Mudança do Igeprev para Igeps incorpora militares e concentra gestão no Executivo Rodovias precárias elevam os custos e cobram a conta do próximo governo Conta d’água sobe mesmo sem consumo e pressão aumenta sobre concessionária
RISCO À SAÙDE

Ação humana segue contaminando rios com metais tóxicos no oeste do Pará

Resultados de estudo inédito indicam influência de atividades antrópicas e possível risco à saúde em cenários de alto consumo

  • 51 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 10/04/26 17:00
Ação humana segue contaminando rios com metais tóxicos no oeste do Pará
U


m estudo inédito coordenado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) identificou a presença de metais tóxicos - mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo - em peixes consumidos nas regiões do Baixo Amazonas e sudoeste do Pará. A coleta do pescado foi feita nos municípios de Faro, Juruti, Santarém e Oriximiná e Itaituba.

 

Entre os municípios mais afetados da região estão Faro, Juruti, Santarém, Oriximiná e Itaituba/Foto: Divulgação.

A pesquisa, realizada por meio do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento, investigou seis espécies de peixes e avaliou a presença dos metais tóxicos sob dois cenários de consumo: o brasileiro, com o consumo de 24 g/pessoa por dia; e o cenário amazônico, com 462 g/pessoa por dia. No segundo caso, o consumo aumenta, principalmente, em comunidades ribeirinhas.

Gostoso e perigoso

As espécies de peixes pesquisadas são tucunaré, surubim-pintado, pirarucu e piranha, consideradas predadoras; e duas espécies não predadoras: aracu e acari. O principal critério para essa escolha foi a presença dessas espécies em todas as localidades, assim como o fator “valorização” e pelo alto consumo na região.

Os pesquisadores responsáveis pela pesquisa são o doutor em Ciências Ambientais Fábio Albuquerque, colaborador do PPGSND, e o professor Antônio Minervino, docente do quadro permanente do programa. Ambos são pesquisadores do Laboratório de Sanidade Animal da Ufopa.

Contextos importantes

A escolha dos municípios para a pesquisa, assim como das espécies de pescado, deu-se com base no cenário atual da região, que enfrenta diversos desafios ambientais. Um exemplo é a mineração artesanal de ouro, em grande parte ilegal, que é uma atividade poluidora consolidada na região e responsável pela contaminação direta por mercúrio.

Nos últimos anos, a mineração de ouro aumentou consideravelmente na região, com mudanças no perfil da atividade, considerando que os garimpeiros passaram a utilizar equipamentos pesados, levando a uma maior industrialização do processo e, consequentemente, a maiores danos ambientais. Esse é um cenário comum em Itaituba.

A região também abriga grandes projetos de mineração, principalmente de bauxita, como em Porto Trombetas, em Oriximiná, desde 1969; e no município de Juruti, desde 2009. O estudo destaca que o resíduo dessa prática, uma lama vermelha, contém elevada alcalinidade e pode conter metais pesados em altas concentrações.

Os riscos ambientais decorrem de seu alto pH, o que pode provocar problemas de permeabilidade do solo e favorecer a mobilização de contaminantes junto a águas subterrâneas, alterando características químicas do solo ou da água.

Afetadas por tabela

Santarém, que diretamente não tem essas atividades minerais, é afetada porque recebe a carga de sedimentos a partir do movimento dos rios Tapajós e Amazonas, que são afetados pelas ações nos três municípios citados - Itaituba, Oriximiná e Juruti.

No caso de Faro, este é um município que não é, diretamente, influenciado por águas provenientes da mineração, mas, como Santarém, sofre pressão de atividades agrícolas, desmatamento, queimadas e exploração ilegal de madeira, o que pode afetar negativamente a saúde das pessoas que consomem peixe.

Resultados preocupantes

Os resultados do estudo mostram que peixes carnívoros apresentaram maiores níveis de mercúrio, podendo ultrapassar valores considerados seguros quando o consumo é frequente.

O estudo fornece novos insights sobre os riscos carcinogênicos - representam a probabilidade de desenvolver câncer -, e não carcinogênicos - efeitos adversos à saúde que não resultam em câncer, referentes aos metais pesquisados.

No cenário brasileiro de consumo de peixe, os percentuais de arsênio e cádmio resultaram em, praticamente, todos os dados com risco negligenciável, ou seja, perigo baixo. Porém, considerando o cenário amazônico, o consumo de certas espécies de peixe, principalmente o acari e o pirarucu, resultou em risco inaceitável para populações ribeirinhas devido à ingestão de arsênio.

Transformação e risco

De acordo com a pesquisa, a região tem passado por uma rápida transformação agrícola, transitando de uma agricultura familiar para uma agricultura mecanizada industrial de milho e soja. A região do Baixo Amazonas, no Oeste do Pará, tornou-se uma nova fronteira agrícola, com aumento da área plantada com soja de apenas 25 hectares, em 2001, para 122 mil hectares, em 2024.

Tanto essa expansão agrícola quanto as atividades de mineração em curso têm impulsionado o desmatamento direto por meio da abertura de áreas e da construção de extensas redes de infraestrutura.

Como o mercúrio está presente de forma abundante nos solos da região, a remoção da vegetação e a perturbação do solo promovem erosão acelerada, contribuindo para uma maior disponibilidade de mercúrio nos ecossistemas aquáticos.

Papo Reto

A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favorável à investigação contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marco Aurélio Gastaldi Buzzi (foto), por importunação sexual de duas jovens, uma delas sua ex-assessora. 

•Apelidado nos corredores do STJ de "Taradão", o magistrado está afastado do cargo desde o dia 10 de fevereiro.

O ministro Alexandre de Moraes liberou para julgamento no STF ação ajuizada pelo PT em 2021 questionando as regras de formulação de delações premiadas. 

•Sob o mantra de "fixação de balizas constitucionais para evitar abusos na aplicação do instituto", no fundo a medida, segundo veículos da grande imprensa, busca mesmo é amordaçar Vorcaro.

STF deu início ao julgamento das duas ações que tratam do rito de eleição para o governo-tampão do Rio de Janeiro. 

• A Corte deverá decidir se, com a renúncia de Cláudio Castro, o novo governador deverá ser escolhido por voto popular ou disputa interna na Alerj. 

Durante o julgamento no STF, advogado do PSD recorreu a uma metáfora inusitada, comparando o Rio de Janeiro à cidade de Gotham City, dos quadrinhos do Batman. Nesse cenário, alertou que uma eleição indireta traria vitória ao Coringa. 

•TRE-RJ retotalizou os votos para deputado estadual e indicou que o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto deve assumir a vaga aberta com a cassação de Rodrigo Bacellar. A mudança, porém, ainda depende do prazo para recursos e da homologação final pelo plenário do tribunal.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.