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SEM FITAS, SEM CONTROLE

Falta de insumo para diabéticos expõe fragilidade da atenção básica em Belém

Há três meses, pacientes atendidos pela rede municipal de saúde enfrentam dificuldades para obter item básico para tratamento.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 25/06/26 17:00
Falta de insumo para diabéticos expõe fragilidade da atenção básica em Belém
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denúncia foi encaminhada à coluna por familiares de pacientes que dependem do material para monitorar os níveis de açúcar no sangue e ajustar corretamente a aplicação de insulina. Entre os afetados está um menino de 12 anos, portador de Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), doença crônica em que o organismo deixa de produzir insulina. Nesses casos, o controle da glicemia precisa ser constante e pode exigir entre quatro e oito medições por dia.

Paciente de 12 anos portador de Diabetes Mellitus Tipo 1 espera por medicamento há três meses em Belém/Fotos: Divulgação.
Segundo relato da família, as fitas deixaram de ser distribuídas nas unidades básicas de saúde há cerca de três meses. Ao procurar esclarecimentos, receberam a informação de que o fornecimento estaria interrompido por problemas relacionados ao processo de aquisição dos insumos. Sem alternativa, os familiares passaram a comprar o material com recursos próprios.

Luta pela vida

Para pacientes com Diabetes Tipo 1, a medição da glicemia não é um procedimento eventual. Ela orienta a aplicação da insulina e ajuda a evitar complicações graves. Sem o monitoramento adequado, aumentam os riscos de episódios de hipoglicemia, quando a taxa de açúcar cai excessivamente, ou de cetoacidose diabética, uma das complicações mais perigosas da doença, frequentemente responsável por internações de emergência.

Especialistas costumam comparar o uso das fitas reagentes ao painel de instrumentos de um veículo: sem elas, o paciente perde a principal referência para conduzir o tratamento com segurança.

Escolhas difíceis

O problema pesa especialmente sobre famílias de baixa renda. Dependendo da frequência das medições, o gasto mensal com fitas reagentes pode ultrapassar algumas centenas de reais, valor que muitas vezes concorre com despesas básicas como alimentação, aluguel e transporte.

Diante da falta do insumo, algumas famílias passam a racionar o uso das fitas, reduzindo o número de medições diárias recomendadas pelos médicos. A prática diminui custos, mas aumenta significativamente os riscos para os pacientes.

Problema coletivo

Embora o relato tenha partido da situação de uma única criança, familiares afirmam que o desabastecimento atinge diversos usuários da rede municipal de saúde, incluindo crianças, idosos e adultos dependentes de insulinoterapia.

A situação evidencia uma fragilidade recorrente da atenção básica: quando faltam insumos de baixo custo e uso contínuo, o resultado costuma aparecer nas portas dos prontos-socorros e hospitais, onde o tratamento das complicações acaba custando muito mais aos cofres públicos.

A coluna encaminhará questionamentos à Secretaria de Saúde de Belém para esclarecer as razões da interrupção do fornecimento, o estágio atual do processo de aquisição e a previsão para normalização da distribuição das tiras reagentes na rede pública.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.