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JOGO DURO

"O Liberal" endurece tom contra governo de Helder e rompe a liturgia do poder

Após anos de convivência ‘pragmática’ com o Palácio dos Despachos, o jornal mais tradicional do Estado “rasga o verbo”.

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  • Por Olavo Dutra | Exclusivo
  • 21/01/26 12:25
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á pouco mais de um mês, o jornal “O Liberal”, o mais tradicional do Pará, com mais de 80 anos de história, vem adotando uma postura crítica consistente em relação ao governo do Estado e ao governador Helder Barbalho. O movimento chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas pela duração e pela forma: uma sequência de capas, manchetes e textos opinativos que rompem com a lógica das crises pontuais e rapidamente acomodadas que marcaram a relação nos últimos seis anos.

 

Gatilho: ameaças de morte denunciadas pelo CEO do grupo de comunicação alimentam suposta dissidência estampada nas páginas do jornal há quase um mês/Fotos: Divulgação.

Desta vez, o tom não arrefeceu; ao contrário, se aprofundou. O início dessa crise editorial remonta a um episódio que extrapolou o noticiário e alcançou o campo pessoal. O CEO do Grupo Liberal, Ronaldo Maiorana - cada vez mais irascível nesse embate-, passou a relatar publicamente, em suas redes sociais, ameaças graves dirigidas a ele e a seus familiares.

Segundo seus próprios relatos, as intimidações foram comunicadas às autoridades competentes e levadas ao conhecimento do governo do Estado. Ainda assim, Ronaldo Maiorana afirmou nominalmente que nem o governador Helder Barbalho, nem a vice-governadora Hana Ghassan adotaram qualquer providência ou manifestação pública diante do caso, o que aprofundou o mal-estar e marcou, nos bastidores, o ponto de ruptura na relação com o Palácio.

Tom endurecido

As capas recentes do jornal são eloquentes. Em poucos dias, o leitor foi confrontado com títulos que expõem o avanço da violência letal, o recorde de feminicídios, a precariedade da qualidade de vida em municípios paraenses, o colapso de políticas públicas básicas e a necessidade de intervenção do Ministério Público para garantir vagas de hemodiálise.

O ápice desse endurecimento ficou evidente na edição de hoje quarta-feira, 21. Além de uma manchete de capa contundente, a coluna Repórter 70, tradicional termômetro político do jornal - e da cidade -, trouxe críticas diretas à campanha considerada extemporânea em favor da vice-governadora Hana Ghassan. A Coluna Olavo Dutra já havia chamado atenção para esse detalhe.

O texto aponta para o uso recorrente de outdoors e peças de felicitação de aniversário como subterfúgio para driblar a legislação eleitoral e manter a exposição pública permanente. Ao classificar a prática como propaganda antecipada disfarçada, o R-70 não apenas questiona a legalidade da estratégia, mas expõe um método político que, até aqui, vem sendo tratado com complacência pela Justiça Eleitoral que, ao que parece, ninguém provoca, principalmente quando se trata de confrontar interesses do governo.

Um contraste gritante

O contraste com o passado recente é evidente. Historicamente, as tensões entre o jornal e o governo estadual foram curtas, muitas vezes resolvidas por ajustes de discurso ou recomposição de pontes institucionais. Agora, porém, a crítica persiste e se diversifica. Não se limita às Editorias de Cidades ou Polícia, mas alcança Política e Opinião, com editoriais e colunas assinadas que abandonam o tom protocolar.

O efeito é cumulativo: a repetição diária de manchetes negativas cria um ambiente de desgaste que nenhuma estratégia de comunicação consegue neutralizar no curto prazo.

A narrativa construída não é episódica; ela sugere um Estado pressionado por problemas estruturais, com respostas tardias ou insuficientes. Ao reiterar esse enquadramento, o jornal passa a conectar fatos aparentemente dispersos sob um mesmo eixo: a incapacidade do poder público de entregar resultados compatíveis com a propaganda oficial.

De volta ao jornalismo

Por quanto tempo, não se sabe. Mas, por agora, mais do que um rompimento pessoal ou circunstancial, o que se desenha é uma inflexão editorial. Ao vocalizar incômodos que circulam nos bastidores, inclusive entre aliados do próprio governo, “O Liberal” parece assumir novamente o papel de mediador crítico entre poder e sociedade, algo que havia sido progressivamente diluído. Para um governo acostumado a operar com alto controle da narrativa pública, o gesto é significativo: quando o principal jornal do Estado passa a pautar o debate com críticas reiteradas, o impacto extrapola o noticiário e alcança a arena política.

Nessa fronteira, os blogs e colunas não entram. Não têm voz.

Resta saber se essa postura se consolidará como linha editorial ou se será absorvida pelo velho roteiro de acomodação. Por ora, o fato é que a liturgia do poder foi quebrada. E, no Pará, quando o maior jornal decide sustentar o confronto, o recado é claro: a crise deixou de ser episódica e passou a ser política.

Papo Reto

O que se diz é que o secretário de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém, o policial federal Luciano Oliveira (foto), já teria verbalizado suas insatisfações com a gestão Igor Normando e pagou o chapéu. Deve retornar ao Estado – ou, quem sabe, à própria PF. 

•Quem também arruma as gavetas, segundo se comenta na prefeitura, seria o secretário Marcos, de Finanças. Eliane Feline, da Articulação e Planejamento Estratégico de Igor, deve ir para o Estado. 

Durante a cerimônia de celebração dos 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil, uma funcionária da Casa da Moeda se referiu ao presidente Lula como o "barbudinho mais sexy do Brasil". 

•O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afastou publicamente qualquer plano de disputar a presidência e disse que seu único projeto político é a reeleição no Estado. 

Nota técnica das Consultorias do Congresso questiona vetos do presidente Lula a emendas parlamentares no Orçamento de 2026. Segundo o estudo, as justificativas apresentadas pelo Executivo não se sustentam sob o ponto de vista técnico e jurídico. 

•O ministro Flávio Dino determinou a aceleração da apresentação do relatório do DenaSUS sobre a destinação de emendas parlamentares na área da saúde. 

Após 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia assinaram sábado um acordo de livre comércio. O pacto elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral e segue agora para ratificação nos parlamentos, com entrada em vigor escalonada. 

•Durante a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, líderes como António Costa e Ursula von der Leyen defenderam o multilateralismo como resposta ao protecionismo global. 

Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta prometeu prioridade e tramitação acelerada ao acordo entre Mercosul e União Europeia no Congresso.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.