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SEGURANÇA PÚBLICA

Promoções, áudio e a crise de confiança no alto comando da Polícia Militar do Pará

Lista recente e gravação que circula na tropa ampliam tensão interna e colocam em xeque critérios, comando e coesão da corporação.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 13/04/26 11:00

Críticas aos critérios de promoção na corporação militar repercutiram na Assembleia Legislativa, dentro e fora da caserna/Fotos: Divulgação.


A


combinação entre a lista recente de promoções e a circulação de um áudio crítico dentro da Polícia Militar do Pará transformou um desconforto antigo em algo mais visível: uma crise de confiança que atravessa a estrutura da corporação.

Separados, os episódios já gerariam ruído. Juntos, reforçam a percepção de um ambiente tensionado, com questionamentos sobre critérios de ascensão, condução do comando e o próprio equilíbrio interno da instituição.

O estopim recente

A divulgação das promoções reacendeu um debate recorrente - e nunca plenamente resolvido - sobre os critérios que levam ao topo da carreira.

Chamou atenção, sobretudo, a ausência de oficiais com atuação operacional destacada na Região Metropolitana de Belém, como os tenentes-coronéis Lima Neto e Vicente Neto. Ambos acumulam resultados recentes em áreas sensíveis, com registros de apreensões, prisões e enfrentamento direto a organizações criminosas.

Sem detalhamento público dos critérios aplicados, a lista ampliou a repercussão interna e reativou dúvidas já existentes.


Áudio e terreno fértil

Nesse contexto, a circulação de um áudio atribuído ao coronel Walmari Prata de Carvalho - sem pedido de reserva - ganhou força dentro da tropa. Na gravação, há críticas ao que é descrito como “politicagem” na corporação, com menções a interferências externas, distorções em movimentações e fragilização da hierarquia. O conteúdo não apresenta provas documentais, mas encontrou eco justamente por dialogar com percepções já difundidas internamente.

Regra e percepção

Formalmente, o sistema de promoções segue critérios de antiguidade e merecimento. O ponto de tensão está na forma como esses parâmetros são percebidos na prática. Relatos recorrentes indicam um processo considerado pouco transparente, com decisões concentradas e critérios nem sempre explicitados. Sem métricas objetivas publicamente verificáveis, o espaço de discricionariedade cresce - e, com ele, o ruído.

Efeito cascata

O impacto não se limita ao alto escalão. A leitura de que a carreira perdeu previsibilidade começa a produzir efeitos na base. Entre os riscos apontados estão o desestímulo ao perfil operacional, o fortalecimento de trajetórias burocráticas e o distanciamento entre comando e realidade das ruas. Em paralelo, manifestações internas - como áudios e posicionamentos informais - passam a funcionar como válvula de pressão.

Hierarquia sob tensão

Outro ponto sensível é o equilíbrio da estrutura. A percepção interna é de crescimento do número de oficiais superiores em ritmo descolado da recomposição do efetivo da base, o que pressiona a lógica hierárquica da corporação. Nesse ambiente, críticas, disputas por espaço e diferentes interesses passam a conviver - nem sempre de forma silenciosa.

Mais do que episódios isolados, a sequência recente reforça uma dúvida central dentro da corporação: quais são, de fato, os critérios determinantes para a ascensão ao topo?

O comando da Polícia Militar sustenta que as promoções seguem parâmetros legais e não comentou o teor do áudio até o fechamento. O governo do Estado também não se manifestou.

Sem respostas objetivas, a questão deixa de ser apenas administrativa e passa a tocar um ponto mais sensível: a credibilidade do próprio sistema. Em estruturas hierarquizadas, a forma é tão importante quanto o resultado. Quando o critério não aparece, o efeito tende a ocupar o espaço da explicação - e, nesse caso, ele tem sido de dúvida, ruído e desgaste acumulado.

Papo Reto

O juiz Wandeley Silva (foto), conhecido pelos operadores de direito por decisões em que fez prevalecer critérios de alta sensibilidade e seriedade, assume o desembargo no Tribunal de Justiça do Estado por merecimento.

•O deputado federal Airton Faleiro, do PT, participou, em Brasília, do Programa de Saneamento Indígena, que irá investir R$ 187 milhões do Ministério da Saúde para duplicar o acesso à água potável, esgotamento sanitário e o manejo de resíduos sólidos em aldeias todo Brasil.

O cacique Raoni e outras lideranças indígenas assinaram o documento de adesão.

•Contas por estimativas seguem virando regra na Águas do Pará - e não exceção. Consumidores relatam cobranças mesmo sem consumo ativo.

Sem medidor instalado, a conta chega do mesmo jeito - e alta. Em alguns casos, a “estimativa” passa dos 30 mil litros. Base técnica? Ninguém explica.

•Imóveis fechados, sem uso, seguem gerando boletos mensais. Já unidades com consumo real pagam menos. A conta não fecha - para o cliente.

Relatos apontam cobranças acumuladas antes mesmo da instalação dos equipamentos. O resultado são faturas de milhares de reais sem consumo comprovado.

•Usuários descrevem dificuldade crônica de atendimento: canais digitais não respondem, e o presencial não resolve. Contestação vira peregrinação.

•As queixas já não se concentram no interior. Em Belém, consumidores falam em piora do serviço, aumento de tarifas e falta de resposta.

•Moradores relatam falhas no escoamento e ausência de rede de esgoto funcional em áreas da capital. Alagamentos passam a ocorrer onde antes não eram rotina.

Conta mais cara, serviço pior e drenagem comprometida. A soma pressiona o cotidiano - e começa a aparecer com mais frequência nas denúncias.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.