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TERRITÓRIO

Briga no STF por área de 2,2 mi de hectares pode mudar divisa entre MT e PA

Mato Grosso alega erro na demarcação e quer de volta território paraense com 350 mil cabeças de gado e a 10ª maior usina hidrelétrica do País

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 12/05/26 11:00
Briga no STF por área de 2,2 mi de hectares pode mudar divisa entre MT e PA
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ma disputa territorial entre os Estados de Mato Grosso e Pará envolve uma área de 2,2 milhões de campos de futebol, equivalente ao tamanho do Estado de Sergipe, com alto potencial agrícola e econômico. Só em gado são 350 mil cabeças. Mato Grosso alega erro na demarcação da divisa entre os Estados, feita em 1922, que teria transferido para o Pará um território de 22 mil km2 na região conhecida como Salto das Sete Quedas.

Mato Grosso levou o caso à Justiça em 2004, quando Pará ganhou a causa, mas o Estado recorreu/Foto: Divulgação.
 A região fica entre os rios Araguaia e Teles Pires, muito procurados pelos adeptos da pesca esportiva. Os rios têm alto potencial hidrelétrico e na área disputada fica a Usina Teles Pires, a décima maior do País.

Mato Grosso levou o caso à Justiça em 2004. Houve decisão unânime favorável ao Pará em 2020, mas o Estado recorreu. No último dia 14, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, marcou nova audiência de conciliação para o dia 21 deste mês.

Direito de cada um

O Estado de Mato Grosso alega que famílias residentes no sul do Pará, e que seriam munícipes de Jacareacanga e Novo Progresso, estão ligadas historicamente à Paranaíta e Alta Floresta.

Por suposto erro na demarcação da divisa, que é seca, ou seja, não é delimitada por rio, a área dessas comunidades foi agregada ao Pará. Por causa da proximidade, no entanto, todos os serviços de saúde, educação e segurança são oferecidos pelas duas prefeituras de Mato Grosso.

Sem acesso a serviços

Na ação, além de invocar o possível erro cartográfico, a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso alega que os moradores do território disputado não têm acesso às cidades paraenses. Como se trata de outro Estado, as prefeituras de Paranaíta e Alta Floresta estão impedidas juridicamente de realizar obras e investir em território que é formalmente do Pará.

A audiência faz parte de um processo no qual Mato Grosso busca reverter um acórdão transitado em julgado, ou seja, que não cabe mais recurso, no qual o STF decidiu, em 2020, que a área conhecida como Salto das Sete Quedas faz parte do Pará.

Salto das Sete Quedas

A chamada divisa seca com o Pará, definida por uma linha imaginária reta de 690 quilômetros, vai do ponto mais ao norte da Ilha do Bananal, no Tocantins, na margem esquerda do rio Araguaia, até o Salto das Sete Quedas, na margem direita do rio Teles Pires, em Apiacás (MT).

O governo mato-grossense diz que já apresentou ao Supremo laudos históricos e cartográficos, além de mapas e documentos, para demonstrar que houve erro na interpretação da linha de demarcação.

A defesa do Pará

Já o governo do Pará diz que, em maio de 2020, o STF deu vitória por unanimidade ao Estado nessa questão territorial. Foram utilizadas referências técnicas, históricas e jurídicas para subsidiar a decisão. O governo paraense diz que, após a publicação do acórdão, que também suspendeu uma liminar concedida anteriormente a Mato Grosso, foram retomadas as ações de regularização fundiária nas terras.

Um documento emitido pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará afirma que os produtores rurais já fizeram a alteração jurisdicional do registro das terras. São cerca de 300 propriedades rurais na área, em sua maioria produtoras de gado e soja. “Calculamos que um rebanho superior a 350 mil cabeças está nessa área”, diz o documento.

Na área em disputa há rios com grande potencial hidrelétrico, como o Teles Pires, onde foi construída a décima maior usina do País, com capacidade para abastecer com energia 13,5 milhões de pessoas. Se a ação fosse julgada procedente, a Usina Teles Pires passaria a se situar totalmente no Estado de Mato Grosso.

Disputa de 100 anos

A história que resultou na disputa territorial começou em 1900, quando o Pará e Mato Grosso assinaram um acordo para definir seus limites territoriais. A divisa seria uma linha reta, cujos marcos são a junção dos rios Javaés e Araguaia, de um lado, e a “Cachoeira das Sete Quedas”, no Rio Teles Pires, de outro.

Em 2004, Mato Grosso alegou que um dos marcos estaria equivocado. Segundo o Estado, quando houve a realização da cartografia oficial, em 1922, foi definido como referência o “Salto” e não a “Cachoeira” das Sete Quedas, situada 140 km rio acima. Isso teria suprimido 2,2 milhões de hectares de área mato-grossense.

O STF julgou o caso em 2020 e manteve o território para o Pará. A perícia concluiu que o marco definido na cartografia de 1922 é o mesmo do tratado, levando em consideração documentos da época, não alterando a linha divisória entre os Estados.

Papo Reto

Na semana passada, a Justiça do Pará extinguiu um processo movido pelo ex-deputado Wladimir Costa (foto) contra o comunicador Wesley Costa Jr. por falhas processuais. 

•A decisão foi da 10ª Vara Criminal de Belém, que decidiu que a ação apresentava irregularidades na documentação obrigatória, especialmente na procuração anexada à queixa-crime. 

Wlad foi intimado a corrigir o problema, mas não regularizou a situação dentro do prazo, e dessa maneira, a magistrada reconheceu a decadência do direito de queixa. 

•O processo foi extinto sem análise do mérito, ou seja, sem julgamento das acusações, sendo que o caso envolvia alegações de calúnia, difamação e ameaça de Wlad contra Wesley, de quem é tio legítimo.

A rede social mostrou domingo, 10, que o ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos e a esposa dele, deputada federal Alessandra Haber, assumiram a face bolsonarista. 

•Um vídeo que circula na internet mostra o casal chegando de mãos dadas ao som de “Acorda Brasil”. Na rede social, muitos eleitores disseram ter se sentido enganados por Daniel, que “era de esquerda”, mas mudou. 

O deputado Éder Mauro parece ser o novo responsável pela agenda do ex-prefeito. O que se fala também é que a sobrinha de Eder Mauro, Agatha Barra, seria a candidata a vice-prefeita na chapa de Daniel. 

•No dia 25 de maio próximo, o pré-candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, virá a Belém e será o momento de ver todos nesse palanque. 

Bastou a rede social cobrar explicações sobre o projeto de reforma da Praça Brasil, no qual, o que menos se, são árvores, a Prefeitura de Belém tratou de dizer que se tratava de mera peça ilustrativa. 

•Estranho. Quando uma maquete é apresentada, deve trazer a ideia de como o futuro empreendimento ficará. Mas a Prefeitura “mudou” esse conceito e o projeto para a praça, ninguém sabe, ninguém viu. 

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.