Mudanças em direitos dos servidores municipais acendem alerta de greve geral e expõem desgaste precoce da gestão Igor Normando.Mudanças em direitos dos servidores municipais acendem alerta de greve geral e expõem desgaste precoce da gestão Igor Normando.
ara a Prefeitura de Belém, 2026 parece já ter começado a valer. Na quinta-feira, 8, o secretário de Educação, Patrick Tranjan, convocou uma coletiva de imprensa para apresentar o novo Estatuto do Magistério e defender sua implementação. O movimento não foi casual. Veio na esteira da crescente mobilização dos servidores municipais, que discutem uma greve geral a partir do dia 19 de janeiro.

Desde dezembro, servidores públicos municipais e setores da
oposição - ainda minoritária na Câmara - reagiram ao chamado “pacote de
maldades”, conjunto de Projetos de Lei enviados pelo prefeito Igor Normando e
aprovados sem grande dificuldade entre os dias 17 e 18 daquele mês.
As medidas avançam
sobre direitos historicamente incorporados ao funcionalismo e incluem
alterações que vão do regime remuneratório à cobrança do IPTU a partir de 2027.
O resultado foi imediato: assembleias sucessivas, palavra de ordem unificada -
“Pacote da morte não!” - e categorias inteiras em estado de greve, como
educação, saúde, assistência social e até a Guarda Municipal.
Na coletiva, Patrick
Tranjan classificou o novo Estatuto do Magistério como um “avanço na
valorização dos profissionais da educação”. Segundo ele, a atualização da
legislação - vigente desde 1991 - fortalece o salário-base, organiza a carreira
e oferece segurança jurídica, sem qualquer redução de remuneração.
De acordo com o
secretário, os salários-base passariam a variar entre R$ 7 mil e R$ 16 mil, com
a incorporação de gratificações que hoje representam parcela significativa da
renda dos docentes. “Estamos invertendo a lógica: menos gratificação, mais
vencimento-base”, afirmou.
O discurso, porém, é
contestado pelo Sintepp-Belém e pelo Sintepp Jurídico, que apontam riscos
concretos por trás da reestruturação. Um dos principais pontos é a
transformação das gratificações por titulação em Vantagem Pessoal Nominalmente
Identificada (VPNI), valor fixo mantido individualmente.
Na prática, segundo o
sindicato, o professor não perde no contracheque imediato, mas perde no futuro.
A VPNI não entra no cálculo de progressões, promoções ou novas vantagens. “Não
há redução agora, mas há congelamento estrutural”, resume a entidade.
Outro ponto sensível é a mudança no regime de férias. A
legislação anterior garantia 45 dias de descanso aos professores, com adicional
de um terço. O novo Estatuto revoga essa regra e cria a figura do recesso
escolar, sem definir quantidade mínima de dias e deixando o servidor à
disposição da administração para convocações.
A prefeitura afirma que não há perda de direitos, apenas
reorganização jurídica. O sindicato discorda e alerta para a quebra de um
direito adquirido há quase quatro décadas.
O Estatuto também introduz a chamada “assiduidade
irrestrita”, conceito que, segundo o Sintepp, elimina a distinção entre faltas
justificadas e injustificadas. A norma ainda prevê abertura de processo
administrativo em casos de atrasos superiores a 10 minutos, independentemente
de justificativa. Para os servidores, trata-se de endurecimento disciplinar
incompatível com a realidade da rede pública.
A insatisfação extrapolou a educação. Uma das críticas mais
duras envolve a retirada do auxílio-funeral, benefício que garantia apoio
financeiro à família do servidor falecido. O novo Estatuto dos Servidores de
Belém extinguiu a previsão.
O sindicato compara com o Regime Jurídico Único do Estado,
onde o benefício permanece. “A prefeitura retirou direito dos servidores até
depois de mortos”, resume a crítica, em tom que evidencia o desgaste emocional
do debate.
O conflito expõe um problema político maior: a gestão Igor
Normando enfrenta resistência organizada logo no início do mandato, em um tema
sensível e com alto potencial de mobilização. Servidores municipais são base
social estruturada, com capacidade de pressão e capilaridade eleitoral.
Em ano pré-eleitoral, o enfrentamento direto, sem negociação
ampla, cobra preço alto.
o tentar reorganizar a máquina administrativa, a Prefeitura
de Belém abriu uma frente de conflito que vai além da técnica e entra no campo
político. A reação dos servidores mostra que, antes mesmo de 2026 chegar, a
disputa já começou - e o custo desse embate pode ser maior do que o previsto no
papel das leis.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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