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"FAZENDO ÁGUA"

Cosanpa segue como passivo tóxico para o Estado mesmo depois da concessão

Sem receita própria, sufocada por dívidas e dependente do Tesouro, empresa entra em inanição no pós-concessão.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/02/26 08:10
Cosanpa segue como passivo tóxico para o Estado mesmo depois da concessão
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inda que não seja mais responsável pelo fornecimento de água em dezenas de municípios paraenses, a Cosanpa segue produzindo prejuízos - financeiros, políticos e administrativos - para o Estado do Pará. O mais recente deles veio com selo judicial: uma condenação de R$ 50 milhões por danos morais coletivos, decorrente da má qualidade da água e da intermitência no abastecimento em Belém, especialmente na área atendida pelo Complexo Bolonha.

Coronel Dílson Júnior herdou a direção da companhia depois do leilão na Bolsa, que reuniu mais lobistas que empresários/Fotos: Divulgação.
 A decisão, fruto de Ação Civil Pública movida pelas 1ª e 2ª Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor da capital, estabelece ainda multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 200 mil, em caso de descumprimento das obrigações impostas. Os valores serão destinados ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor e ao Fundo Estadual de Direitos Difusos.

Procurada pela coluna, a concessionária Águas do Pará foi direta: a decisão se refere exclusivamente à Cosanpa e a fatos ocorridos antes do início de sua operação. Tradução prática: o problema ficou com o Estado.

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Se Benjamin Button podia fantasiar a juventude como destino tardio, governos não têm esse privilégio: a política não permite o luxo de rejuvenescer depois de envelhecer.

O fantasma não se foi

A expectativa vendida ao público com a concessão dos serviços de saneamento era simples: a iniciativa privada assumiria o serviço, o Estado receberia uma bolada e a Cosanpa teria condições de reorganizar suas contas, pagar dívidas históricas e sair do modo crônico de emergência. Nada disso aconteceu.

Fontes internas descrevem o momento da companhia como um verdadeiro “inferno astral”. Apesar do pagamento bilionário feito pela empresa vencedora do leilão, a Cosanpa não viu - e não deve ver - a cor do dinheiro. O passivo ficou público; o ativo, etéreo.

Dívidas que paralisam

As dívidas da Cosanpa comprometem o funcionamento básico da empresa. Só com energia elétrica, o rombo ultrapassa R$ 150 milhões, envolvendo Equatorial, contratos no mercado livre de energia e a Crona Energia.

O buraco se estende a serviços essenciais: empresas terceirizadas de limpeza e segurança acumulam cerca de R$ 18 milhões a receber. Gerenciadoras de obras estimam créditos não pagos na casa dos R$ 50 milhões. A Servepred, responsável por serviços estruturantes, teria cerca de R$ 60 milhões a receber. Fornecedores de insumos para tratamento de água relatam atraso generalizado e insegurança total quanto a pagamentos.

Silêncio no comando

Sob nova “direção” - do coronel Dilson Júnior, ex-comandante da PM - e novas regras, a Cosanpa também mergulhou numa política de silêncio. Informações - ou a falta delas - estariam concentradas exclusivamente na presidência, que, segundo relatos, evita diálogo tanto com o Sindicato dos Urbanitários quanto com diretores da própria companhia (o presidente não foi localizado pela coluna para se manifestar sobre “a herança”).

Contudo, em reunião no dia 2 de dezembro de 2025, o presidente da Cosanpa comprometeu-se a realizar encontros quinzenais com o sindicato e apresentar um levantamento detalhado das dívidas. Janeiro terminou, fevereiro avança, e nenhuma nova reunião foi marcada.

 Jurídico sob suspeita

Causa estranheza, segundo fontes ouvidas pela coluna, a designação do procurador Gustavo Monteiro, pela Procuradoria-Geral do Estado, para responder pelo jurídico da companhia. Internamente, ele é apontado como alguém que teve participação direta no processo de venda dos serviços e na arquitetura financeira da concessão.

Há quem o descreva como “criador do caos para administrar o que não pode ser administrado”, numa estrutura em que o dinheiro da privatização não chegou à empresa que ficou com o passivo.

Dependência do Estado

Enquanto isso, a Águas do Pará iniciou de forma antecipada a operação definitiva em mais 34 municípios, passando a atender mais 1,2 milhão de paraenses, incluindo Belém e a Região Metropolitana. Resultado: a Cosanpa deixou de arrecadar e passou a depender exclusivamente do Tesouro estadual - inclusive para pagar a própria folha de pessoal.

A proposta de encontro de contas com a Equatorial, usando créditos de ICMS, foi descartada pela Secretaria da Fazenda. Sem plano, sem receita e sem diálogo, a empresa se afunda.

Pergunta não ofende

Entre funcionários e fornecedores, o sentimento é comum: a Cosanpa foi abandonada. A concessão seguiu, o discurso avançou, mas os problemas ficaram concentrados na empresa pública. E a pergunta que ecoa nos corredores - e fora deles - permanece sem resposta oficial: os R$ 840 milhões pagos pela Aegea foram parar onde?

Para a Cosanpa, certamente não foi.

Papo Reto

•Na madrugada de sábado, na saída de um conhecido bar nas imediações da Brás, Centro de Belém, um cacho de bêbados vomitou esta pérola: “Essa turma do Pernambuco não tem compromisso com Belém, com o Igor, com o MDB e muito menos com Helder e a Hana”.

O que se diz é que Délio Dalla, filho da vice-governador Hana Ghassan (foto), será candidato a deputado estadual pela Juventude do MDB, informação que vem provocando ruídos estrondosos no MDB.

•Falando nisso, a proibição de propaganda antecipada envolvendo o governador e seus candidatos ao governo e ao Senado - Hana Ghassan e Chicão Melo -, ficou no papel.

A caminho de Bragança, por exemplo, os outdoors afixados antes da virada do ano continuam no mesmo lugar. Quem cumpre a ordem?

•A Vigilância Sanitária confirmou três novos casos da doença da “Urina preta” em Itacoatiara, Amazonas; em Belém, peixes e mariscos sem inspeção sanitária seguem sendo vendidas.

A empresa de engenharia que reconstruiu o Estádio de Castanhal cometeu um erro técnico: locutores de rádio e Tv não têm visão da linha lateral à direita, do meio campo até a linha de fundo. 

•Jornalistas paraenses estão com muita bronca da assessoria de comunicação da UFPA. 

A universidade mantém um grupo de jornalistas no WhatsApp para comunicar assuntos de interesse, mas há uma semana, ao ser questionada, dizia que não havia previsão sobre o listão do PS 2026. 

•Enquanto a Uepa divulgou seu listão com antecedência, a Federal só avisou na manhã do mesmo dia da divulgação 30 que o resultado seria à tarde - e deu na correria esperada. 

O fato é que, desde segunda-feira, 26, a nota de divulgação do listão da UFPA já estava no site da entidade, mas escondida. Ou a assessoria não se entende, ou esconde informação um dos outros.  

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.