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Empreendedorismo

Evento conecta empreendedores, investidores e empresas do Pará à bioeconomia

4º FIINSA coloca no centro do debate temas como capital, bioeconomia, inovação, conservação da floresta e desenvolvimento dos territórios

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  • Da Redação
  • 18/10/26 14:00
Evento conecta empreendedores, investidores e empresas do Pará à bioeconomia

Manaus, AM - Investidores, empresários, lideranças comunitárias, populações tradicionais, pesquisadores e especialistas em clima e desenvolvimento sustentável estarão reunidos em Manaus, entre os dias 3 e 5 de novembro, para discutir quem está construindo e quem financia os próximos caminhos da nova economia amazônica. A programação do 4º Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) coloca no centro do debate temas como capital, bioeconomia, inovação, conservação da floresta e desenvolvimento dos territórios.


Realizado pelo Idesam e pelo Impact Hub Manaus, o festival começa no dia 3, com um dia de imersão em diferentes iniciativas da região, em uma programação chamada “Imersão no Território” e segue com dois dias de painéis, plenárias, muito networking e rodas de conversa. A programação do segundo dia é intitulada “Pingos nos Is” e a do terceiro dia é “Fazer Acontecer”.


A proposta desta edição é traduzida pelo tema “O futuro aponta para o Norte”, em uma programação que procura discutir não apenas o potencial econômico da região amazônica, mas também as soluções que já surgem do território e os desafios que ainda impedem que negócios e comunidades tenham acesso a mercados e capital.


“O FIINSA quer colocar na mesma mesa quem vive nos territórios, quem desenvolve negócios, quem compra e quem investe. A nova economia só vai avançar de fato quando essas conexões deixarem de ser pontuais e passarem a gerar negócios, renda e oportunidades dentro da própria região”, afirma Gabriela Souza, gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam.


Entre os nomes de destaque estão Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa; Pi Suruí, da Associação Metareilá e do povo Paiter Suruí; Denis Minev, CEO do grupo Bemol; Virgilio Viana, superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS); Rachel Biderman, da Rede Pan-Amazônica; Joana Oliveira, do WRI Brasil; e Eduardo Taveira, ex-secretário de Meio Ambiente do Amazonas.


A abertura dos debates, na manhã do dia 4, parte de uma pergunta direta: “Onde estamos?”. A conversa reúne diferentes perspectivas sobre o momento atual da nova economia da Amazônia e será seguida por discussões sobre a capacidade de empresas da região competirem em novos mercados, o valor econômico da floresta em pé e as experiências de pagamento por serviços ambientais.


Um dos eixos da programação será a relação entre capital e negócios amazônicos, e propõe o debate sobre  recursos disponíveis que nem sempre chegam às empresas e iniciativas que mais precisam, e qual tipo de capital é adequado para cada estágio de um negócio. 


A programação também coloca em discussão uma questão que atravessa boa parte do debate sobre a nova economia da região: quem se beneficia quando um negócio amazônico cresce?. Entre as sessões estão debates sobre escala de empreendimentos comunitários, capital filantrópico para negócios na base, tecnologia ancestral, inovação e o lançamento do Atlas da Sociobioeconomia Quilombola, com participação de representantes da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).


No dia 5, o debate avança para questões práticas, com os subtemas “Múltiplos Olhares, Múltiplos Caminhos”, “Sessões Paralelas”, “Caminhos e Rotas” e “Celebrar e Reconhecer”. Grandes empresas vão debater o que precisa mudar para ampliar as compras de negócios da Amazônia, enquanto representantes de organizações da região e de outros países vão tratar de uma agenda pan-amazônica de impacto. Também estarão na pauta o financiamento das cadeias da sociobiodiversidade, carbono florestal, pecuária regenerativa e turismo associado aos territórios.


Ainda no dia 5, a atividade “Conversas que Movem” permite aos participantes do FIINSA literalmente sentar-se à mesa com lideranças da Nova Economia da Amazônia para debater, traçar tendências e prospectar oportunidades. A partir destas conversas, será gerado um produto de conhecimento do FIINSA, com a contribuição do ecossistema participante desta atividade.


Um dos momentos mais diretamente ligados ao mercado será “Do outro lado da mesa: o pitch dos investidores”, que reunirá representantes de fundos como Vox Capital, FAMA Re.capital, KPTL, Sitawi e Finance in Motion, no terceiro dia de programação. A proposta é colocar investidores diante dos negócios e discutir, de forma prática, como oportunidades amazônicas são avaliadas pelo mercado financeiro.


“Existe um capital que quer encontrar bons negócios e existem negócios amazônicos que precisam de capital, mas muitas vezes eles ainda não conseguem se encontrar. O FIINSA trabalha justamente nessa aproximação, criando espaços para que investidores entendam a realidade desses empreendimentos e para que os negócios estejam mais preparados para acessar mercado e investimento”, pontua Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub Manaus e um dos organizadores do festival.


A inovação também terá espaço de destaque no festival. Entre as atividades estão a apresentação de dez soluções selecionadas pelo “Desafio Bioinovação Amazônia”, debates sobre tecnologias desenvolvidas a partir das necessidades dos territórios e uma sessão dedicada às chamadas "deep techs". A programação inclui ainda discussões sobre restauração florestal, ingredientes amazônicos e os caminhos entre a produção nos territórios e a chegada dos produtos às prateleiras.


Antes do encerramento, o Prêmio Parceiros pela Bioeconomia vai mostrar que o FIINSA também é o espaço de reconhecimento de iniciativas que já fazem a Nova Economia da Amazônia ser uma realidade pulsante. O festival termina com uma conversa sobre os aprendizados dos três dias de programação e uma celebração marcada pelo lema que orienta esta edição: “O futuro aponta para o Norte”.


Ao envolver investidores, empresas, povos e comunidades tradicionais, organizações ambientais, pesquisadores e empreendedores em sua programação, o FIINSA coloca em um mesmo local atores que nem sempre participam das mesmas conversas. É desse encontro - entre capital, território, mercado e conhecimento - que o festival propõe discutir os caminhos para uma nova economia na Amazônia.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.