Economia, vida saudável, canetas emagrecedoras e fé vêm fazendo as pessoas beberem cada vez menos no Brasil, com reflexos desastrosos na indústria.
A indústria de bebidas alcoólicas no Brasil enfrenta um momento bem complicado. Falo de um enfraquecimento significativo e acelerado sob efeito da crise sanitária - originada pela contaminação por metanol -, incrementada por problemas econômicos e, principalmente, uma profunda mudança cultural nos hábitos de consumo, especialmente entre os mais jovens, haja vista que cerca de 53% deles (18 a 30 anos) reduziram o consumo de álcool, induzindo a venda de bebidas cair 20% desde 2000.
O gatilho imediato para o agravamento da situação foi a crise da adulteração por metanol, no segundo semestre de 2025. O medo generalizado contaminou a percepção de segurança do consumidor, resultando em uma queda imediata no consumo de destilados.
Nas duas primeiras semanas de outubro de 2025, as vendas de destilados em autosserviços e atacarejos da Grande São Paulo despencaram 26,9%. Bares especializados em drinks sentiram um impacto ainda mais imediato, com uma queda de movimento entre 20% e 25%. Outro dado interessante é que 65% dos brasileiros disseram não ter ingerido álcool em 2025.
Consumidores migraram massivamente para opções percebidas como mais seguras, como cerveja, vinho e drinks sem álcool, evitando destilados como uísque e vodka .
Aliás, antes mesmo da crise do metanol o setor já enfrentava ventos ruins.
Dados de setembro de 2025 já mostravam que a inflação do setor de alimentação fora do lar atingia 8,24%, bem acima do IPCA geral. Simultaneamente, as famílias brasileiras destinavam cerca de 28% de sua renda apenas para o pagamento de dívidas, reduzindo drasticamente o espaço para gastos com lazer e refeições fora de casa.
O fator mais preocupante para a indústria, a longo prazo, é a transformação cultural no relacionamento com o álcool, impulsionada principalmente por pessoas mais jovens (geração Z). Este é um movimento global que encontrou no Brasil um terreno fértil, já que dados indicam que 53% de quem tem entre 18 e 30 anos reduziram o consumo de álcool.
As motivações vão desde a busca por um estilo de vida mais saudável, a conscientização sobre os malefícios da substância e o receio de exposição e "cyberbullying" em redes sociais .
O declínio estrutural do consumo já não é mera impressão, mas, como eu disse, uma tendência confirmada por números. Diante desse cenário de múltiplas crises, fechamento de plantas e desemprego em massa à vista, a indústria e o setor de bares e restaurantes reinventam-se para sobreviver. A missão parece árdua.
Foto: Divulgação
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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