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BOAS FESTAS

Crédito e compras elevam os riscos de inadimplência para início do Ano Novo

Consumidores priorizam gastos sazonais e empresas são pressionadas por juros altos; uso da IA na recuperação de crédito.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/12/25 11:00
Crédito e compras elevam os riscos de inadimplência para início do Ano Novo
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om o consumo de fim de ano impulsionando compras e reduzindo a prioridade para o pagamento de dívidas, o Brasil se aproxima de 2026 sob um risco maior de inadimplência. Mesmo com renda extra e benefícios sazonais, o brasileiro tem o costume de gastar em presentes, viagens e celebrações em vez de quitar pendências acumuladas ao longo do ano.

Crédito caro e alto comprometimento de renda devem resultar em uma elevação da inadimplência nos primeiros meses de 2026/Fotos: Divulgação.
Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box revela que 84% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros, especialmente no fim do ano, quando despesas extras como presentes e viagens se acumulam. O comportamento agrava um cenário já pressionado por juros elevados, que encarecem o crédito ao consumidor e elevam o custo do capital de giro para empresas de todos os portes.

Soma perigosa

A combinação de crédito caro, alto comprometimento de renda e pouca reorganização financeira no fim do ano deve resultar em uma elevação da inadimplência nos primeiros meses de 2026. Para as companhias, o efeito é direto: fluxo de caixa mais apertado, aumento do risco de não pagamento e a necessidade de reforçar estratégias de negociação para evitar perdas.

Thiago Oliveira, especialista ouvido pela coluna sobre o assunto, explica que “quando o consumidor deixa de usar o décimo terceiro e a renda extra para reorganizar suas pendências e prioriza o consumo, ele entra no ano seguinte mais vulnerável. E para as empresas, isso significa um janeiro e fevereiro mais duros, com maior risco de não pagamento.”

Para o economista, a postura das empresas na relação com o devedor precisa mudar, especialmente no período de maior pressão nos orçamentos familiares. “Negociar é fundamental. Atraso não significa perda definitiva, principalmente quando a empresa aborda o cliente no momento certo, com condições adequadas e comunicação personalizada. Quem espera demais para cobrar paga um preço alto em inadimplência e fluxo de caixa travado”, pondera Oliveira.

Ajuda inteligente

A tecnologia, nesse contexto, tem assumido protagonismo na recuperação de crédito. Empresas têm apostado, cada vez mais, no uso da Inteligência Artificial (IA) para analisar dados e examinar comportamentos e linguagem natural para negociar de forma individualizada. Somente em 2025, a procura pela solução cresceu 328%, puxada principalmente por varejistas que esperam um início de ano mais crítico.

É o que faz, por exemplo, a Monest, empresa de recuperação de ativos através da cobrança de débitos por uma agente virtual chamada Mia, conectada por inteligência artificial. Focada em alta performance e transparência, a empresa possui um sistema digital e inteligente que testa, aprende, entende e melhora as estratégias digitais de abordagem para com os devedores, além de possibilitar que as empresas acompanhem em tempo real o desempenho da recuperação dessas dívidas.

O agente virtual utiliza o WhatsApp para se comunicar com cada devedor da melhor forma, além de personalizar a comunicação conforme o negócio, aumentando a possibilidade de um devedor voltar a ser cliente. O problema, no entanto, está quando a pessoa não possui qualquer interesse em negociar. Nesse caso, o contato é bloqueado e a dívida acaba caminhando para a esfera judicial por gravidade.

Tendência global

O movimento acompanha uma tendência global de consolidação da IA como motor de eficiência operacional. A Unctad, órgão das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, estima que o mercado de inteligência artificial deve atingir US$ 4,8 trilhões até 2033, deixando definitivamente a fase de hype, que é a fase de euforia sobre determinado assunto.

Pesquisas recentes reforçam esse avanço: 39% dos executivos já lançaram mais de 10 agentes de IA em suas empresas, segundo o Google, enquanto dados do BCG - Boston Consulting Group -, mostram que as companhias líderes reservam até 15% de seus orçamentos de IA especificamente para agentes, indicando que a tecnologia entrou em fase de escala real.

Para Oliveira, o uso de agentes inteligentes está se tornando determinante para mitigar perdas e acelerar recuperação, especialmente em ciclos de crédito mais restritivos. “O futuro da cobrança não é insistência, é personalização. Soluções como a Mia conseguem entender padrões, horários e preferências do consumidor e adaptar a negociação com base em dados preditivos. Para as empresas, isso reduz custos, amplia alcance e aumenta substancialmente a taxa de recuperação”, afirma.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.