Remoção sem corte em concurso no TJ escancara tensão interna na classe Ausência do prefeito de Belém na posse de Hana fala alto, mas, confirma suspeitas? Celso Sabino segura decisão na reta final da janela partidária
CRIME E CASTIGO

Empresa condenada pela Justiça segue fechada no Pará, e a cidade paga a conta

Indústria de dendê em Bonito segue com atividades suspensas após a condenação milionária; silêncio sobre cumprimento da pena agrava impacto social e econômico.

  • 1014 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/02/26 08:00
Empresa condenada pela Justiça segue fechada no Pará, e a cidade paga a conta
A


Mejer Agroflorestal Ltda., uma das maiores empresas do setor de palma do País e principal motor econômico de Bonito, no nordeste do Pará, vive um paradoxo que expõe a fragilidade entre decisão judicial e efeito concreto. Condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) ao pagamento de R$ 4 milhões por assédio eleitoral nas eleições de 2022, a empresa segue com a extratora parada, frutos se perdendo no pátio e trabalhadores à espera de uma definição.

 

Multada em R$ 4 milhões por assédio eleitoral em 2022, empresa empregava quase 2 mil funcionários da região, que seguem à espera de definição/Fotos: Divulgação.

A condenação foi confirmada em 2025 pela Sexta Turma do TST, que restabeleceu decisão da Vara do Trabalho de Capanema. Ficou reconhecido que funcionários foram induzidos a votar em Jair Bolsonaro, sob ameaça de desemprego, em mensagens enviadas por uma coordenadora de recursos humanos em grupo oficial de WhatsApp.

Não se discute o mérito. Houve condenação. Errou, paga - e a Justiça cumpriu seu papel ao punir. O problema começa depois.

Efeito colateral

Até agora, não há informação pública sobre o cumprimento da pena, pagamento ou execução da indenização por dano moral coletivo. O que se sabe, com clareza, é que a empresa está paralisada e o município sente os efeitos.

Bonito tem pouco mais de 16 mil habitantes e extrema dependência das atividades da empresa. A Mejer empregava cerca de 1,8 mil pessoas, direta e indiretamente, e sempre exerceu forte influência econômica e social na região. Com a indústria parada, cresce a apreensão: parte do grupo empresarial discute o fechamento; outra defende a retomada das atividades.

Enquanto isso, a conta não chega aos controladores, mas à população local: menos empregos, menos renda, menos arrecadação. A sanção que deveria ter caráter pedagógico acaba produzindo um dano colateral que atinge quem não participou do ilícito.

Insegurança jurídica

O caso ilustra, com clareza, uma das queixas recorrentes da indústria nacional e de investidores: a insegurança jurídica, especialmente na Amazônia. Não pela punição - necessária e correta -, mas pela falta de desfecho prático que permita a continuidade da atividade econômica sob fiscalização.

O bom senso sugere uma saída elementar: paga-se o que é devido, corrige-se o erro, religa-se a máquina. Se reincidir, pune-se novamente. O que não parece razoável é sepultar um negócio inteiro e deixar uma cidade à deriva.

No caso, a Justiça condenou. A empresa parou. Bonito, até agora, segue esperando.

Papo Reto

Quarenta e seis anos depois, em 2026, o Consepe da UFPA aprovou, por unanimidade, a concessão do diploma de graduação post mortem a Cezar Morais Leite (foto), estudante do curso de Matemática assassinado dentro de uma sala no campus básico daquela universidade em 10 de março de 1980, aos 19 anos. 

•Era o final da ditadura militar de mais de 20 anos no Brasil, e um agente da repressão, infiltrado na UFPA, acabou disparando contra o rapaz. 

A diplomação simbólica não corresponde à outorga de grau acadêmico, mas a ato honorífico e memorial.  

•Na quinta-feira, 5, o governo federal concluiu uma história de mais de 64 anos, um dos mais longos e conhecidos conflitos agrários do Brasil, imortalizado no documentário “Cabra Marcado Para Morrer”, de Eduardo Coutinho. 

Uma história que atravessou a ditadura militar e encontra Elizabeth Teixeira que, aos 101 anos, deu nome ao assentamento pelo qual a família dela tanto lutou e agora foi legalizado. 

•O documentário, que mostra a luta da família, o assassinato do patriarca João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas no interior da Paraíba, foi censurado e só chegou a público muitos anos depois. 

À época, em 1963, integrantes da equipe de filmagem foram presos e o equipamento, confiscado. Elizabeth continuou a luta do marido, mas teve que se esconder em outro Estado.

•Na década de 1980, Coutinho foi em busca de Elizabeth e sua família e finalizou o filme, premiado mundialmente.  

A OAB Nacional enviou ao STF um documento com diretrizes para orientar a elaboração de um Código de Ética para ministros da Corte. 

•A proposta, assinada pelo presidente nacional da Ordem, Beto Simonetti, defende transparência, responsabilidade institucional e preservação das garantias constitucionais e das prerrogativas da advocacia.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.