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ELEIÇÕES 2026

Convite oficial vira peça política e expõe suposto racha no comando de Belém

Ausência do prefeito Igor Normando em material de inauguração e protagonismo de Cássio Andrade sugerem crise interna em ano eleitoral.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 13/01/26 09:00
Convite oficial vira peça política e expõe suposto racha no comando de Belém
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imagem fala mais do que o texto. No convite amplamente divulgado para a inauguração do Parque Olímpico Mangueirão, marcada para esta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o vice-prefeito de Belém, Cássio Andrade, aparece ladeado pelo governador Helder Barbalho, pela vice-governadora Hana Ghassan, candidata natural à sucessão estadual, e pelo deputado estadual Chicão Melo, presidente da Assembleia Legislativa do Pará e nome defendido por Helder para uma das vagas na disputa ao Senado. O detalhe político mais ruidoso, porém, está justamente em quem não aparece na foto: o prefeito de Belém, Igor Normando.

Sucessão de episódios políticos e administrativos leva à noção de que há algo errado no reino: prefeito e vice já não estariam se entendendo/Fotos: Divulgação.
Cássio Andrade, que alterna aparições públicas ora colado no governador e, ultimamente, ora colado na candidata à sucessão, está licenciado do cargo de vice-prefeito e responde pela secretaria de Esporte e Lazer do governo Helder. Em princípio, sua imagem em destaque no convite faz pleno sentido, mas a mesma observação não se encaixa em se tratando da ausência de Igor Normando, prefeito da capital eleito sob as bênçãos de Helder. 

Não se trata de um lapso gráfico ou de uma escolha estética inocente. Em ano eleitoral, imagem é mensagem. E, nesse caso, a mensagem é cristalina: Cássio Andrade se posiciona publicamente como parte do projeto político do Palácio dos Despachos, enquanto o prefeito da capital é simplesmente ignorado em um convite de um evento que acontece em Belém e envolve diretamente a gestão municipal.

Racha profundo

O gesto, ainda que silencioso, tem peso político e reforça informações de bastidores que apontam para um racha profundo e já irreversível entre prefeito e vice. O convite, assinado politicamente por Cássio Andrade, funciona como uma peça de pré-campanha cuidadosamente construída. Não apenas pela exposição ao lado do governador e de dois nomes centrais da estratégia eleitoral de Helder Barbalho para 2026, mas também pelo momento escolhido. Cássio Andrade está em pré-campanha para tentar uma vaga na Câmara Federal e parece já ter feito sua opção pelo distanciamento da gestão municipal e alinhamento direto com o grupo político que controla o Estado. 

Há quem diga, porém, que o vice-prefeito eleito e secretário de Estado mira a vaga de vice na chapa de Hana Ghassan - “forma mais prática de superar as limitações óbvias que a política lhe impõe” -, avalia um consultor político da coluna.

Sinal vermelho

A ausência de Igor Normando no material não é um fato isolado. Nas últimas semanas, o clima de ruptura já havia se tornado público durante o episódio em que o prefeito se licenciou para férias e, em vez de o vice assumir a Prefeitura de Belém, como manda o figurino institucional, quem ocupou o cargo interinamente foi o presidente da Câmara, o vereador John Wayne.

O detalhe que acendeu o sinal vermelho: Cássio Andrade também entrou em férias no mesmo período, alimentando a versão de que prefeito e vice não apenas estão desalinhados, como sequer mantêm diálogo sobre a sucessão administrativa da capital.

Esse episódio das férias simultâneas e a escolha de John Wayne como prefeito interino expuseram uma crise que vinha sendo abafada, mas que agora ganha contornos públicos e políticos difíceis de esconder.

Choque de governabilidade

Antes aliados na campanha, Igor Normando e Cássio Andrade hoje operam em campos distintos. Enquanto o prefeito tenta manter as rédeas da gestão municipal aos trancos e barrancos, o vice é visto com cada vez mais frequência em agendas ao lado do governador, distante de atos oficiais da prefeitura e visivelmente mais interessado na construção de um projeto eleitoral próprio do que na coesão do Executivo municipal.

Esse cenário levanta questionamentos sérios sobre a governabilidade de Belém. Um Executivo rachado, com prefeito e vice em rota de colisão, fragiliza decisões, confunde interlocutores e compromete a capacidade de articulação da gestão justamente em um momento em que a capital precisa de liderança clara e unidade administrativa. Mais do que um conflito pessoal, trata-se de um problema institucional.

No meio desse tabuleiro, a inauguração do Parque Olímpico Mangueirão acaba funcionando como pano de fundo para um jogo político maior. O evento celebra a entrega de um novo espaço que integra o Complexo Esportivo do Mangueirão e simboliza investimentos do governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Esportes e Lazer, em esporte, lazer e inclusão social.

Programado para 9h, com entrada pela Transmangueirão, o ato reúne autoridades estaduais e reforça a narrativa de obras e presença do governo no cotidiano da população. Mas, ao transformar o convite em vitrine política e excluir deliberadamente o prefeito da capital, o que deveria ser apenas uma inauguração institucional ganha contornos de palanque antecipado. E deixa claro que, em Belém, a campanha de 2026 de fato já começou, mesmo que às custas da harmonia administrativa e da liturgia, ou falta dela, dos cargos públicos.

Papo Reto

•Sobre a partida do próximo domingo entre Remo e Águia, pela Supercopa Grão-Pará, a diretoria azulina parece não ter feito muita questão de oferecer solução para sobre a falta de ingressos de sócio torcedor.

Em comunidade curto e grosso, a diretora explicou, pelas redes sociais, que o mando de campo pertence à FPF, comandada por Ricardo Gluck Paul (foto), e que, por isso, não pode conceder ingressos aos associados.

•O anúncio recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais, algumas estimulando um boicote da torcida à partida, marcada para 17h.

A Supercopa Grão-Pará é disputada desde 2024 entre o atual campeão paraense e o vencedor da edição anterior do torneio - nesse caso, o Águia de Marabá. 

•Logo no início do ano legislativo, o Senado tem como missão analisar o Plano Nacional de Educação, que organiza metas para todas as etapas de ensino. 

A presidente da Comissão de Educação, Teresa Leitão, já adiantou que o tema será prioridade no colegiado. 

•A Justiça dos EUA reconheceu a liquidação do Banco Master e determinou o bloqueio de seus ativos no País. 

A decisão do juiz Scott M. Grossman atende pedido da EFB Regimes Especiais, liquidante nomeada pelo Banco Central, e impede novas ações judiciais ou execuções contra bens da instituição nos EUA. 

•O deputado Marcos Pollon protocolou requerimento para criação de uma CPI destinada a investigar o Banco Master. Já há outros pedidos, mas todos com chance zero de emplacar.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.