Pesquisa mostra que brasileiros já associam contrabando de cigarros a armas, drogas e violência; no Pará, rotas fluviais expõem fragilidade no combate à origem do esquema
ada vez menos o mercado ilegal de cigarros é visto como uma infração periférica. Para a maioria dos brasileiros, trata-se de uma engrenagem estratégica do crime organizado, conectada a outras frentes ilícitas que alimentam a violência urbana e rural.

Pesquisa do Instituto Locomotiva, encomendada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), mostra que 85% dos entrevistados acreditam que organizações criminosas que adulteram cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis atuam de forma integrada. Para 83%, as mesmas rotas do contrabando de cigarros são usadas também para o tráfico de armas e drogas. Nove em cada dez brasileiros afirmam que a venda ilegal de cigarros financia o crime organizado.
“A população já compreendeu algo fundamental: o mercado ilegal de cigarros não é um problema isolado. Ele faz parte da engrenagem do crime organizado e impacta diretamente a segurança das cidades”, resume Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
No Pará, essa percepção encontra respaldo nos fatos. O Estado integra algumas das principais rotas de tráfico e contrabando do País, combinando estradas precárias, extensas hidrovias e fiscalização intermitente. Trechos de rios antes associados apenas ao transporte de drogas passaram a ser utilizados também para o deslocamento de cigarros e bebidas adulteradas.
Uma das maiores apreensões de 2025 ocorreu no arquipélago do Marajó, na contra-costa de Soure. Em dois barcos, polícias Civil e Militar encontraram 790 caixas de cigarros importados de três marcas diferentes - cerca de 35 mil maços. Seis homens foram presos, um deles reincidente. A carga foi avaliada em mais de R$ 5 milhões.
O dado mais revelador veio depois: a Polícia Civil não conseguiu identificar a origem nem o destino final do carregamento. O resultado prático é um combate que atua no varejo do crime, mas não alcança sua logística nem seu financiamento.
A percepção social acompanha a dimensão econômica do problema. Dados do Instituto Ipec (2024) indicam que o mercado ilegal de cigarros já representa 32% de todo o volume comercializado no Brasil, movimentando cerca de R$ 8,8 bilhões por ano.
Desse total, 24% têm origem no contrabando - majoritariamente do Paraguai - e em fábricas clandestinas instaladas no próprio território nacional, que replicam o modelo do produto ilegal. Outros 8% correspondem à atuação de empresas classificadas como devedores contumazes: operam formalmente, mas deixam de recolher tributos de forma sistemática, praticando preços abaixo do mínimo legal e distorcendo a concorrência.
O prejuízo fiscal acompanha o avanço do crime. Apenas em 2024, a evasão de impostos no setor de cigarros foi estimada em R$ 7,2 bilhões. Recursos que deixam de financiar políticas públicas essenciais - como saúde, educação e segurança -, enquanto reforçam o caixa de organizações criminosas.
Para Edson Vismona, presidente do FNCP, os números reforçam que o tema ultrapassa qualquer debate setorial. “O combate ao mercado ilegal de cigarros vai muito além da economia. É uma agenda estratégica de segurança pública, que exige integração entre fiscalização, inteligência policial e políticas tributárias equilibradas”, afirma.
No Pará, o desafio é estrutural. A apreensão pontual não rompe a cadeia, e a incapacidade de rastrear origem e destino das cargas mantém o ciclo ativo. Enquanto isso, as mesmas rotas seguem disponíveis - por onde passam cigarros hoje, passam armas amanhã.
Quando o contrabando se infiltra na malha fluvial e rodoviária do Estado sem que o elo principal seja atingido, o problema deixa de ser apenas fiscal ou policial. Torna-se um risco permanente à segurança pública. E, nesse tabuleiro, o cigarro ilegal é só a face mais visível de um jogo muito maior.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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