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Dinheiro pro ralo

Ponte de R$ 36 milhões desaba dois anos após inauguração e deixa feridos

Estrutura estava interditada desde quinta-feira; uma das 4 vítimas tem quadro gravíssimo

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  • Da Redação | Estadão conteúdo
  • 06/06/26 19:00
Ponte de R$ 36 milhões desaba dois anos após inauguração e deixa feridos

São Paulo, SP - Uma ponte no interior do Acre desabou no começo da noite desta sexta-feira, 5, deixando quatro feridos. A ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, havia sido inaugurada em março de 2024 e estava interditada desde a quinta-feira, 4.


De acordo com o governo do Estado, um dos feridos está em estado gravíssimo: Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos. Ele passou por cirurgia para correção de fratura pélvica e de traumatismo cranioencefálico grave.


Outros dois feridos têm quadro de saúde estável. São eles Ednei Muniz dos Santos, de 51 anos, que sofreu uma fratura no antebraço, e Antônio Morais Lima Filho, 36 anos, que teve uma fratura no fêmur. Os três estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco.


O quarto ferido, Weverton Murieta, de 34 anos, teve alta neste sábado, 6. Ele sofreu cortes no rosto e levou pontos.


Sobrevivente


O caminhoneiro Weverton Murieta da Silva disse que estava passando com um colega de trabalho, Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, pela ponte quando os dois foram abordados por um ex-juiz e por um advogado. Eram Edinaldo Muniz, de 54 anos, e o irmão dele, Edinei Muniz, de 51 anos. A dupla gravava uma live para mostrar as avarias na ponte, que estava interditada desde a quinta-feira, 4.


“Fui na frente para indicar o local para eles e, nesse momento, a ponte desabou. Caí direto no rio e consegui nadar até encontrar um ponto de apoio para subir novamente”, disse ele, segundo o governo acreano.


O caminhoneiro contou que então passou a procurar o amigo: “Corri pela ponte caída procurando meu parceiro, o Moraes. Encontrei ele preso nos escombros, mas ainda respirando. Gritei por socorro e outras pessoas chegaram para ajudar. Conseguimos tirá-lo dali”.


Apesar de a ponte estar interditada, ele falou que achava que não teria problema em estar ali. “Como eram um juiz e um advogado, confiamos que não haveria problema. Nunca imaginei que a ponte pudesse cair com pessoas em cima”, relatou ao governo estadual.


O que diz o governo do Acre?


Segundo o governo estadual, a ponte que desabou era monitorada por equipes técnicas, que faziam avaliações estruturais da construção. A governadora do Acre, Mailza Assis (PP), disse que vai “apurar as circunstâncias do ocorrido, identificar possíveis irregularidades e adotar todas as providências cabíveis”.


“Já acionamos a empresa responsável que está enviando técnicos para nos dar um posicionamento do que realmente ocorreu. Vão ser realizadas perícias para verificar as possíveis causas”, comunicou.


A ponte havia sido inaugurada há pouco mais de dois anos, durante a gestão do ex-governador Gladson Cameli (PP). A estrutura passava sobre o Rio Iaco e tinha extensão de 232 metros.


A ponte havia sido entregue em dezembro de 2023 e inaugurada em março de 2024. A obra custou R$ 36 milhões e foi supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre).


Em texto divulgando a inauguração da ponte, o governo do Acre destacou que a construção se deu em menos de dois anos, pela Construtora Cidade. A obra foi entregue em dezembro de 2023. A reportagem não conseguiu contato com a empresa.


À época da inauguração, o governo acreano afirmou que a estrutura era uma “conexão segura” entre os distritos do Ramal Mário Lobão e os bairros São Francisco e Santa Teresinha. O texto comunicava que a obra ocorreu “após anos de espera e isolamento”.


Foto: Pedro Devani/Secom Acre

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.