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ELEIÇÕES 2026

Curtidas antes do voto: pré-campanha paga já corre nos quatro cantos do Pará

Com muito dinheiro e algoritmos, candidatos antecipam a disputa eleitoral nas redes sociais.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 10/02/26 11:00
Curtidas antes do voto: pré-campanha paga já corre nos quatro cantos do Pará
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corrida eleitoral de 2026 no Pará já começou - e longe dos palanques tradicionais. Nos últimos meses, pré-candidatos intensificaram o investimento em impulsionamento pago nas redes sociais, apostando na visibilidade digital como ferramenta central de construção política. Levantamento exclusivo da Agência Optimidia, com base em dados oficiais da Meta, mostra que apenas 15 políticos concentraram cerca de R$ 242 mil em anúncios pagos nos últimos 90 dias.


Dados do Facebook mostram quem gasta e onde o dinheiro está sendo aplicado/Fotos: Divulgação


O período analisado vai de 7 de novembro de 2025 a 4 de fevereiro de 2026, com dados extraídos da Biblioteca de Anúncios do Facebook. O recorte revela não apenas quem gasta mais, mas também onde e por que esse dinheiro está sendo aplicado.

Quem investe mais

O ex-ministro do Turismo Celso Sabino lidera o ranking, com R$ 44.039 investidos em impulsionamento no período. Em seguida aparecem Sipriano Ferraz (R$ 39.631) e Júnior Ferrari (R$ 38.718). O ministro das Cidades, Jader Filho, ocupa a quarta posição, com R$ 31.980 em anúncios pagos. O governador Helder Barbalho e a vice, Hana Ghassan, ocupam a nona e décima posição no ranking de gastos.

A lista reúne nomes com mandato e pré-candidatos ainda em fase de consolidação, indicando que o impulsionamento virou prática transversal, independentemente do tamanho do capital político inicial.

Estratégia regional

A análise regional ajuda a explicar o volume e o foco dos investimentos. Pré-candidatos com base eleitoral concentrada na Região Metropolitana de Belém apostam em anúncios de alta frequência, voltados à consolidação de imagem e presença contínua. Já aqueles com atuação no interior utilizam o impulsionamento para romper barreiras geográficas e ampliar alcance em municípios onde a presença física é limitada.

No Pará, onde distâncias e logística sempre foram obstáculos à comunicação política tradicional, o meio digital se tornou atalho estratégico. Com poucos cliques, mensagens chegam simultaneamente a cidades do nordeste, sudeste e oeste do Estado, algo impensável em campanhas convencionais.

Laboratório eleitoral

Para especialistas, o impulsionamento pago deixou de ser apenas divulgação e passou a funcionar como laboratório eleitoral. Testam-se discursos, temas sensíveis, linguagem visual e até reações do eleitorado regionalizado.

“As redes sociais são hoje o principal meio de comunicação com o eleitor. Investir de forma transparente e dentro das regras demonstra profissionalização da comunicação política”, avalia o publicitário e estrategista Diego Pereira.

O que diz a legislação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite o impulsionamento pago na pré-campanha, desde que contratado diretamente pelo partido ou pré-candidato junto aos provedores de aplicação. O conteúdo não pode conter pedido explícito de voto e os gastos devem ser moderados, proporcionais e transparentes.

O descumprimento dessas regras pode resultar em multas e até inelegibilidade, o que tem levado equipes a agir com cautela jurídica redobrada.

Transparência em foco

Todos os dados utilizados no levantamento são públicos e podem ser consultados na Biblioteca de Anúncios da Meta, ferramenta que permite acompanhar valores, conteúdos e responsáveis pelos anúncios políticos.

Essa transparência impõe limites, mas também escancara a desigualdade de fôlego financeiro entre os pré-candidatos - um fator que tende a pesar cada vez mais na disputa.

A largada invisível

Mesmo fora do calendário oficial, a pré-campanha já está em plena execução no ambiente digital. O impulsionamento virou vitrine de ambições, termômetro de força e ensaio geral para 2026.

No Pará, onde território é desafio e visibilidade é poder, quem aparece antes tende a largar na frente - ainda que a corrida, oficialmente, nem tenha começado.


Papo Reto

O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (foto), oficializou o cancelamento de 76.665 licenças de pescadores profissionais de todo o Brasil. 

•Publicada no Diário Oficial da União de ontem - segunda-feira -, a punição atinge parte dos 167.445 registros suspensos entre o fim de setembro e dezembro do ano passado.

•  Em edital, governo diz que vai combater o desmatamento na Amazônia com a dinheirama de R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia; promessa é ajudar cerca de 7,3 mil famílias.

• Entidades que desejarem participar do projeto devem se credenciar na Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural.

•  E o etanol, hein? Além de ter ficado mais caro nos postos do País, o biocombustível deixou de ser vantajoso financeiramente até em Mato Grosso do Sul, o único Estado onde ainda compensava abastecer com álcool em vez de gasolina.

•Limada das exportações de petróleo da Venezuela e México, também espremida pelos EUA, Cuba enfrenta a sua maior crise energética em décadas, o que põe em xeque o regime comunista estabelecido por Fidel em 1959.

Aliás, Havana acaba de lançar várias medidas desesperadas para economia de combustíveis e energia tal e qual no quase colapso do país nos anos 1990. 

•Acredite, apesar da queda de 16% nas refinarias, o preço médio nacional da gasolina saltou de R$ de R$ 4,98 para R$ 6,33 em três anos. Quem está embolsando toda essa montanha de dinheiro?

O PL acionou o STF contra a lei de taxação dos super-ricos, usada para compensar a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais. 

•O presidente Lula voltou a afirmar que considera legítima a discussão sobre a adoção de mandatos para ministros do STF, tema que, segundo ele, deve ser debatido pelo Congresso. 

O ministro Flávio Dino determinou a revisão nacional de gratificações pagas acima do teto e citou benefícios como "auxílio-peru" e "auxílio-panetone" ao criticar penduricalhos sem base legal. 

•Auxílios como "peru", "panetone", licenças indenizadas e gratificações por acúmulo de funções foram citados por Flávio Dino como penduricalhos no serviço público.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.