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Tensão

Marcada por violência, eleição presidencial no Equador terá segundo turno

Disputa será entre candidata da esquerda e empresário liberal

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  • 21/08/23 08:34
Marcada por violência, eleição presidencial no Equador terá segundo turno

As eleições no Equador terão um segundo turno entre a candidata de esquerda Luisa González, do partido Revolución Ciudadana, e o empresário liberal Daniel Noboa, do movimento Acción Democrática Nacional, a ser disputado em 15 de outubro. Com 70% da apuração concluída, González, aliada do ex-presidente Rafael Correa, liderava a disputa com 33,1% dos votos.

Após o avanço na contagem, a candidata adotou um discurso de união entre os equatorianos para tirar o país da crise institucional e de segurança, ante uma eleição marcada pela violência. "O Equador requer paz, trabalho, segurança, que voltemos a ser livres", declarou.

O adversário, Daniel Noboa, tinha que tinha 24,1%. Filho do magnata e ex-candidato Álvaro Noboa, ele destacou que a disputa oferece uma oportunidade para derrotar o correísmo. "Não será a primeira vez que um novo projeto político dá uma reviravolta no 'establishment' político. Esse frescor em fazer política é o que nos trouxe até aqui", disse. Embora a entrada dos dois no segundo turno não estivesse garantida matematicamente, os demais candidatos reconheceram o resultado com base em projeções.

RECORDE - A eleição registrou uma participação recorde de eleitores. Ao todo, 82,26% dos 13,4 milhões de equatorianos aptos a votar foram às urnas.

Os eleitores foram escolher quem assumirá o mandato presidencial no lugar do conservador Guillermo Lasso, assim como os novos representantes da Assembleia Nacional, após esta ter sido dissolvida pelo presidente em maio. A disputa foi marcada por uma profunda crise institucional e de segurança, que atingiu seu ponto mais crítico com o assassinato a tiros do candidato Fernando Villavicencio no dia 9.

VIOLÊNCIA - Sob o decreto de estado de emergência, a votação ocorreu com um forte aparato de segurança em todo o país para garantir a normalidade. Um contingente de 53 mil membros da Polícia Nacional e 45 mil membros das Forças Armadas foi destacado para o pleito.

Os militares foram destacados para fazer a segurança especialmente do candidato Christian Zurita, jornalista que substituiu Villavicencio na disputa presidencial. Zurita apareceu para votar utilizando um colete à prova de balas e um capacete, além de ter sido protegido por uma espécie de lençol blindado, em meio a ameaças de morte recebidas nas redes sociais

O tema da violência foi prioritário para os equatorianos nestas eleições. "Estou votando hoje com a fé de que as coisas possam mudar", disse Javier, de 32 anos, que pediu para não ter o sobrenome identificado por medo de represálias. A presidente do CNE, Diana Atamaint, informou que nenhum episódio de violência foi registrado durante o horário de votação.

Por Estadão Conteúdo

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.