Remoção sem corte em concurso no TJ escancara tensão interna na classe Ausência do prefeito de Belém na posse de Hana fala alto, mas, confirma suspeitas? Celso Sabino segura decisão na reta final da janela partidária
ENGENHARIA DO PAPEL

Cosanpa fecha acordo de quase R$ 8 milhões para reestruturação e gestão de riscos

Mesmo depois da concessão, ano passado, companhia de saneamento segue como bomba fiscal para o Estado.

  • 853 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/02/26 17:00
Cosanpa fecha acordo de quase R$ 8 milhões para reestruturação e gestão de riscos
P


ublicado no Diário Oficial desta sexta-feira, 6, o Contrato nº 68/2025, da Companhia de Saneamento do Pará, a Cosanpa, formaliza a contratação de uma consultoria privada no valor de R$ 7.790.929,78 para promover uma ampla reestruturação administrativa e operacional da estatal. O acordo tem vigência de um ano e prevê desde a elaboração de mapas estratégicos até apoio à área de saneamento rural e à estratégia de investimentos da companhia.

 

Contrato visa promover reestruturação administrativa e operacional da estatal que, parcialmente vendida, continua sendo um peso para o Tesouro/Fotos: Divulgação.

Assinado em 4 de fevereiro de 2026, o contrato foi firmado com a empresa Alvarez & Marsal Consultoria em Engenharia Ltda., especializada em reestruturação corporativa, e coloca no papel uma promessa recorrente na história recente da Cosanpa: melhorar a performance, racionalizar processos e organizar a gestão de riscos em áreas consideradas “chave”.

Na prática, o documento detalha um escopo amplo e genérico, que inclui planejamento estratégico, processos “eficientes”, identificação e priorização de riscos e apoio logístico - um pacote técnico robusto, mas de difícil mensuração objetiva de resultados, sobretudo em uma companhia que convive há décadas com problemas estruturais, baixa cobertura de saneamento e recorrentes queixas sobre a qualidade dos serviços.

O contrato é ordenado pelo presidente da Cosanpa, Dilson Júnior, o mesmo que assina, na mesma edição do Diário Oficial, termos aditivos e comunicados sobre licenças ambientais de sistemas de abastecimento no interior do Estado - contraste que expõe o descompasso entre o discurso de modernização administrativa e a realidade operacional da empresa.

Passivo não se dissolve

Mesmo após a concessão, Cosanpa segue como bomba fiscal para o Estado. A concessão dos serviços de água e esgoto, vendida como marco de modernização do saneamento, não resolveu - nem de longe - o problema central da Companhia; ao contrário: expôs de forma ainda mais crua um passivo financeiro, jurídico e administrativo que segue integralmente no colo do Estado.

Sem receita própria, esvaziada operacionalmente e cercada por dívidas milionárias, a Cosanpa tornou-se uma empresa pública sem função clara, sobrevivendo por transfusão direta do Tesouro estadual.

Sem descontaminação

Com a entrada da Águas do Pará, a Cosanpa perdeu a maior parte de sua arrecadação e da operação direta dos serviços. O contrato blindou a concessionária privada de qualquer herança tóxica: todos os passivos anteriores permanecem com a estatal.

O resultado é paradoxal. O Estado concedeu o serviço, recebeu recursos da outorga, mas manteve uma empresa inchada, endividada e judicialmente exposta - um corpo estranho que continua drenando recursos públicos.

Condenação milionária

A situação ganhou contornos ainda mais graves com a condenação judicial da Cosanpa ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos, além de multa diária, em razão de falhas históricas no abastecimento e na qualidade da água, especialmente no Complexo Bolonha, em Belém.

A decisão se refere a fatos anteriores à concessão. A Águas do Pará foi direta: não assume o prejuízo. Pela letra do contrato, a conta é exclusivamente do Estado.

Em efeito cascata

Os números internos ajudam a dimensionar o problema. A Cosanpa acumula débitos superiores a R$ 150 milhões com energia elétrica, cerca de R$ 18 milhões com serviços terceirizados - limpeza e vigilância - e dezenas de milhões em atrasos com fornecedores e obras.

Sem faturamento relevante e sem perspectiva de recuperação operacional, a companhia depende de aportes contínuos do governo para evitar colapso administrativo.

Internamente, o ambiente é descrito como de silêncio e paralisia. Há queixas sobre a falta de transparência na condução das dívidas, desgaste na relação com sindicatos e questionamentos sobre a atuação do setor jurídico da empresa - inclusive pela presença de gestores ligados ao próprio processo de concessão.

A sensação recorrente é a de que ninguém sabe exatamente qual é o plano para a Cosanpa - ou se ele existe.

A concessão rendeu ao Estado cifras expressivas, estimadas em R$ 840 milhões. O destino desses recursos, porém, nunca se traduziu em saneamento das contas da companhia que ficou para trás. Sem função, sem receita e sem horizonte, a Companhia segue como um passivo tóxico institucionalizado. A concessão avançou; o problema estrutural, não.

No português claro: no saneamento do Pará, a água mudou de mãos; a conta, não.

Papo Reto

A equipe da Corregedoria do TJ iniciou essa semana os trabalhos da Correição no Cartório Antônio Pereira (foto) em Bragança, nordeste do Pará.

•Como se sabe, a população está atenta às movimentações nas Serventias Extrajudiciais do município, em especial o Cartório dos Pereira.

Mas os comentários na cidade são de descrença nas ações da Corregedoria do TJ. A ansiedade bate pela expectativa da correição direta do Conselho Nacional de Justiça.

• O novo Marco Legal do Licenciamento Ambiental, em vigor desde o dia 4, trouxe alterações estruturais nos modelos de licenciamento, impactando os municípios que exercem competência administrativa ambiental, diz a Confederação Nacional dos Municípios.

A nova legislação, alerta a ANM, em seu Art. 17, fere a autonomia municipal ao dispor que "o licenciamento ambiental independe da emissão da certidão de uso, parcelamento e ocupação do solo urbano emitida pelos municípios".

•Significa que, para empreendimentos licenciados pelos Estados ou União, a opinião do município receptor dos impactos diretos da atividade poderá ser negligenciada.

Ou seja, o novo marco amplia hipóteses de simplificação, modalidades autodeclaratórias e prevê até a renovação automática para determinadas atividades, exigindo atenção redobrada dos entes locais quanto à aplicação dos novos instrumentos e à manutenção do controle ambiental.

•A CNM, então, passou a orientar os gestores municipais a promoverem a revisão de seus normativos, fluxos processuais, sistemas eletrônicos, rotinas de análise e estrutura de fiscalização, a fim de assegurar conformidade com essa nova legislação. 

A coluna antecipou: a operação Zona Cinzenta, da Polícia Federal, que investiga a aplicação da montanha de R$400 milhões da Previdência Social do Amapá em ativos podres do Master, inoculou uma baita crise extra para o Senado.

•Explica-se: o presidente do instituto é peça-chave na estrutura política do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre.


Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.