Dois alertas de risco extremo foram enviados pela Defesa Civil com ordem de deslocamento para a população do entorno
Sorocaba, SP - O risco de rompimento total da barragem de uma represa levou à deslocamento de mais de 100 moradores da zona rural de Porteirinha, no norte de Minas Gerais, neste domingo, 1º. A medida foi adotada após as fortes chuvas que atingem a região elevarem o nível da estrutura e causar danos no barramento. O governo federal reconheceu a situação de emergência no município devido ao elevado risco de rompimento.
Dois alertas de risco extremo foram enviados pela Defesa Civil com ordem de deslocamento para a população do entorno.
No total, 114 pessoas foram retiradas de suas casas, sendo 77 de área considerada muito crítica e diretamente ameaçada. Outras 37 estavam em área de possível risco. A prefeitura de Porteirinha destinou um abrigo provisório na comunidade do Tanque para acolher os desabrigados. A maioria preferiu ir para a casa de familiares, fora da área de risco.
A barragem não acumula rejeitos, como as de mineração, que são comuns em Minas Gerais. Ela contém um reservatório de água que é usada para abastecimento e irrigação.
A área delimitada pelas equipes de emergência abrange cerca de 85 hectares e inclui 46 residências. Todas foram visitadas pelos agentes da Defesa Civil, que orientaram os moradores e coordenaram a saída preventiva. Apesar do susto e da mobilização, não há registro de feridos ou vítimas fatais.
A operação é coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, com apoio da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), da Defesa Civil Estadual de Minas Gerais e da Defesa Civil Municipal. De acordo com a Defesa Estadual, entre o último sábado e o domingo, 1, choveu 165 milímetros na região. A água chegou a ultrapassar a crista de barramento, danificando parte da estrutura do vertedouro.
Em vídeo postado na rede oficial do município, o prefeito Silvanei Batista (PSB) diz que, devido às chuvas, o volume de água ultrapassou o vertedouro e danificou a estrutura do barramento, despejando água e lama em direção às casas.
"Atingiu algumas casas, arrastou animais e encobriu a rodovia MG-122, mas se a barragem romper totalmente, pode descer tudo de uma vez e carregar tudo, por isso estamos fazendo este alerta."
Segundo ele, a barragem está sob monitoramento contínuo, e uma avaliação técnica deve ser realizada por engenheiros para definir os próximos passos.
'Risco iminente de rompimento'
Conforme a prefeitura, o reservatório está sob a administração da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), vinculada ao governo federal, que já foi contatada para tomar providências para o reparo. A reportagem entrou em contato com a Codevasf e aguarda retorno.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu a situação de emergência no município, devido ao "risco iminente de rompimento" da barragem de Lages. Segundo a pasta, a situação segue sendo monitorada pelo Grupo Federal de Segurança de Barragens, composto pela Defesa Civil Nacional, agências fiscalizadoras e representantes de órgãos estaduais e municipais.
A portaria com o reconhecimento federal foi publicada no domingo, 1, em edição extra do Diário Oficial da União. O município já está autorizado a solicitar recursos para ações de assistência humanitária, como o atendimento aos desabrigados e desalojados, e intervenção emergencial na barragem para mitigar o risco de rompimento.
Na tarde deste domingo, a equipe da Defesa Civil Nacional se reuniu com o prefeito Silvanei Batista e autoridades de outros municípios do norte de Minas Gerais para prestar apoio técnico e alinhamento das ações de resposta.
"Estamos com os canais abertos para orientar e auxiliar os municípios com os processos de reconhecimento, solicitação de recursos e elaboração de planos de trabalho", afirmou o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), Rafael Machado.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
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