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ELEIÇÕES 2026

Na política do Pará, "cobras" também estão dentro da base e provocam fissuras

Descontentamentos se espalham entre aliados de Helder e Hana, enquanto disputa pelas cadeiras da Câmara expõe fissuras nas chapas governistas

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 25/08/26 12:09
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descontentamento nas bases eleitorais não é exclusividade do grupo de oposição liderado pelo ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos, do Podemos. Nos bastidores da chapa oficial, capitaneada pelo ex-governador Helder Barbalho e pela governadora Hana Ghassan, também há queixas, perda de bases e, sobretudo, disputa por espaços que começam a ficar pequenos para tantos candidatos.

 

Antônio Doido, Andreia Siqueira e Elieth Braga se destacam pela mobilização no interior; Faleiro aparece bem cotado no PT/Fotos: Divulgação.

Um dos focos de insatisfação estaria no próprio MDB. Presidente estadual do partido, o ex-ministro Jader Filho trabalha para ser o deputado federal mais votado do Pará, mas estaria encontrando dificuldades para consolidar o domínio de bases que, até pouco tempo, eram consideradas próximas. Candidatos com estrutura e capacidade de mobilização vêm avançando sobre prefeitos, vereadores e lideranças políticas e comunitárias.

Entre os nomes que disputam esse território estão os próprios correligionários Renilce Nicodemos e Antônio Doido, além de Andréia Siqueira, do PSB, e das novatas Erika Sabino, do MDB e Elieth Braga, do PSB. A movimentação produz um paradoxo eleitoral: quanto mais forte a aliança governista, maior a quantidade de candidatos disputando as mesmas bases.

Segundo informações de bastidores, Jader Filho teria levado a terceiros sua preocupação com a perda de apoios. O assunto chegou a Helder Barbalho e Hana Ghassan. A resposta atribuída ao governador teria sido direta – teria, fique claro desde já: Jader precisaria “tirar as cobras dos bolsos”, numa referência à necessidade de investir recursos próprios na montagem de sua campanha sem esperar por terceiros. Hana, por sua vez, teria ponderado que seu compromisso prioritário é com Helder, mas que também precisa contemplar o conjunto da base política que sustenta seu governo.

É justamente aí que aparece um dos problemas da engenharia eleitoral governista. Não faltam candidatos; falta espaço - e, principalmente, bases eleitorais suficientes para todos saírem satisfeitos.

A conta do PT de Faro

Outro foco de tensão está no PT. O senador Beto Faro teria feito uma avaliação das chapas proporcionais para a Câmara Federal e chegado a uma conclusão pouco confortável para seu grupo: o partido pode garantir apenas uma cadeira.

A situação ganha contornos particulares porque o próprio Faro iniciou o projeto eleitoral de 2026 trabalhando com a possibilidade de eleger dois deputados federais de seu grupo familiar, Dilvanda Faro e Yuri Faro. O cenário desenhado agora seria bem diferente.

O desgaste interno enfrentado por Beto Faro no PT acabou, paradoxalmente, fortalecendo o nome de Airton Faleiro, que busca a reeleição. Na leitura dos bastidores, a consequência pode ser uma única vaga petista na Câmara - e ela não necessariamente ficará dentro do eixo político dos Faro.

A insatisfação da família tem ainda outro endereço: Helder Barbalho. Beto Faro teria se incomodado com a participação direta do governador na montagem das chapas de candidatos a deputado federal dos partidos aliados, justamente porque Helder conhece a correlação de forças dentro do PT paraense.

O resultado é uma espécie de efeito colateral da engenharia eleitoral governista. Ao tentar organizar as chapas para maximizar a eleição de aliados, o comando político também interfere na disputa interna de cada partido. E, quando a conta não fecha para todos, os aliados começam a olhar para o próprio comando da aliança.

No caso dos Faro, a preocupação é objetiva: o grupo que começou 2026 projetando duas cadeiras pode terminar a eleição sem uma representação familiar na Câmara Federal.

No MDB, Jader Filho enfrenta outro tipo de problema: precisa disputar espaço dentro da própria estrutura partidária e da aliança que preside. E, na base de Hana, prefeitos e lideranças começam a receber ofertas de diferentes candidatos.

No papel, a chapa governista permanece ampla e poderosa. Nos bastidores, porém, a eleição já revela uma velha regra da política: quando muita gente precisa caber no mesmo barco, a briga começa antes de a viagem terminar - com falta de coletes.

Papo Reto

A paraense de Tucuruí Alessa Paes (foto) foi eleita Miss Brasil Gay 2026 na 44ª edição do concurso, realizada em Juiz de Fora, Minas Gerais. 

•Além da coroa, ela conquistou os prêmios de melhor traje típico e melhor traje de gala. A edição celebrou os 50 anos de criação do Miss Brasil Gay, fundado em 1976 pelo cabeleireiro Chiquinho Mota. 

O concurso reúne representantes de todo o País e, desde 2007, é considerado patrimônio imaterial de Juiz de Fora.

•Tucuruí parece mesmo estar “na crista da onda”. Foi essa cidade paraense que legou ao público Andreza Hadila, que andou “causando” com um vídeo recente nas redes sociais.

Não contente com a fama recente, a influencer surgiu, dias atrás, muito à vontade, ao lado de Manoel Gomes, o homem da “Caneta Azul”, que é candidato a deputado federal por São Paulo. Política, realmente, é a praia da moça. 

•Os brasileiros assistiram em 1989, pela primeira vez, a um debate presidencial ao vivo na televisão. A Band, emissora responsável, foi a pioneira no formato e na junção dos presidenciáveis. Foi a primeira eleição direta para o cargo em quase 30 anos e a primeira após a Constituição de 1988. 

A transmissão foi comandada pela jornalista Marília Gabriela e reuniu nove candidatos no 1º turno, entre eles, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Mário Covas e dois que estão na eleição de 2026: Lula e Ronaldo Caiado. 

•Não existia regras de tempo ou roteiros, e muito menos um filtro que existe hoje nos candidatos. Eles discutiam entre si, com direito a réplica, tréplica e interrupções. Também não existia lei que obrigasse convite a partidos com representação mínima no Congresso.

Já no primeiro dos debates, a estratégia de ausência foi adotada e Fernando Collor, que era líder nas pesquisas, não participou dos debates no primeiro turno. 

•A equipe decidiu blindar Collor de ataques dos adversários e evitar o desgaste de um confronto direto - que é a mesma estratégia e justificativa usada pela campanha de Lula este ano, e foi o primeiro a confirmar sua ausência no debate de domingo, 23, na Band.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.