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Disparada na venda de carros elétricos é novo desafio para condomínios no País

Expansão da frota coloca em pauta a capacidade elétrica dos edifícios; no Pará, falta de acordo entre moradores segue como maior entrave

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 27/10/26 12:00
Disparada na venda de carros elétricos é novo desafio para condomínios no País
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crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos plug-in no Brasil está levando condomínios residenciais a discutir como receber pontos de recarga nas garagens. Em setembro de 2026, foram emplacados 42.448 veículos leves com possibilidade de recarga externa, um aumento de 159,4% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico.

 

Em setembro de 2026, foram emplacados 42.448 veículos de recarga externa, aumento de 159,4% em relação ao mesmo mês de 2025/Foto: Divulgação.

A expansão dessa frota coloca em pauta a capacidade elétrica dos edifícios, a segurança das instalações e as regras para utilização dos equipamentos.

Resistência em cadeia

No Pará, a falta de consenso em condomínios sobre carros elétricos começa a mudar com a Portaria nº 273 do Corpo de Bombeiros Militar do Pará, publicada em agosto de 2026. A norma define diretrizes de segurança para os Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (Save), com exigências elétricas que passam a valer em 7 de fevereiro de 2027.

Com as novas diretrizes, a resistência que tem causado conflitos em diversos condomínios no Estado tende a diminuir. A portaria dos Bombeiros estabelece um período de transição de 180 dias, exigindo que as regras de segurança elétrica entrem em vigor em fevereiro de 2027, enquanto outras adaptações estruturais têm prazos maiores, podendo chegar a até 2030.

Prédios antigos e novos precisam verificar a capacidade do painel elétrico geral, demandando laudos técnicos e projetos de engenharia para evitar sobrecargas e perda do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. A instalação individual ou coletiva, no entanto, depende de regras claras aprovadas em assembleia e do respeito às normas técnicas, evitando que o seguro do condomínio seja prejudicado por ligações irregulares.

Regras indefinidas

A discussão no edifício pode começar com a solicitação de um morador para instalar um carregador em sua vaga. Antes de autorizar o serviço, é necessário verificar a capacidade elétrica disponível, as condições dos quadros e circuitos e o percurso dos cabos até o ponto de recarga.

A avaliação também precisa considerar a possibilidade de vários veículos carregarem simultaneamente, enquanto elevadores, bombas e outros equipamentos continuam em operação. Em uma orientação sobre o tema, a Companhia Paranaense de Energia afirma que edifícios podem receber essa infraestrutura mediante análises de carga e atendimento às normas técnicas específicas.

A administração condominial também tem decisões a tomar. É preciso estabelecer como os pedidos serão apresentados, quais documentos técnicos deverão acompanhar cada solicitação, quem custeará a instalação e quem responderá pela manutenção. A medição da energia consumida e a forma de cobrança precisam ser definidas conforme a solução adotada.

Se houver uma estação compartilhada, entram na discussão critérios de agendamento, tempo de permanência e liberação da vaga após a recarga. Essas regras devem respeitar a legislação aplicável, a convenção do condomínio e as condições técnicas da edificação, permitindo que novas solicitações sejam analisadas com critérios previamente estabelecidos.

Segurança em debate

A segurança das garagens integra essa análise. Em agosto de 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou a Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos.

O documento apresenta parâmetros de referência para prevenção de incêndios e controle de riscos em estacionamentos e áreas de recarga. Sua aplicação deve observar as regulamentações adotadas em cada estado, sem substituir a análise técnica do projeto ou funcionar como autorização automática para a instalação de carregadores.

Crescimento desenfreado

Do total de veículos registrados em setembro, 22.246 eram totalmente elétricos e 20.202 eram híbridos plug-in, que combinam motor a combustão e bateria recarregável na rede elétrica. O volume de modelos com recarga externa caiu 11% em comparação com agosto, quando foram emplacadas 47.701 unidades, mas permaneceu muito acima do registrado um ano antes.

As estatísticas não mostram quantos proprietários vivem em condomínios, embora indiquem o crescimento das vendas de veículos que podem receber energia diretamente da rede elétrica. Ainda assim, as iniciativas para atender uma demanda que não para de crescer já pauta futuros empreendimentos e coloca os antigos como desafio para quem atua no setor.

Papo Reto

•Nos bastidores, Hana Ghassan (foto) estaria pressionando Helder Barbalho por um lugar ao sol na máquina federal. A volta à Secretaria da Fazenda, de onde saiu aposentada com contracheque de R$ 90 mil, não parece estar nos planos. 

•Auxiliares falam em ministério, mas a fila é grande - e o Pará já tem representantes bem posicionados. A chance, por ora, parece remota.

•Um deputado estadual reeleito estaria se movimentando para acertar a vida com o governador eleito, Daniel Santos. Quer preservar contratos e influência na máquina estadual. 

•Pelo visto, a troca de governo preocupa menos pelo que muda na política do que pelo que pode mudar nos negócios.

•O governo estadual aperta o calendário: empenhos somente até 6 de novembro; pagamentos, até 18 de dezembro. 

•Começa a corrida para fechar as contas de 2026 e saber o que sobrará no caixa para o novo inquilino do Palácio dos Despachos. A herança não se mede apenas pelos discursos de despedida.

•O Pará inicia hoje o pagamento de outubro pelos inativos militares, pensionistas e inativos civis. O calendário termina quinta-feira, 29, com os servidores da Seduc. 

• Lula vence no Pará com 55%: o presidente reeleito recebeu 2,69 milhões de votos no estado, contra 2,19 milhões de Flávio Bolsonaro. A abstenção paraense chegou a 20,32%. 

•Os índices de repartição do ICMS para 2027 foram publicados: 76 municípios paraenses terão participação maior, enquanto 68 perderão espaço na divisão da receita.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.