Falta de pagamento a prestadores e centralização de decisões expõem modelo que prioriza controle e contratos ante quem precisa de saúde, em Belém
crise na saúde pública de Belém se reveza entre silêncios coniventes e gritos dos usuários que revelam mais do que atrasos administrativos: expõe um modelo de gestão que tem produzido um efeito em cadeia e, no fim, quem paga a conta é sempre o mesmo lado, os pacientes que ficam sem atendimentos por conta da suspensão de vários serviços. Efeitos de um calote recorrente.

Na prática, com o fim do mês de março se aproximando, os atrasos recorrentes estão empurrando alguns prestadores de serviços para o terceiro mês sem receber os recursos, na capital.
O cenário se agrava com uma informação ainda mais sensível: a Prefeitura de Belém tem priorizado o pagamento de contratos pré-fixados, utilizando, para isso, recursos que deveriam remunerar prestadores que já realizaram os atendimentos pelo SUS.
Ou seja, há serviços já entregues, devidamente comprovados, que seguem sem pagamento, enquanto contratos previamente estruturados recebem prioridade na execução orçamentária, como os serviços do Hospital Beneficente Portuguesa, favorecidos por uma regularidade que deveria alcançar os demais contratos.
Esse mecanismo produz dois efeitos diretos. Primeiro, estrangula financeiramente quem mantém o atendimento em funcionamento. Segundo, cria um ambiente de instabilidade que inevitavelmente se reflete na oferta de serviços à população.
O modus operandi foi o mesmo utilizado no início da atual gestão para sufocar empresas de pequeno porte que gerenciavam, principalmente, UPAs e unidades de saúde em diferentes pontos da cidade.
Um documento recente da Defensoria Pública da União, ao cobrar de prestadores esclarecimentos sobre a interrupção de serviços vinculados ao SUS, escancara um ponto sensível: quando o sistema falha, a pressão institucional tende a recair sobre quem está na ponta, e não sobre quem faz a má gestão dos recursos.
O ofício revela uma engrenagem distorcida de um sistema em que a ausência de repasses públicos leva à paralisação de serviços, mas a responsabilização institucional não acompanha, na mesma medida, a origem do problema.
Na prática, cria-se uma inversão, onde quem executa o serviço vira alvo da cobrança, enquanto a raiz do desequilíbrio do fluxo financeiro permanece em segundo plano.
Desde o ano passado, a Prefeitura de Belém passou a centralizar, por meio Sesma, todos os encaminhamentos para atendimentos especializados dentro do Departamento de Regulação (DERE), utilizando o SISREG como filtro único.
Antes, o médico da ponta tinha a prerrogativa de direcionar o paciente ao serviço adequado com base na avaliação clínica. Agora, tudo depende de validação centralizada.
Na prática, unidades de saúde, inclusive de urgência, perderam a autonomia para encaminhar diretamente pacientes em estado mais grave ou que demandam atenção especializada.
O resultado tem sido descrito por profissionais da rede como previsível: demora, burocracia e aumento do risco de morte e sequelas para os pacientes graves de urgência. Sem estrutura e pessoal suficientes para absorver toda a demanda de média e alta complexidade, o sistema centralizado se transforma em gargalo.
Casos que exigem rapidez passam a enfrentar filas invisíveis dentro de um sistema burocrático. Mais do que uma mudança técnica, especialistas apontam que a medida representa uma estratégia de controle sobre o fluxo da rede.
No conjunto, os dois movimentos, o do atraso nos pagamentos e o da centralização dos fluxos, desenham um mesmo padrão: a priorização do controle e da gestão financeira sobre a efetividade do atendimento.
Nesse cenário há uma constante que se repete: quando o sistema falha, o impacto não se distribui de forma equilibrada. Ele desce, sempre, para a ponta. Para quem atende e, principalmente, para quem espera atendimento.
Não se trata apenas de atraso e centralização. Trata-se de uma escolha de gestão que impacta diretamente a continuidade de atendimentos, com reflexos imediatos no direito à saúde.

•O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto (foto) é tema de uma grande - e merecida - reportagem de 12 páginas na revista Piauí, na edição de março.
•O texto foi escrito pelo próprio João Moreira Sales, dono da revista, que ficou cerca de 10 dias em Belém para ouvir Flávio e suas histórias.
•A iniciativa, com cara de homenagem, mostra o quanto Lúcio segue como um dos jornalistas mais influentes do Brasil, mesmo delimitado por problemas de saúde.
•A reportagem foi dividida em duas partes e a segunda sai na edição de abril.
•O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou a decisão de Simone Tebet de deixar o MDB para disputar uma vaga no Senado por São Paulo pelo PSB.
•Nunes chamou Tebet de “Marionete de Lula” e criticou a escolha por afirmar que a história da ministra está ligada ao Mato Grosso do Sul, não a São Paulo.
•A chuva começa a trazer consequências mais graves em estradas do Pará. Em algumas rodovias importantes o asfalto já começa a despencar.
•O presidente Lula sancionou a lei que autoriza a venda de medicamentos em farmácias e drogarias instaladas em supermercados.
•O prédio do Centur, sede da Fundação Cultural do Pará, está completando 40 anos e nada de findar as obras de reforma no local.
•Foi graças a um imenso tapume usado na reforma que um grande painel do artista paraense Benedicto Mello saiu do hall Ismael Nery para o primeiro andar do Centur.
•De acordo com a FCP, as obras estão guardadas para futuramente retornarem ao espaço original. Diz que ainda nesse primeiro semestre.
•Estudantes do ensino médio da rede pública cadastrados no programa Pé-de-Meia começam a receber hoje a primeira parcela de 2026.
•Os pagamentos seguem até o dia 30 de março e são realizados de acordo com o mês de nascimento dos alunos.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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