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Em Belém

Festival Arte Breada apresenta Espetáculo Abaeté abre Amazônia Integrada

Festival integra a Semana da Visibilidade Trans e segue com programação diversa até o dia 1º de fevereiro

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  • 26/01/26 12:00
Festival Arte Breada apresenta Espetáculo Abaeté abre Amazônia Integrada

Belém, PA - Um espetáculo sensível, emocionante e profundamente conectado à memória afetiva amazônica marcou a abertura do Amazônia Integrada: Festival Arte Breada, na noite do último sábado, 24, na Caixa Cultural Belém. O público definiu Abaeté, criação da Achados e Perdidos - Produções Artísticas, como uma experiência lúdica e potente, capaz de provocar identificação, riso e emoção.


O festival, que inaugura a temporada de 2026 do teatro da Caixa Cultural Belém, integra a Semana da Visibilidade Trans, segue com programação diversa até o dia 1º de fevereiro, reunindo teatro, dança, música e cinema produzidos exclusivamente por artistas trans e dissidentes de gênero da Amazônia paraense.


Criada e interpretada por Lírio do Pará, a peça “Abaeté” parte das memórias familiares da artista, especialmente das vivências de sua avó, Dona Sebastiana, que viveu em Abaetetuba a partir dos anos 1950. A dramaturgia afetiva e documental mistura teatro, carimbó, audiovisual e cenografia construída com matérias-primas da Amazônia, resultando em um espetáculo que investiga identidade, pertencimento e ancestralidade sob uma perspectiva dissidente.


Risos, lágrimas e silêncios


“Nós estamos muito felizes com a oportunidade de apresentar Abaeté aqui na Caixa Cultural Belém. A abertura do Amazônia Integrada: Festival Arte Breada foi muito mais do que eu esperava, eu sentia as pessoas vibrando, se emocionando, se divertindo com a peça e eu ia resssoando durante a peça com isso. Nós já apresentamos no sul, sudeste e nordeste, mas o público do norte tem um carinho muito especial pra nós”


Lírio reforçou ainda o sentido político e coletivo da obra: “O teatro que criamos é pra que existam lugares de encontros. Tive a felicidade com essa obra de encontrar outras pessoas não binárias, dissidências em outros territórios. Isso é sobre resistência, sobre pluralidade e também entender que eu não estou nessas discussões todas. E em Belém, não foi diferente. Quero agradecer ao público mesmo, de coração. Não existe arte teatral sem vocês”.


Entre as pessoas que assistiram ao espetáculo, as reações foram de forte identificação. Para Edson Fernando, professor da Escola de Teatro da UFPA, “é um espetáculo que brinca de maneira muito lúdica entre ficção e realidade, com uma visualidade muito paraense e uma narrativa que toca profundamente a memória. Vivi realidades muito parecidas com as retratadas em cena, e isso emociona”.


A bailarina Priscila Barreto também destacou a delicadeza da abordagem: “É um espetáculo lindo, bem costurado. Trata de uma questão muito pesada, mas transmitida de forma leve. Fico feliz em saber que é uma produção nossa, feita por pessoas que passaram por espaços como o Curro Velho”.


Já Sebastian Santos, homem trans, ressaltou o impacto pessoal da experiência: “Percebi que a nossa transição não é estática, está sempre em movimento. Senti que construí uma nova etapa da minha transição hoje. Foi muito especial. Me identifiquei em vários momentos e fiquei com vontade de trazer toda a minha família para assistir”.


Após a apresentação, o público participou de um bate-papo com Lírio do Pará, Ysamy Charchar** (produção) e o iluminador Renan Coelho.


Programação (até 1º de fevereiro)

25/01 (domingo)

Espetáculo Abaeté – 19h às 20h (Teatro)

27/01 (terça)

Exibição de curtas-metragens de artistas dissidentes de gênero paraenses + mesa de bate-papo – 19h às 21h

28/01 (quarta)

Exibição de curtas-metragens de artistas dissidentes de gênero paraenses + mesa de bate-papo – 19h às 21h

29/01 (quinta)

Grupo Yandê Transpará – Encantos Amazônicos – 19h às 20h (Dança) + bate-papo

30/01 (sexta)

Grupo Yandê Transpará – Encantos Amazônicos – 19h às 20h (Dança)

31/01 (sábado)

Íris da Selva e os Pássaros Urbanos – 19h às 20h (Música) + bate-papo

01/02 (domingo)

Íris da Selva e os Pássaros Urbanos – 19h (Música)


Foto: Tereza Maciel

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.