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Primogênito expõe fissuras e transforma Samuel Câmara em alvo de evangélicos

Remoção de pastor escancara crise de comando na Assembleia de Deus e expõe influência familiar na condução da chamada “Igreja Mãe”.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/01/2026, 08:00

Philipe e Samuel: decisões potencializam clima tenso envolvendo a condução da Assembleia de Deus em Belém/Fotos: Arquivo-Redes Sociais.


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omo todo pai, Samuel Câmara sempre foi visto como alguém disposto a relevar excessos dos filhos. No comando da Assembleia de Deus em Belém, porém, essa disposição passou a ser lida por setores da própria congregação como fragilidade administrativa - e, mais recentemente, como fator de instabilidade institucional.

Pastores ouvidos pela coluna avaliam que a remoção do pastor Marcelo Campelo do templo da Diogo Móia, no Umarizal, não foi um episódio isolado, mas o ponto de ignição de uma crise interna em ascensão.

O peso das decisões

Philipe Câmara, primogênito do presidente da Assembleia de Deus em Belém - que reúne cerca de 150 mil fiéis em mais de 500 templos no Estado - é apontado, nos bastidores, como figura central no episódio que culminou no afastamento de Campelo.

A remoção teria ocorrido após o pastor questionar publicamente o valor pago pelo governo do Estado pelo aluguel do centro de convenções da igreja, na rodovia Augusto Montenegro. Segundo fontes da coluna, Samuel Câmara até poderia relevar o episódio, mas a pressão do filho teria pesado para que o caso não passasse em branco.

Os três senhores

Entre pastores críticos à atual condução da igreja, a avaliação é de que Philipe Câmara exerce influência direta sobre decisões estratégicas, administrativas e políticas da congregação - muitas delas, dizem, distantes do viés estritamente cristão.

Não seria de hoje que decisões atribuídas formalmente ao presidente da igreja carregariam, na prática, a assinatura do filho. O problema, segundo essas fontes, é que esse modelo de comando concentra poder em uma instituição que, há décadas, não conhece alternância de liderança nem experimentou outros formatos de gestão.

Insatisfação aberta

O desgaste deixou de ser silencioso. Reações de pastores e fiéis nas redes sociais, após sucessivos episódios envolvendo a cúpula da igreja e familiares de Samuel Câmara, evidenciam um nível inédito de insatisfação interna.

Em grupos privados e manifestações públicas, líderes chegaram a comparar o presidente da Assembleia de Deus em Belém a Nicolás Maduro, numa analogia que revela mais o grau de tensão do que o rigor da comparação. Uma pergunta recorrente resume o desconforto: por que a congregação nunca escolheu outro líder?

Desconforto crescente

Outro foco de críticas envolve a atuação de Philipe Câmara como detentor, no Pará, da franquia do grupo Legendários - movimento cristão voltado ao público masculino, que promove retiros intensivos de imersão espiritual e física.

Embora a iniciativa tenha alcance nacional, pastores dissidentes enxergam na atividade um ponto sensível: a sobreposição entre fé e negócio. Para eles, o fato de um dirigente influente da igreja ser beneficiário direto de uma operação com viés comercial gera desconforto e amplia a percepção de conflito de interesses.

Como acender pavio

Até recentemente, iniciativas financeiras ou administrativas da Assembleia de Deus raramente eram questionadas. O aluguel do centro de convenções pelo governo estadual, decidido sem consulta interna, mudou esse cenário. A partir dali, as insatisfações latentes vieram à tona, fissuras se aprofundaram e a imagem da chamada “Igreja Mãe” passou a sofrer desgaste público.

Fragmentação e reação

O reflexo mais visível da crise é o surgimento de novas denominações, fundadas por pastores excluídos ou dissidentes. A estratégia é clara: abrir templos próprios para acolher fiéis decepcionados com a atual gestão e romper a hegemonia histórica da família Câmara.

