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Reincidência

Em Ananindeua, doceiras são as vítimas da vez em novo ‘calote' da Prefeitura

Centenas de mulheres denunciam o descumprimento de auxílio financeiro prometido pelo prefeito Daniel Santos, do PSB.

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  • 21/02/26 09:00
Em Ananindeua, doceiras são as vítimas da vez em novo ‘calote' da Prefeitura

Belém, PA - O projeto "Doces que Encantam", idealizado para capacitar e fomentar o empreendedorismo feminino, tornou-se símbolo de frustração. O que deveria ser um incentivo para o sustento de famílias humildes transformou-se em mais um item na lista de escândalos da gestão de Daniel Santos (PSB).

 

O cerne do escândalo reside no Programa Municipal Semente Empreendedora. Regulamentado pelo Decreto Municipal nº 3.110/2025, o projeto prometia um suporte financeiro de R$ 2.000,00 para as alunas que concluíssem o curso de confeitaria "Doces que Encantam".

 

Contudo, relatos de participantes e protestos realizados em frente à prefeitura indicam que a grande maioria das concluíntes jamais recebeu o depósito bancário prometido. O auxílio, classificado como incentivo não reembolsável para a compra de insumos e equipamentos, ficou apenas no papel para centenas de doceiras que investiram tempo e expectativa na formação.


Propaganda X Realidade


A indignação das empreendedoras expõe uma falha grave na gestão de políticas públicas do município. Há indícios de que o programa foi intensificado estrategicamente para gerar imagens positivas de gestão, funcionando como peça publicitária, mas sendo negligenciado na fase de execução financeira.


Sem o recurso prometido, muitas mulheres que deixaram outros compromissos para se dedicar ao curso agora enfrentam dívidas e a impossibilidade de iniciar seus pequenos negócios. As beneficiárias relatam que, ao buscarem respostas na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), encontram apenas burocracia e falta de prazos concretos para a regularização dos pagamentos.


Protestos


Em fevereiro de 2026, grupos de confeiteiras ocuparam as ruas de Ananindeua e a frente da sede da prefeitura para cobrar o destino das verbas que, por decreto, já deveriam estar nas contas das trabalhadoras. O "calote" generalizado já mobiliza pedidos de fiscalização rigorosa pela Câmara Municipal e pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-PA).


As trabalhadoras alegam que foram "utilizadas" para compor a publicidade oficial da prefeitura, mas que, ao buscarem o apoio real para a produção, encontraram portas fechadas. O sentimento comum entre as manifestantes é o de que a gestão priorizou o ganho político imediato em detrimento do compromisso firmado com a parcela mais vulnerável da economia local.


Este caso revela uma crise de prioridades na administração de Daniel Santos. Enquanto as propagandas continuam a vender uma cidade em pleno desenvolvimento, a realidade das ruas mostra trabalhadoras que acreditaram no poder público e agora lutam para receber o que lhes foi garantido por lei. O projeto, que nasceu com o discurso de fomento, deixa agora um rastro de frustração e um prejuízo financeiro real para as mulheres de Ananindeua.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.