Proposta quer capacitar 100 mil mulheres e reduzir índices de violência em até 30% no país
m projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê criar uma nova frente de enfrentamento à violência contra a mulher no país. O PL nº 785/2026, de autoria do deputado Raimundo Santos, institui o Viva - Programa Nacional de Defesa Pessoal para Mulheres.

A proposta tem como eixo central a capacitação feminina em técnicas de defesa pessoal, com o ensino de artes marciais e a ampliação do acesso a academias e centros de treinamento. A iniciativa busca atingir desde a violência doméstica e de gênero até reflexos na segurança urbana.
Ao justificar o projeto, o parlamentar afirma que “muitas mulheres são agredidas covardemente e mortas porque não sabem se defender”. Segundo ele, a violência doméstica e familiar segue como um problema estrutural no país, com raízes históricas e impacto direto na violação de direitos humanos.
Dados citados na proposta - de instituições como o Instituto Brasileiro de Direito de Família, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Conselho Nacional de Justiça - reforçam o diagnóstico de um cenário persistente e alarmante.
O programa estabelece objetivos concretos: capacitar 100 mil mulheres em até dois anos, reduzir entre 20% e 30% os índices de violência no mesmo período e firmar parcerias com cerca de 500 academias e centros de treinamento em todo o país no prazo de um ano.
A execução ficaria sob responsabilidade do governo federal, com previsão de recursos orçamentários para viabilizar as ações e garantir suporte às participantes.
Entre os principais eixos do programa estão: capacitação em técnicas de defesa pessoal e artes marciais; ampliação do acesso feminino a espaços de treinamento; ações de conscientização e prevenção da violência; fortalecimento da autonomia e inclusão social; parcerias com entidades públicas, privadas e do terceiro setor.
A proposta prevê a implementação por meio de convênios com academias, contratação de profissionais especializados e oferta de cursos em espaços comunitários. Também inclui campanhas educativas, produção de material informativo e realização de eventos voltados à prevenção da violência contra a mulher.
No pano de fundo, o projeto aposta em um caminho complementar às políticas tradicionais de segurança: fortalecer a autonomia feminina como instrumento direto de proteção. No Congresso, a discussão deve testar o alcance da proposta - entre o incentivo à autodefesa e o debate mais amplo sobre o papel do Estado no enfrentamento à violência de gênero.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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