades. O relatório do WEF antevê que 39% das competências consideradas essenciais hoje serão transformadas ou se tornarão obsoletas até 2030. Isso significa que a fluência em tecnologia - indo além do uso básico para a aplicação estratégica de IA e a literacia em dados - será um requisito básico, não um diferencial .


Mas, ironicamente, é justamente na era da automação que as habilidades mais humanas se tornam o diferencial competitivo definitivo. O pensamento analítico, a criatividade, a resiliência, a liderança e a inteligência emocional estão entre as competências mais valorizadas. 


O LinkedIn define essa nova fase como a "era dos novos colarinhos" (new-collar era), onde a habilidade de combinar a proficiência técnica com a inteligência emocional e a capacidade de contar histórias (storytelling) será o que separará os profissionais mais requisitados. 


Significa que seremos "arquitetos de prompts" e "éticos de IA", mas também precisaremos ser guardiões da verdade em um mundo de mídias sintéticas, assegurando que a tecnologia sirva aos valores humanos .


O diploma, por si só, deixa de ser um passaporte garantido para o sucesso, pois a era é da comprovação prática de competências. 


Para os jovens, o conselho é claro: começar cedo, com projetos reais que desenvolvam o pensamento crítico e a fluência em ferramentas digitais, em vez de focar apenas na teoria.


Entendo que o futuro do trabalho não será definido por uma guerra entre humanos e máquinas, mas pela nossa capacidade de colaborar com elas. Será um futuro construído sobre a base da tecnologia, mas com alicerces na criatividade, na ética e na nossa capacidade inata de aprender e nos reinventar continuamente. As profissões de amanhã já estão sendo escritas hoje, e a principal delas é a de aprendiz permanente.


Foto: Divulgação

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José Croelhas é economista, consultor,

escritor, palestrante e ex-diretor de

Controle Financeiro e Tarifário da Arcon/PA 

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.