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Entre lapsos, Lula repete roteiro que, em outro cenário, custou caro a Biden

Erros em falas públicas do presidente acendem comparações à capacidade de liderança em momentos decisivos, como os EUA.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 29/03/26 17:00
Entre lapsos, Lula repete roteiro que, em outro cenário, custou caro a Biden
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s recentes lapsos verbais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrados por diferentes veículos da imprensa nacional, despertaram nos bastidores um debate delicado, inevitável, no campo político, sobre até que ponto falhas de memória e trocas de nomes podem ultrapassar o campo do folclore e se tornar um problema de viabilidade eleitoral.

 

Falhas de memória e troca de nomes saem do campo do folclore e podem se tornar um problema de viabilidade eleitoral/Fotos: Divulgação.

Os episódios, como confundir a atual primeira-dama Janja Silva com a primeira esposa, Marisa Letícia, e trocar Dilma Rousseff por Irma Passoni, entram em uma sequência de declarações imprecisas que, isoladamente, poderiam ser tratadas como deslizes comuns.

Ruídos na comunicação

O problema está na repetição e no contexto. Para além das trocas de nomes, Lula também tem acumulado declarações consideradas infelizes, reforçando a percepção de ruído na comunicação. Em uma delas, na mesma solenidade em que trocou os nomes, Lula afirmou que o Brasil passaria a ser “reconhecido no mundo do crime”, fala amplamente interpretada como equivocada no contexto.

Festival de “pérolas”

Em outro momento, ao comentar a alta dos alimentos, disse que bastaria não comprar - apesar de a crítica recair sobre itens essenciais da cesta básica. Mais recentemente, ao abordar o aumento dos combustíveis, declarou que as pessoas usam o carro para tudo e que deveriam caminhar mais. O conjunto dessas falas ajuda a compor um quadro que vai além de lapsos pontuais.

Paralelo recente

O paralelo mais imediato surge com o que ocorreu nas últimas eleições dos Estados Unidos. Durante a campanha de reeleição, Joe Biden passou a acumular episódios semelhantes: pausas longas, confusões de nomes e falas desconexas.

O que inicialmente foi relativizado como “gafes”, evoluiu para um tema central da disputa, pressionando o Partido Democrata e culminando em sua substituição como candidato pela vice, a senadora Kamala Harris, que assumiu o protagonismo na corrida eleitoral.

Realidade e cautela

A comparação, ainda que inevitável, exige cautela. Lula mantém, até aqui, controle político, capital eleitoral robusto e protagonismo institucional, fatores nos quais Biden já demonstrava fragilidade ao longo do processo. Além disso, no Brasil, a dinâmica partidária e a centralidade da figura presidencial são distintas, o que reduz a possibilidade de movimentos abruptos.

Ainda assim, há um sinal de alerta. Em política, percepção pesa tanto quanto realidade. E a insistência de episódios desse tipo alimenta narrativas adversárias, sobretudo em um ambiente de polarização intensa e vigilância permanente da opinião pública.

Erro isolado

A questão central não é um erro isolado, mas a construção de uma imagem. Biden não caiu por uma única gafe, mas por uma sequência que minou a confiança sobre a sua capacidade de conduzir mais quatro anos de mandato.

Se o padrão observado em Lula evoluir na mesma direção, o debate pode deixar de ser episódico para se tornar estrutural. Por ora, o presidente brasileiro ainda lidera com margem. Mas, como a experiência americana mostrou, quando o ruído vira tema, o custo político tende a crescer rápido, e nem sempre é reversível.

Papo Reto

·Veja como os donos do Brasil tratam o Pará: matéria sobre a produção de cacau no Globo Rural de hoje destaca dois Estados produtores - Bahia, que foi o maior produtor do País durante décadas - e São Paulo. O Pará, que hoje é de fato o maior produtor, foi esquecido na matéria.

·O TSE aprovou o registro da federação União Progressista, entre União Brasil e PP. A aliança consolida a maior bancada da Câmara, com mais de uma centena de deputados. 

·Aliás, o Supremo começou a julgar, em plenário virtual, a liminar de Luiz Fux (foto) que suspendeu regras da eleição indireta para governador no Rio. 

·A Câmara aprovou projeto que autoriza, em caráter excepcional, a quebra de sigilo bancário e fiscal para fixar ou revisar pensão alimentícia. 

·O Senado aprovou projeto que tipifica o vicaricídio, crime em que o agressor mata filhos ou pessoas próximas para atingir emocionalmente a mulher no contexto de violência doméstica. 

·Erika Hilton defendeu o envio direto ao Plenário do projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. A intenção é evitar que a proposta seja desidratada nas comissões da Câmara. 

·O TJ-DF anulou condenação de R$ 200 mil imposta ao deputado Nikolas Ferreira por uma atitude considerada transfóbica ao usar peruca e proferir discurso no Plenário em 2023. 

·Repetindo Nikolas Ferreira, o vereador Adrilles Jorge fez um discurso com peruca e batom na Câmara de São Paulo ao criticar projeto que criminaliza a misoginia. 

·O deputado estadual Raimundinho gerou polêmica ao chamar a deputada Olívia Santana de "mulher negra de coração branco" durante sessão na Assembleia Legislativa da Bahia. A fala ocorreu ao parabenizá-la pelo aniversário e foi respondida pela parlamentar, que argumentou ter "corpo inteiramente negro" com orgulho.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.