Não se trata, como define um dos pastores ouvidos, de uma disputa “pela conquista do céu”, mas pela tentativa de resgatar uma prática de fé que, segundo eles, foi esvaziada por decisões incompatíveis com o Evangelho.

Uno e indivisível

A coluna tentou, mas não obteve contato com o pastor Philipe Câmara em Belém - o número do celular tem código de área 12, possivelmente indisponível para WhatsApp. Nesse contexto, porém, reproduzimos postagem do pastor Rui Raiol, integrante da congregação religiosa, no Instagram – grupo “Amigos da Oração-Ministério Evangélico”. Veja: 

Jurídica e eclesiasticamente, a igreja Assembleia de Deus em Belém, Missão, não tem pastores, tem apenas um pastor. Todos os demais são “pastores auxiliares”. É assim que só há um CNPJ, um só estatuto. Todas as congregações são extensões do templo-sede; nenhuma tem personalidade jurídica. 

Por sua vez, líderes locais são cooperadores, sem nenhum vínculo que garanta permanência à frente de qualquer trabalho. Assim, pastor local é uma função de confiança, delegada pelo pastor juridicamente estabelecido, que exerce a presidência da instituição. 

Com efeito, esse líder é, jurídica e eclesiasticamente, friso, o pastor de todas as congregações. Naturalmente, se tal líder vê arrefecer a confiança depositada em algum auxiliar, pode a qualquer momento retomar o comando da congregação. 

Falo isto na condição de pastor auxiliar também, cônscio desse caráter precário em meus relacionamentos com a Igreja-mãe, muito embora eu não dirija igrejas e não exerça qualquer outra função institucional. 

Esta simples compreensão evitaria tantos conflitos... Outra coisa é a chamada divina a cada um, que deve ser exercida em linha direta com o Céu. Outra coisa também é o “modus operandi” de cada qual. 

Feliz quem alcança este entendimento. 

 

Papo Reto

Sete entre os 100 melhores hospitais públicos do Brasil estão no Pará, segundo publicação do Uol. Dos sete, seis foram construídos na gestão de Simão Jatene. 

•A lista inclui o Jean Bitar e o Oncológico infantil Octávio Lobo, em Belém; os regionais do Baixo Amazonas, em Santarém, do Marajó, em Breves e o Abelardo Santos, em Icoaraci, na Grande Belém.

Detalhe: o Hospital da Santa Casa, iniciada no governo da Ana Júlia (foto), foi concluído e inaugurado pelo tucano, que cravou o nome e convidou a ex-governadora para a inauguração, com direito a homenagem.

•O governo brasileiro confessou a parlamentares de oposição que, até o presente, obteve êxito zero ao tentar receber os R$ 10 bilhões que a Venezuela tomou emprestado para construir metrô, ponte e até siderúrgica.

O Sindifisco Nacional emitiu alerta cobrando apoio operacional e segurança para seus auditores, em Roraima, diante do iminente risco de aumento do fluxo migratório para o Brasil.

•Nicolás Maduro aplicou o que dez em cada dez observadores da cena avisaram que aconteceria: "devo, não nego, pagarei assim que Papai Noel passar a usar drone".

Por falar no governo Lula, ele nega, mas a Transparência Internacional aponta risco de fraudes no Novo PAC.

•É que "a falta de informações básicas" - diz a ONG - "compromete o controle social e expõe projetos bilionários a problemas de fiscalização, com impactos diretos sobre a sociedade e o meio ambiente".

O Banco Central questionou incisivamente a decisão monocrática de ministro do TCU que determinou a inspeção no caso Master. Na ação, a Procuradoria-Geral do banco pede decisão colegiada do TCU para o caso.

•É bom ficar alerta: o prazo para contestação de descontos indevidos no INSS termina dia 14 de fevereiro, alerta o presidente do órgão, Gilberto Waller.

Vale lembrar que a contestação pode ser feita pela Central 135, pelo Meu INSS - site ou aplicativo -, ou mesmo presencialmente nas agências dos Correios.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.