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Agrado de risco

Em ano eleitoral, municípios oferecem canetas emagrecedoras como capital político

Especialistas alertam que, sem planejamento técnico, medida pode representar riscos reais à saúde dos pacientes

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 22/03/26 11:00
Em ano eleitoral, municípios oferecem canetas emagrecedoras como capital político
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overnos locais de diferentes regiões do país começaram a lançar ou estudar programas para oferecer canetas emagrecedoras na rede pública de saúde. Mais de dez municípios já discutiram publicamente a adoção desses medicamentos sob o guarda-chuva de programas que têm tudo para ganhar contornos políticos ao ser utilizado como estratégia para ampliar apoios em ano eleitoral.

No Pará, Sespa afirma que municípios têm autonomia para oferecer canetas, desde que respeitado critérios técnicos/Foto: Divulgação
Consultada pela Coluna Olavo Dutra sobre esse tipo de plano, a Secretaria de Estado de Saúde, Sespa, informou que desconhece planejamento semelhante em cidades do território paraense, mas reiterou que as prefeituras possuem autonomia para inserir as canetas no sistema local, se assim o desejarem.

“A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informa que os municípios possuem autonomia para organizar suas próprias Relações Municipais de Medicamentos Essenciais (Remume), podendo incluir medicamentos complementares em suas redes de assistência, conforme decisão local e respaldo técnico”, informou a Sespa em nota.

Resistência técnica

Mesmo com o consentimento da Sespa, os municípios que optarem por esse tipo de programa enfrentarão resistência em âmbito federal. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) já recomendou, explicitamente, a não inclusão dessas terapias de forma nacional no Sistema Único de Saúde, sobretudo pelo ao alto custo dos medicamentos.

Já para os especialistas, iniciar esse tipo de tratamento sem planejamento técnico e garantia de continuidade é jogar dinheiro fora e ainda oferecer graves riscos à saúde dos pacientes.

“É um risco concreto e já aconteceu coisa semelhante no passado. É o que acontece quando decisões eleitoreiras se sobrepõem aos critérios técnicos. Muitas decisões são tomadas sem critério técnico e, às vezes, at’é mesmo sem critério legal. É o que chamamos de judicialização da saúde”, afirma o médico sanitarista Walter Cintra Ferreira Junior.

Realidade que preocupa

Brasil a fora, ao menos dois municípios já iniciaram programas de fornecimento de canetas. Em Sorocaba, interior de São Paulo, a Prefeitura executa o programa "Emagrecer Certo", financiado com recursos de emenda parlamentar municipal e com duração de três meses.

O outro exemplo vem de Urupês, também em São Paulo, mas este gera preocupação. A Prefeitura utiliza uma versão manipulada da tirzepatida - princípio ativo do Mounjaro - para tratar pacientes na rede pública. A medida gerou reação da Eli Lilly, fabricante do medicamento, afirmando que o Mounjaro é o único medicamento a base de tirzepatida aprovado pela Anvisa no Brasil.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes anunciou, durante a campanha, a oferta de medicamentos da classe do GLP-1 na rede municipal, mas o projeto esbarrou na definição de protocolos clínicos e da avaliação do impacto orçamentário.

Fora do recorte municipal, o Distrito Federal também tirou projeto semelhante do papel. A rede pública local utiliza a liraglutida (Saxenda) para tratamento da obesidade.

De acordo com o Ministério da Saúde, o impacto financeiro para inserir a liraglutida e a semaglutida na rede pública nacional geraria um impacto superior a R$ 8 bilhões por ano. 

Eficácia comprovada

Os medicamentos na mira das prefeituras pertencem à classe dos chamados agonistas do GLP-1, um tipo de substância que imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino.

Eles incluem princípios ativos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Inicialmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, esses remédios ajudam a controlar a glicose no sangue e a aumentar a sensação de saciedade, reduzindo o apetite.

Com o tempo, estudos passaram a demonstrar também uma perda significativa de peso em pacientes com obesidade, o que levou à ampliação do uso dessas terapias para o tratamento da doença.  

Papo Reto

•A Federação das Unimeds da Amazônia, que carrega a notoriedade na sigla Fama, parece um caso médico inexplicável - aqueles que vez por outra aparecem no noticiário.

Desde que explodiram os primeiros escândalos, atribuídos na gestão de um certo senhor feudal, a única coisa que mudou na Federação foi o valor da dívida, hoje avaliada em cerca de R$ 300 milhões.

•Na ponta do lápis, este é o valor que importa na “vaquinha” que os associados da cooperativa terão que fazer para bancar o rombo, segundo os diagnósticos mais otimistas.

Em tempo: o dito senhor feudal atende pelo nome de Wilson Newa (foto), que fez que saiu - do comando da cooperativa em Belém -, mas ficou lá mesmo, cumprindo um plano de precisão oriental.

•Enquanto Igor, o prefeito, e Renan, o vereador, derrapam ladeira abaixo na seara política, o irmão mais novo da família Normando, Marco, parece em alta.

Depois da brasileira Alice Carvalho, de “O Agente Secreto”, ter usado um modelo da marca autoral Normando - Emídio Contente e Marco -, na entrega do Globo de Ouro, em janeiro, a atriz usou novamente a marca na festa do Oscar, no último dia 15

•O vestido, de gala, é um modelo que combinou fibras de malva e juta e técnicas tradicionais da alfaiataria. As fibras saíram diretamente da Castanhal Fibras Naturais da Amazônia, localizada no município vizinho.

•As fibras são 100% biodegradáveis. Quanto ao vestido, foi finalizado à mão, embora a marca seja originária de São Paulo. Parece provado que Marco costura melhor que Igor e Renan.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.