Sem receita própria, sufocada por dívidas e dependente do Tesouro, empresa entra em inanição no pós-concessão.
inda que não seja mais responsável pelo fornecimento de água em dezenas de municípios paraenses, a Cosanpa segue produzindo prejuízos - financeiros, políticos e administrativos - para o Estado do Pará. O mais recente deles veio com selo judicial: uma condenação de R$ 50 milhões por danos morais coletivos, decorrente da má qualidade da água e da intermitência no abastecimento em Belém, especialmente na área atendida pelo Complexo Bolonha.

Procurada pela coluna, a concessionária Águas do Pará foi direta: a decisão se refere exclusivamente à Cosanpa e a fatos ocorridos antes do início de sua operação. Tradução prática: o problema ficou com o Estado.
Se Benjamin Button podia fantasiar a juventude como destino tardio, governos não têm esse privilégio: a política não permite o luxo de rejuvenescer depois de envelhecer.
A expectativa vendida ao público com a concessão dos serviços de saneamento era simples: a iniciativa privada assumiria o serviço, o Estado receberia uma bolada e a Cosanpa teria condições de reorganizar suas contas, pagar dívidas históricas e sair do modo crônico de emergência. Nada disso aconteceu.
Fontes internas descrevem o momento da companhia como um verdadeiro “inferno astral”. Apesar do pagamento bilionário feito pela empresa vencedora do leilão, a Cosanpa não viu - e não deve ver - a cor do dinheiro. O passivo ficou público; o ativo, etéreo.
As dívidas da Cosanpa comprometem o funcionamento básico da empresa. Só com energia elétrica, o rombo ultrapassa R$ 150 milhões, envolvendo Equatorial, contratos no mercado livre de energia e a Crona Energia.
O buraco se estende a serviços essenciais: empresas terceirizadas de limpeza e segurança acumulam cerca de R$ 18 milhões a receber. Gerenciadoras de obras estimam créditos não pagos na casa dos R$ 50 milhões. A Servepred, responsável por serviços estruturantes, teria cerca de R$ 60 milhões a receber. Fornecedores de insumos para tratamento de água relatam atraso generalizado e insegurança total quanto a pagamentos.
Sob nova “direção” - do coronel Dilson Júnior, ex-comandante da PM - e novas regras, a Cosanpa também mergulhou numa política de silêncio. Informações - ou a falta delas - estariam concentradas exclusivamente na presidência, que, segundo relatos, evita diálogo tanto com o Sindicato dos Urbanitários quanto com diretores da própria companhia (o presidente não foi localizado pela coluna para se manifestar sobre “a herança”).
Contudo, em reunião no dia 2 de dezembro de 2025, o presidente da Cosanpa comprometeu-se a realizar encontros quinzenais com o sindicato e apresentar um levantamento detalhado das dívidas. Janeiro terminou, fevereiro avança, e nenhuma nova reunião foi marcada.
Causa estranheza, segundo fontes ouvidas pela coluna, a designação do procurador Gustavo Monteiro, pela Procuradoria-Geral do Estado, para responder pelo jurídico da companhia. Internamente, ele é apontado como alguém que teve participação direta no processo de venda dos serviços e na arquitetura financeira da concessão.
Há quem o descreva como “criador do caos para administrar o que não pode ser administrado”, numa estrutura em que o dinheiro da privatização não chegou à empresa que ficou com o passivo.
Enquanto isso, a Águas do Pará iniciou de forma antecipada a operação definitiva em mais 34 municípios, passando a atender mais 1,2 milhão de paraenses, incluindo Belém e a Região Metropolitana. Resultado: a Cosanpa deixou de arrecadar e passou a depender exclusivamente do Tesouro estadual - inclusive para pagar a própria folha de pessoal.
A proposta de encontro de contas com a Equatorial, usando créditos de ICMS, foi descartada pela Secretaria da Fazenda. Sem plano, sem receita e sem diálogo, a empresa se afunda.
Entre funcionários e fornecedores, o sentimento é comum: a Cosanpa foi abandonada. A concessão seguiu, o discurso avançou, mas os problemas ficaram concentrados na empresa pública. E a pergunta que ecoa nos corredores - e fora deles - permanece sem resposta oficial: os R$ 840 milhões pagos pela Aegea foram parar onde?
Para a Cosanpa, certamente não foi.

•Na madrugada de sábado, na saída de um conhecido bar nas imediações da Brás, Centro de Belém, um cacho de bêbados vomitou esta pérola: “Essa turma do Pernambuco não tem compromisso com Belém, com o Igor, com o MDB e muito menos com Helder e a Hana”.
•O que se diz é que Délio Dalla, filho da vice-governador Hana Ghassan (foto), será candidato a deputado estadual pela Juventude do MDB, informação que vem provocando ruídos estrondosos no MDB.
•Falando nisso, a proibição de propaganda antecipada envolvendo o governador e seus candidatos ao governo e ao Senado - Hana Ghassan e Chicão Melo -, ficou no papel.
•A caminho de Bragança, por exemplo, os outdoors afixados antes da virada do ano continuam no mesmo lugar. Quem cumpre a ordem?
•A Vigilância Sanitária confirmou três novos casos da doença da “Urina preta” em Itacoatiara, Amazonas; em Belém, peixes e mariscos sem inspeção sanitária seguem sendo vendidas.
•A empresa de engenharia que reconstruiu o Estádio de Castanhal cometeu um erro técnico: locutores de rádio e Tv não têm visão da linha lateral à direita, do meio campo até a linha de fundo.
•Jornalistas paraenses estão com muita bronca da assessoria de comunicação da UFPA.
•A universidade mantém um grupo de jornalistas no WhatsApp para comunicar assuntos de interesse, mas há uma semana, ao ser questionada, dizia que não havia previsão sobre o listão do PS 2026.
•Enquanto a Uepa divulgou seu listão com antecedência, a Federal só avisou na manhã do mesmo dia da divulgação 30 que o resultado seria à tarde - e deu na correria esperada.
•O fato é que, desde segunda-feira, 26, a nota de divulgação do listão da UFPA já estava no site da entidade, mas escondida. Ou a assessoria não se entende, ou esconde informação um dos outros.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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