Decisão tardia do Tribunal Regional Eleitoral do Pará expõe descompasso entre o tempo judicial e o ciclo político.
confirmação da condenação do deputado federal Antônio Doido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, com imposição de inelegibilidade por oito anos, resolve o processo, mas não resolve o problema. Resolve no papel, não na prática.

A decisão, tomada por maioria, reconhece abuso de poder político e econômico na eleição de 2024, mas chega depois do principal: o mandato já foi conquistado, exercido e incorporado ao jogo político. Antônio Doido foi eleito deputado federal em 2022, o julgamento se refere à eleição para a Prefeitura de Ananindeua, em 2024, mas o parlamentar já prepara as baterias para tentar a reeleição este ano.
O caso escancara um velho conhecido: o descompasso entre o tempo da Justiça e o tempo da política. Quer dizer, quando a resposta vem após o ciclo eleitoral, o efeito pedagógico se perde. A sanção passa a operar para frente, enquanto o passado - onde o fato ocorreu - permanece intocado. Na prática, cria-se um ambiente em que o risco é calculado: se a punição vier, virá depois.
Os elementos do processo não são inéditos. Uso de estrutura pública, eventos de grande porte e exposição massiva já haviam sido observados em disputas anteriores, sem resposta imediata capaz de interferir no andamento eleitoral. A repetição de estratégias indica algo mais profundo: não é falha pontual, é padrão que se consolida na ausência de resposta tempestiva.
A própria decisão abre espaço para novos capítulos. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, o que, na prática, prolonga o efeito suspensivo típico desses casos. Enquanto isso, o calendário político segue. Pré-candidaturas são lançadas, articulações avançam e o processo eleitoral se reorganiza como se a decisão fosse apenas mais uma etapa - não um ponto final.
Situações semelhantes já foram observadas em outros casos no País, em que decisões judiciais não produziram impacto imediato sobre mandatos em curso. O resultado é uma percepção recorrente: a de que a responsabilização existe, mas chega tarde.
No fim, além de deixar o leitor atarantado, a questão deixa de ser jurídica e passa a ser estrutural, uma vez que, quando a Justiça decide depois que tudo já aconteceu, a punição continua existindo - mas o efeito, esse já passou - “Esse aí passou/esse aí passou/esse aí passou..., como no axé da banda É o Tchan.

•Um problema que vinha sendo empurrado deve tensionar a campanha de Hana Ghassan (foto) ao governo: o reajuste de 6% dado pelo Estado.
•A medida caiu mal na caserna - e não foi só entre os militares. Na PM, a bronca maior é a tabela de soldos parada no tempo, enquanto outras PMs do Norte já avançaram. O resultado é tropa comparando contracheque - e perdendo.
•Na Polícia Civil e na Polícia Científica, o clima também azedou. Promessas negociadas com o governo teriam ficado no papel, o que ampliou a sensação de desgaste interno.
•Para piorar, as queixas sobre estrutura precária nas unidades - capital e interior - voltaram à superfície. E ainda tem o fator aposentadoria: gratificações de função já não incorporam como antes, o que derruba a renda na reserva.
•A edição extra do Diário Oficial só confirmou o que já corria nos corredores: insatisfação espalhada e crescente nas forças de segurança.
•Sessenta senadores estão de olho em candidaturas próprias em 2026. A maioria deles postula a reeleição, mas alguns fazem investidas aos governos estaduais.
•Até o momento, 49 senadores estão com a pré-candidatura encaminhada. Os demais ainda discutem o que fazer. O mapeamento também mostra como a pré-campanha já reorganiza forças no Senado antes mesmo do início oficial da disputa.
•Nos bastidores da política, indecisão quase sempre é só estratégia com prazo aberto. Há décadas, circula entre assessores a máxima de que ninguém espera o calendário oficial para começar a se mexer.
•Primeiro se ocupam todos os espaços possíveis, depois se escolhe o destino. Não por acaso, em meio às articulações antecipadas, um assessor resumiu com ironia o espírito da pré-campanha permanente: "O senador ainda não decidiu o que vai disputar. Mas, por precaução, já começou a campanha para todas as opções."
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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