Concessões e terminais privados consolidam novo eixo logístico no Arco Norte e pressionam o debate ambiental no Pará
navegação interior deixou de ser promessa de powerpoint; virou projeto de poder. A apresentação da Adecon escancara o tamanho da ambição: transformar rios estratégicos em corredores logísticos permanentes, sob modelo de concessão, com operação privada e foco absoluto no escoamento de grãos. Não é apenas um detalhe técnico, mas mudança estrutural

A lógica é simples: frete hidroviário custa menos. O produtor ganha margem. O exportador ganha competitividade. O País ganha escala.
O Distrito de Miritituba, em Itaituba, é hoje a fotografia mais nítida dessa transformação. Os números impressionam: terminais privados somando algo próximo de 18 milhões de toneladas-ano. Ali estão gigantes do agronegócio e da logística operando quase em regime de condomínio empresarial em um modelo claro: recebe-se por caminhão, embarca-se em barcaça, transborda-se no Amazonas para navios oceânicos.
O debate sobre dragagem do Tapajós, impacto urbano, pressão fundiária e ambiental não é periférico - é consequência direta desse modelo. Em Porto Velho, por exemplo, o rio Madeira consolidou-se como corredor robusto, com grandes estações de transbordo operadas por tradings e transportadoras, mas há um problema: o rio também sente o peso das secas severas dos últimos anos – e sem previsibilidade hidrológica, a logística perde eficiência e o risco sobe. Ou seja: a hidrovia é solução, mas não é blindada.
O ponto mais sensível do movimento é a concessão dos serviços hidroviários. Estamos falando de transferir à iniciativa privada a responsabilidade por dragagem, sinalização, manutenção e operação de trechos estratégicos e isso muda o eixo da decisão. Muda quem regula o fluxo e quem arrecada e, inevitavelmente, muda quem manda.
Rodovias perdem protagonismo relativo, o Arco Norte ganha centralidade e o Pará vira peça-chave. A navegação interior não é apenas uma solução logística, mas uma reorganização do mapa econômico da Amazônia. A pergunta que começa a ecoar é outra: quem está conduzindo esse processo - o interesse público ou a pressão do mercado? Porque rio, na Amazônia, nunca foi só rio.
É território, política e soberania. E agora também é concessão.

•A Universidade Federal do Oeste do Pará, em Santarém, promove nesta sexta posse da reitora Aldenize Ruela Xavier (foto). Tudo normal não fosse por um detalhe histórico: esta será a primeira vez que a reitora de uma universidade federal toma posse fora de Brasília.
•A cerimônia acontecerá na própria Universidade, numa cerimônia que será presidida pelo ministro da Educação, Camilo Santana. O evento está marcado para 10h30, no Auditório Tapajós, do campus Santarém.
•O PT protocolou no STF uma ação com objetivo de impedir interpretações judiciais que relativizem o crime de estupro de vulnerável, após decisão do TJ/MG que absolveu acusado com base em "vínculo afetivo" e suposto consentimento.
•O STF julga amanhã decisões do ministro Flávio Dino que restringem pagamentos acima do teto constitucional por meio de verbas indenizatórias, os chamados "penduricalhos". O teto entra em julgamento e, dessa vez, não é metáfora.
•Empresários e políticos mato-grossenses inauguraram a pedra de fundação da cidade de Nova Aliança do Norte, apelidada de "Gilmarlândia".
•O nome informal é uma homenagem ao ministro Gilmar Mendes, natural de Diamantino, município onde o distrito será construído. A proposta visa suprir a falta de serviços públicos e infraestrutura à população rural da região.
•O TSE inicia nesta semana a votação de 14 resoluções que vão regulamentar as eleições de 2026. O plenário vai abordar calendário eleitoral, registro de candidaturas e propaganda eleitoral.
•Quem visitava o complexo Porto Futuro II, na tarde de segunda-feira, estranhou a movimentação de lanchas da polícia e de um helicóptero dando rasantes na área.
•Uma denúncia dava conta que um feto teria sido encontrado em um dos banheiros públicos, o que não foi constatado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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