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LITERATURA

Livro transforma Amazônia e propõe reflexão: memória e pertencimento

Escritor paraense Ernesto Feio Boulhosa lança Amazoníase e reforça trajetória literária voltada à valorização da cultura da memória e identidade.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/05/26 17:00
Livro transforma Amazônia e propõe reflexão: memória e pertencimento
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om mais de 250 páginas, o livro apresenta uma narrativa ficcional ambientada em um povoado imaginário no coração da floresta amazônica. Mais do que desenvolver uma história linear, a obra constrói um mosaico poético sobre modos de vida tradicionais, relações humanas e convivência harmoniosa com a natureza.

 

“Amazoniase nasceu do meu desejo de transformar a Amazônia em sentimento, memória e reflexão”/Fotos: Divulgação.

Ao longo da narrativa, Ernesto Feio Boulhosa transforma a própria Amazônia em personagem central, abordando temas como pertencimento, preservação ambiental, ancestralidade e memória coletiva.

“Amazoniase nasceu do meu desejo de transformar a Amazônia em sentimento, memória e reflexão. Mais do que falar da floresta como paisagem, eu quis mostrar a Amazônia como uma forma de viver, de compartilhar e de enxergar o mundo em harmonia com a natureza”, afirma o autor.

As faces da Amazônia

O próprio título da obra nasce de um conceito criado pelo escritor. Segundo Ernesto, “amazoniase” representa “tudo o que é bonito na natureza, em relação ao homem e ao meio ambiente, dentro de um sistema integrado de união e partilha”. A expressão sintetiza a essência do livro: apresentar a Amazônia não apenas como espaço geográfico, mas como experiência humana, identidade cultural e sensibilidade coletiva.

A escrita mistura prosa poética, memória oral, descrições da fauna e flora amazônicas e reflexões sociais. Em diversos trechos, a narrativa assume tom filosófico e contemplativo, valorizando uma sociedade baseada no equilíbrio entre ser humano e natureza.

Em uma das passagens marcantes da obra, o povoado fictício é descrito como um lugar onde: “o ser era mais importante que o ter”. A frase resume uma das críticas centrais do livro ao modelo contemporâneo de consumo e à ruptura da humanidade com o meio ambiente.

Literatura e denúncia

Além do aspecto poético, Amazoniase assume um forte caráter de denúncia diante das ameaças enfrentadas pela floresta amazônica. Garimpo, exploração predatória e desmatamento aparecem como elementos que rompem o equilíbrio social e ambiental construído pelas comunidades tradicionais.

Em um dos trechos mais impactantes, o autor escreve: “Depois que chegaram os homens maus, toda a terra era uma morte”. Para Ernesto Feio Boulhosa, o livro também funciona como registro e alerta.

“Esse livro também é um alerta. Ao mesmo tempo em que celebra a beleza e os saberes da floresta, ele fala sobre as ameaças que colocam em risco nossa memória coletiva, nossas tradições e o próprio futuro da Amazônia. Escrever Amazoniase foi uma maneira de registrar aquilo que não podemos deixar desaparecer”, destaca.

Saberes tradicionais

Outro aspecto de destaque na obra é a valorização da memória oral e dos conhecimentos tradicionais. Árvores, rios, pássaros, ervas medicinais e palmeiras são retratados com riqueza de detalhes e forte carga afetiva. Em determinado momento, os idosos da comunidade são definidos como: “a enciclopédia ambulante da região”.

A frase reforça a importância dos mais velhos como guardiões da memória e da continuidade cultural amazônica.

Trajetória literária

A valorização da cultura regional já é marca consolidada da produção literária de Ernesto Feio Boulhosa. Entre suas obras anteriores estão: O Pescador; Raízes Marajoaras; Ver-o-Peso: Lugar de Cheiros, Cores, Sabores e Mandingas; e o romance Jagarajó, lançado em 2025. 

SERVIÇO
Lançamento do livro Amazoniase, de Ernesto Feio Boulhosa
Data: 30 de maio
Horário: das 14h às 20h
Local: Ponto B.B. - Sede do Banco do Brasil
Endereço: Av. Visconde de Souza Franco (Doca), nº 345, esquina com a Rua Municipalidade - Belém/PA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.