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ELEIÇÕES 2026

Forçação de barra nas pesquisas eleitorais nacionais ignora o cenário real do Pará

Levantamentos questionáveis circulam em portais de alcance nacional e insistem em nomes que sequer se colocam como candidatos, enquanto dados consistentes sobre o Pará seguem convenientemente esquecidos.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 14/01/26 07:00
Forçação de barra nas pesquisas eleitorais nacionais ignora o cenário real do Pará
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ma nova rodada de matérias publicadas por um portal de política nacional reacendeu a desconfiança sobre a forma como as pesquisas eleitorais vêm sendo usadas e, sobretudo, escolhidas para embasar análises políticas nos Estados. Na mais recente, sobre o Senado em 2026, o cenário do Pará colocado pelo instituto soa, no mínimo, estranho.

 

Embora negue reiteradamente sua candidatura, ex-governador Simão Jatene é incluído em levantamento nacional, ignorando estudos regionais/Fotos: Divulgação.

No levantamento usado pelo portal Poder 360 para avaliar os cenários para senador nos Estados, o instituto de pesquisa Real Time Big Data insiste em apontar o ex-governador Simão Jatene como potencial candidato ao Senado, apesar de ele ser justamente o único nome que ao longo dos últimos três anos tenha negado de forma pública, reiterada e veemente qualquer intenção de disputar as eleições de 2026. 

Nota do redator: chama atenção, igualmente, o fato de que nomes potencialmente “candidatáveis” sequer são incluídos nos levantamentos, ou porque não são ‘considerados’ ou por ‘não se apresentaram’ ao estudo.

Insistência sem eco

A insistência chama a atenção não apenas pelo descolamento da realidade política local, mas também pelo histórico do instituto responsável pelo levantamento, conhecido nos bastidores por erros sucessivos nas últimas eleições.

Ainda assim, os números do instituto voltam a ganhar espaço em veículos nacionais de grande circulação, como em recente publicação de uma coluna da revista “Veja”, criando uma narrativa artificial que não encontra eco nem nos movimentos partidários, nem nas declarações dos próprios atores políticos do Estado.

Força da conveniência

Fonte da coluna avalia que há um movimento orquestrado de “pura forçação de barra” que tenta manter vivo um nome fora do jogo paraense enquanto ignora, de forma seletiva, pesquisas realizadas no próprio Estado ao longo de 2025, como a recente pesquisa do Instituto Doxa, encomendada pela TV Record.

O questionamento central da fonte é direto: “Se não querem levar em consideração os levantamentos de institutos regionais, nós até entendemos. Mas, nesse caso, por que levantamentos de outros institutos nacionais, como o Paraná Pesquisas, feitos no Pará em junho, setembro e dezembro, simplesmente não entram no radar nacional?”, questiona.

Criação da lógica

A matéria publicada pelo portal de política nacional parte de uma análise ampla sobre o cenário do Senado em 2026 e sustenta que forças de oposição ao governo federal teriam, hoje, mais chances de conquistar cadeiras do que os grupos alinhados ao Planalto.

O texto trabalha com a lógica de que a disputa ao Senado, diferentemente da Câmara, favorece candidaturas com maior recall eleitoral, trajetórias longas e forte exposição pública acumulada.

Nesse contexto, o levantamento citado aponta que, em diversos Estados, a oposição teria vantagem competitiva, seja pelo desgaste de governadores aliados ao governo federal, seja pela fragmentação das bases governistas locais.

O portal destaca ainda que o Senado tende a ser um campo mais propício para candidaturas de perfil tradicional, ex-governadores e figuras conhecidas do eleitorado, em contraste com o desempenho mais pulverizado observado nas disputas proporcionais.

Recorte conveniente 

Ao tratar do Pará, a análise repete esse mesmo enquadramento e aposta em nomes já conhecidos da política estadual como potenciais protagonistas da corrida senatorial.  O problema, como apontam analistas locais, é que esse recorte ignora completamente o cenário real de articulações, alianças e pré-candidaturas em curso, além de desconsiderar declarações públicas inequívocas de quem não pretende disputar a eleição.

Leitura enviesada

O resultado é uma leitura enviesada que, ao invés de informar, acaba induzindo o debate nacional a partir de dados frágeis e escolhas convenientes. Em um Estado onde a disputa ao Senado tende a ser uma das mais competitivas de 2026, insistir em nomes fora do tabuleiro não é apenas erro metodológico, é a construção deliberada de uma narrativa que pouco dialoga com a política praticada no xadrez paraense.

Papo Reto

O olhar dirigido pelo novo chefe da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Belém, André Godinho (foto), para a antecessora Ariela Motizuki, nomeada chefe de Gabinete do prefeito, dá o que pensar. É, digamos, penetrante, quase intimidador.

•Mais estranho ainda é que a foto, divulgada pela própria Secom, passou a integrar o perfil de Ariela no Linkedin - como se ali estivesse uma informação sub-reptícia que seus seguidores precisam saber. 

O atendimento presencial no INSS ficará paralisado de 28 a 30 de janeiro para "manutenção de sistemas". Os serviços digitais ficarão indisponíveis entre os dias 27 e 31.

•Olho na folhinha: o prazo final para tirar título de eleitor, regularizar pendências ou transferir o domicílio eleitoral termina em 6 de maio.

Lembrando que jovens a partir dos 15 anos já podem solicitar o título, embora o voto só seja permitido a partir dos 16 anos.

• Dez promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do MP do Maranhão renunciaram simultaneamente aos cargos depois de a Procuradoria-Geral de Justiça pedir a soltura de políticos enrolados no desvio de R$56 milhões de dinheiro público.

O sistema penitenciário de Santa Catarina arrecadou R$ 32 milhões em 2025 com o trabalho de detentos.

•Esse valor vem de parte do salário dos presos e é reinvestido na manutenção e reformas das próprias unidades, visando reduzir custos para o contribuinte e promover a ressocialização.

A Anvisa aprovou o uso do fármaco Lenacapavir para a prevenção do HIV. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.