Estudo da Fiepa calcula que sobretaxa de 25% pode atingir 54% dos embarques; setor aposta em diversificação para reduzir impacto.
ameaça de um novo tarifaço comercial dos Estados Unidos acendeu sinal de alerta na indústria paraense. Caso a proposta do governo norte-americano avance nos moldes apresentados atualmente, cerca de 54% do valor das exportações industriais do Pará destinadas aos EUA poderá ser atingido por uma tarifa adicional de 25%.

A estimativa foi elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará, por meio do Observatório da Indústria do Pará e do Centro Internacional de Negócios, com base nos embarques realizados no primeiro quadrimestre de 2026 e já descontando produtos que podem ficar de fora da medida graças às exceções previstas no pacote tarifário em discussão em Washington.
Embora o plano ainda esteja em fase de consulta pública e audiências antes de eventual implementação definitiva, o impacto potencial já preocupa principalmente a indústria de transformação, responsável por praticamente todo o volume exportado dentro do universo analisado - cerca de 99%.
Entre os segmentos mais expostos aparecem justamente dois pilares históricos da pauta mineral paraense: o ferro fundido bruto não ligado e o alumínio não ligado em formas brutas. Sozinhos, esses produtos representam, respectivamente, 30,49% e 18,75% do total avaliado pela federação. Na prática, a sobretaxa encareceria os produtos brasileiros no mercado norte-americano, reduzindo competitividade diante de concorrentes internacionais e pressionando margens de exportadores que dependem do mercado dos EUA.
Apesar do cenário de incerteza, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que ainda é cedo para medir o alcance real dos impactos, sobretudo porque parte relevante dos produtos brasileiros pode acabar enquadrada nas exceções previstas pelo próprio governo norte-americano.
O presidente da Fiepa, Alex Carvalho, afirma que a entidade já trabalha há alguns anos em uma estratégia de diversificação comercial justamente para reduzir a dependência de mercados específicos e blindar a indústria local contra turbulências geopolíticas.
Segundo ele, a movimentação internacional da indústria paraense não surgiu como resposta imediata à nova ameaça tarifária. “O objetivo é reduzir a dependência de um único mercado e aumentar a resiliência das exportações paraenses diante de eventuais medidas protecionistas ou mudanças no cenário geopolítico internacional”, afirma.
Carvalho sustenta que o processo de internacionalização da indústria do Estado já vinha sendo estruturado antes mesmo da atual tensão comercial. “O que estamos vendo hoje é menos uma reação emergencial e mais a consolidação de um processo de internacionalização que a indústria paraense já vinha construindo e fortalecendo nos últimos anos”, destaca.
Nos últimos meses, representantes da indústria paraense participaram de agendas empresariais na Alemanha, Estados Unidos, Canadá, China e França, buscando abertura de mercados, atração de investimentos e fortalecimento de cadeias estratégicas ligadas à mineração, bioeconomia, alimentos e proteína animal.
Outro fator que pode aliviar parcialmente os efeitos da medida é a própria dependência da economia norte-americana de determinadas matérias-primas brasileiras.
O relatório preliminar dos EUA prevê exceções para 1.690 linhas tarifárias, incluindo produtos considerados críticos para a indústria americana ou cuja oferta doméstica seja insuficiente para atender à demanda interna. Além disso, há forte integração produtiva entre setores brasileiros e norte-americanos, especialmente em cadeias ligadas à mineração e metalurgia, o que pode manter parte da demanda ativa mesmo diante do aumento dos custos de importação.
Ainda assim, a Fiepa reconhece que os efeitos não serão homogêneos. Setores mais dependentes do mercado americano e sem proteção das exceções tarifárias deverão enfrentar pressão competitiva maior, enquanto produtos estratégicos, de difícil substituição ou essenciais para cadeias industriais dos EUA tendem a sofrer impactos mais moderados.
O episódio reforça uma preocupação crescente entre exportadores brasileiros: a necessidade de ampliar mercados e reduzir vulnerabilidades diante do avanço de políticas protecionistas em economias centrais. Para o Pará, cuja balança comercial permanece fortemente ancorada em commodities minerais e metálicas, a disputa comercial entre Brasília e Washington pode funcionar como novo teste de resistência para a indústria exportadora do Estado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.