Ibama detectou redução do garimpo em Estados mais afetados e avanço para Mato Grosso, Amapá e Rondônia para fugir da fiscalização
garimpo na Amazônia mudou nos últimos anos. A atividade migrou para outros territórios para tentar driblar o aperto na fiscalização, se adaptou para atuar em áreas subterrâneas e criou novas rotas de lavagem e de exportação do ouro. No caminho, afetou a dinâmica de terras indígenas e provocou conflitos entre povos que vivem ali.

Um levantamento do jornal “Folha de S. Paulo” teve acesso a investigações, relatórios de inteligência e documentos que descrevem a atuação de facções, milícias e empresários ligados ao mercado financeiro nas áreas de extração de ouro.
Para fugir da fiscalização, especialmente na Terra Indígena Yanomami, os garimpeiros migraram para áreas menos monitoradas, adaptaram métodos de exploração e ampliaram sua capacidade de recrutamento de comunidades locais.
A atividade explodiu em solo brasileiro durante o governo de Jair Bolsonaro. Na Terra Indígena Yanomami, que fica em Roraima e no Amazonas, houve uma invasão de aproximadamente 20 mil garimpeiros. O cenário trouxe caos sanitário, com postos de saúde abandonados e remédios vencidos, contribuindo para a morte de centenas de indígenas por malária e desnutrição.
A partir de 2023, o governo Lula passou a realizar operações de combate à exploração ilegal de ouro, levando à queda na quantidade de alertas de garimpos no país, segundo dados do Ibama.
A Terra Indígena Raposa Serra do Sol se tornou um dos principais exemplos dessa mudança. Além do deslocamento da atividade para a região, a presença do garimpo aprofundou divisões dentro das comunidades indígenas.
Enquanto uma parcela dos indígenas defende a retirada de invasores que entraram na reserva em busca de ouro, outra apoia a exploração mineral. Em alguns casos, os próprios indígenas resistem às operações das forças de segurança contra o garimpo.
Dados do Ibama também apontam uma mudança geográfica da atividade. O instituto detectou uma redução em estados tradicionalmente mais afetados, como Pará e Roraima, e avanço para Mato Grosso, Amapá e Rondônia, numa busca por áreas com menor pressão de fiscalização.
Ainda assim, o Pará segue liderando no número de alertas de áreas de garimpos ilegais no Brasil. Em 2025, o Estado respondeu por 54,21% dos alertas emitidos no País, superando em quase três vezes o segundo colocado, Mato Grosso, que foi responsável por 16,34% desses alertas.
Levantamento da rede MapBiomas mostra que a Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, se tornou uma das principais novas frentes do garimpo ilegal no País. Em 2022, havia 147 hectares de área garimpada identificada por satélite na região. Em 2025, a área explorada alcançou 3.432 hectares.
Com esse avanço, Sararé passou da oitava para a quinta posição entre as terras indígenas mais afetadas pelo garimpo no Brasil. Diante da escalada da exploração ilegal, o governo federal intensificou as operações de fiscalização e repressão na região.
Parte da nova estratégia para driblar a fiscalização consiste na exploração de garimpos subterrâneos, com a abertura de galerias e túneis escavados para acessar o minério. Como essas estruturas ficam abaixo da superfície, não aparecem em imagens de satélite, o que dificulta a identificação da atividade pelos órgãos de fiscalização e pode fazer com que a dimensão real do garimpo ilegal seja maior do que a registrada pelos levantamentos atuais.
Desde 2024, garimpos subterrâneos foram identificados e destruídos em Sararé e em Maués (AM). No segundo caso havia um com 70 metros de profundidade. A ilegalidade tende a se readequar se não houver vigilância contínua. No país, a estimativa é que 70% dos garimpos no país têm alguma ilegalidade.
No Brasil, a exploração mineral só pode ser realizada por empresas com concessão de lavra ou por garimpeiros autorizados pela Agência Nacional de Mineração mediante cumprimento das exigências legais e ambientais. O garimpo é considerado ilegal quando ocorre sem autorização, em áreas proibidas, como terras indígenas e unidades de conservação, ou em desacordo com a legislação.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.