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Queixas contra a BYD expõem o choque entre dois modelos industriais para o Brasil

No meio da guerra de narrativas e disputa de interesses estão trabalhadores e consumidores, sem saber onde tudo vai parar.

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 26/07/26 10:00
Queixas contra a BYD expõem o choque entre dois modelos industriais para o Brasil

A disputa entre a BYD e as montadoras tradicionais brasileiras vai além da concorrência - revela dois modelos opostos para a indústria brasileira. De um lado, o modelo nacional, com forte cadeia produtiva e geração de empregos, mas que entrega carros caros e tecnologicamente defasados. 


De outro, o modelo SKD da BYD: carros importados em kits, montados no Brasil com pouca mão de obra local e muitos técnicos chineses.


A Anfavea alerta que, sem mudanças, quase 300 mil empregos (diretos e indiretos) podem ser eliminados. Também critica a BYD por pedir mais benefícios fiscais mesmo com vantagens já concedidas.


Mas a entidade é alvo de ceticismo por tentar proteger uma indústria ineficiente, sem naturalmente cobrar reformas estruturais com a mesma energia.


A BYD alega que os incentivos são temporários e promete nacionalização progressiva - promessa já vista em outros países. O governo Lula tenta equilibrar cotas e benefícios, mas adia a decisão de fundo: qual caminho seguir?


Se for pelo modelo chinês, é preciso qualificar mão de obra e atrair fornecedores. Se for pelo tradicional, é hora de reformas que reduzam custos sem premiar a ineficiência.


No fim, a briga não é entre empresas. É entre um Brasil que quer ser futuro e outro que insiste em ser passado. Enquanto isso, o trabalhador fica com o pior: emprego incerto e carro caro.


Foto: Divulgação/BYD

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.