Gracialda Ferreira e Raimundo Thiago são nomeados para o quadriênio 2026-2030 após eleição direta que devolveu à comunidade acadêmica a escolha da Reitoria.
epois de uma eleição interrompida pela Justiça em 2025, liminares, disputas jurídicas e um período de gestão provisória, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) finalmente pode dizer que começa uma nova etapa. A nomeação da professora Gracialda Costa Ferreira para a Reitoria e do professor Raimundo Thiago Lima da Silva para a Vice-Reitoria, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 24, dá contornos institucionais ao resultado das urnas e encerra um capítulo de instabilidade que marcou a escolha da direção da universidade.

O decreto foi assinado pelo presidente Lula da Silva na sexta-feira, 21. Gracialda e Raimundo Thiago comandarão a Ufra no quadriênio 2026-2030.
A chapa recebeu 4.200 votos, equivalentes a 58,98% dos votos válidos, na eleição realizada em 18 de junho, de forma eletrônica, por meio do sistema VotaNET disponibilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Dos 11.134 eleitores aptos, 6.605 participaram da votação.
Mais que uma mudança de nomes, o resultado representa a retomada de um princípio que ganhou peso especial na instituição: a escolha da administração diretamente pela comunidade universitária.
A eleição anterior, realizada em meio a questionamentos judiciais, acabou suspensa, deixando a universidade sob uma solução provisória enquanto uma nova consulta era organizada.
O processo de 2026 ocorreu em outro ambiente. A Comissão Eleitoral Geral abriu formalmente a consulta direta para a escolha de reitor e vice-reitor, com participação de docentes, técnicos e estudantes.
A própria Ufra destaca que é a primeira instituição federal de ensino superior da Amazônia e a segunda do País a ter sua gestão escolhida diretamente pela comunidade acadêmica após o fim da lista tríplice.
A diferença não é meramente protocolar. Durante décadas, a escolha dos dirigentes das universidades federais esteve submetida ao modelo da lista tríplice encaminhada ao presidente da República. A experiência da Ufra coloca a instituição entre aquelas que passaram a adotar uma consulta direta como mecanismo de escolha da administração.
Com a nomeação, Gracialda Ferreira passa a integrar também um grupo ainda pequeno: é a quinta mulher à frente da gestão de uma universidade pública federal na Região Norte, ao lado das reitoras da Ufam, Ufopa, Unir e UFT.
Para a nova reitora, a presença feminina nesses espaços ainda enfrenta resistência. “Chegar à essa posição, em uma região onde ainda é forte o preconceito contra as mulheres na ocupação desses cargos, é um ponto muito positivo que soma à luta das mulheres”, afirmou Gracialda.
A nova reitora chega ao cargo carregando uma trajetória construída dentro da própria universidade. Engenheira florestal, mestre em Ciências Florestais e doutora em Botânica Tropical, ela é professora da Ufra desde 2002 e atua nas áreas de Dendrologia Tropical, Manejo Florestal e Recuperação de Áreas Degradadas.
Também dirigiu o Instituto de Ciências Agrárias e ocupou o cargo de diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio. Seu perfil acadêmico reúne pesquisa, extensão e gestão universitária.
Gracialda é natural de Abaetetuba e construiu a carreira vinculada à educação pública, à ciência e à realidade amazônica. Agora terá pela frente a tarefa de transformar esse conhecimento em gestão.
O vice-reitor Raimundo Thiago Lima da Silva representa outro componente importante da nova administração: a interiorização. Professor associado da Ufra e docente do Campus de Capitão Poço, ele já exerceu funções administrativas na instituição, incluindo a direção do campus e a assessoria multicampi. É engenheiro agrônomo formado pela própria Ufra, licenciado em Matemática pelo IFPA, mestre em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Santa Maria e doutor em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará.
A proposta anunciada pela nova gestão é fazer da administração uma gestão efetivamente multicampi, olhando não apenas para Belém, mas para os demais campi e polos. “Os desafios são imensos, mas pensamos sempre em colocar a universidade dentro de um cenário regional e nacional que ela sempre mereceu estar”, afirmou o vice-reitor.
Se a eleição encerrou a disputa pelo comando, começa agora a parte mais difícil: administrar uma instituição espalhada por diferentes territórios e com uma missão que ultrapassa os limites da capital e do próprio Pará.
Gracialda afirma que o primeiro momento será dedicado ao planejamento, à montagem da equipe e à definição das estratégias, sem perder de vista as emergências da universidade.
A nova reitora defende uma Universidade voltada especialmente às populações dos campos, das águas e das florestas, articulando formação profissional, ciência e tecnologia com desenvolvimento social, ambiental e econômico.
É uma agenda ambiciosa. E talvez seja justamente esse o principal teste da nova administração: depois de uma eleição marcada pela disputa judicial e pela instabilidade institucional, transformar os 58,98% obtidos nas urnas em autoridade administrativa, diálogo interno e resultados concretos.
A eleição devolveu à comunidade acadêmica o direito de escolher. Agora começa o tempo de mostrar que a escolha valeu a pena.
•Acre e Amazonas já enfrentam situação de emergência provocada pela seca. A baixa dos rios prejudica o transporte e o atendimento de saúde de comunidades rurais e ribeirinhas.
•No Pará, o assoreamento e a redução da vazão do Tapajós ameaçam o escoamento de soja e milho de Mato Grosso pelos portos do Arco Norte. O setor produtivo estima que até 5,5 milhões de toneladas possam enfrentar dificuldades de transporte, com custo adicional de até R$ 800 milhões.
•E o governo suspendeu a dragagem após questionamentos ambientais e consulta a povos tradicionais.
•De Norte a Sul, milhares de candidatos tentam chegar a Brasília, enquanto boa parte dos atuais deputados federais busca permanecer por mais quatro anos.
•O Amapá tem 89 candidatos para oito vagas na Câmara, menor concorrência proporcional do País. Sete dos oito deputados em exercício tentam a reeleição.
•O Amazonas tem 137 candidatos e sete dos atuais deputados buscam a reeleição, entre eles Amom Mandel, Átila Lins e Silas Câmara.
•No Pará, 260 candidatos disputam as 17 cadeiras disponíveis na Câmara, uma média de mais de 15 nomes por vaga.
•Após mais de cinco meses parada no Senado, a PEC da Segurança Pública ganhou relator e começou a avançar. Rogério Carvalho foi escolhido para conduzir a proposta na CCJ.
•Lula marcou para amanhã, quarta-feira, reunião com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para tratar do fim da taxa das blusinhas e do fim da escala 6x1.
•O ministro Gilmar Mendes liberou para julgamento ação que contesta a reforma dos prazos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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