Remoção sem corte em concurso no TJ escancara tensão interna na classe Celso Sabino segura decisão na reta final da janela partidária Quinquênio reacende debate sobre o teto no serviço público
RANCHO EM RUÍNAS

O ano em que nada deu certo: crise leva a leilão da sede do Rancho por R$ 1,6 milhão

Em 2025, a primeira escola de samba do Pará perde brilho, corre risco de perder a sede e enfrenta turbulência interna.

  • 1054 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/12/25 08:05
O ano em que nada deu certo: crise leva a leilão da sede do Rancho por R$ 1,6 milhão
O


ano de 2025 está terminando, mas será inesquecível - no pior sentido - para o Grêmio Recreativo Escola de Samba Rancho Não Posso Me Amofiná, a primeira escola de samba fundada no Pará e uma das mais antigas do Brasil. Logo em fevereiro, após o desfile oficial, veio o golpe: rebaixamento do Grupo Especial para o Grupo de Acesso. Agora, para agravar a crise, a sede histórica do Rancho, no coração do Jurunas de Gaby Amarantos, irá novamente a leilão por conta de uma dívida trabalhista.

 

Além da queda, o coice: sede da tradicional escola do bairro do Jurunas deve ser vendida hoje pela Justiça do Trabalho/Fotos: Divulgação.

Leilão ronda o Jurunas

A sede do Rancho integra o Sexto Leilão Unificado do TRT-8 de Belém e Ananindeua, programado para hoje, 1º, às 9h. O fantasma da perda do imóvel acompanha a agremiação desde 2022, quando começou o processo que culminou na penhora do terreno localizado na travessa Honório José dos Santos. O pedido de penhora foi apresentado em março de 2024 e seguiu adiante sem recurso da escola.

O processo envolve o atual presidente, Jackson José Pedroso, o Jackson Santarém, e já teve um primeiro leilão, em maio de 2024, sem interessados. Agora, o lance inicial é de R$ 1,6 milhão, à vista ou parcelado. No português claro: quem tiver bala na agulha leva. E leva bem, dada a localização privilegiada entre as ruas Fernando Guilhon e Timbiras.

O prédio e o processo

A penhora está registrada na 7ª Vara do Trabalho de Belém e tem como reclamante Manoel Soares de Lima Filho. A área soma 912,32 m², construída em terreno aforado pela Codem. O galpão reúne bilheteria, galeria de troféus, palco, camarim, biblioteca, salas de projetos, bar, banheiros, reservatório d’água, camarotes, secretaria, presidência e salas de instrumentos - um pequeno complexo cultural, funcional e afetivo para a comunidade jurunense. O processo corre sob o número 0000171-20.2022.5.08.0007 e transformou-se no novo pesadelo da escola.

“Annus horribilis” 

2025 é, sem exagero, um annus horribilis para o Rancho. Rebaixado pela primeira vez em 90 anos, ameaçado de perder a sede e ainda envolvido em seguidos constrangimentos públicos. Em setembro, a escola virou chacota nas redes após anunciar - e logo apagar - que homenagearia o ministro do Turismo, Celso Sabino, no carnaval de 2026. A postagem foi detonada por causa do tema sobre “preservação” e pela foto do ministro com um cocar indígena. Para piorar, a assessoria de Sabino afirmou que ele soube da homenagem pelas redes sociais.

Depois da trapalhada, a escola recuou e redefiniu o enredo: “Amazônia: Uma Epopeia de Coragem e Preservação – Belém, capital mundial do brega”, tema associado à articulação do próprio Sabino para consolidar Belém como capital oficial do brega.

Revolta dos ranchistas

Nas redes sociais, os ranchistas historicamente orgulhosos não aliviam. O atual presidente, Jackson Santarém, virou alvo central:

“Jackson só chegou para afundar o Rancho. Esse só pensa em uísque e cerveja todo dia”, diz um comentário.  “Dirigentes gananciosos acabaram com o Rancho!”, dispara outro. “Bons e gloriosos tempos do Jango e do saudoso Félix”, relembra um veterano.

Há também a voz da memória afetiva: “Mas o que fizeram com essa casa, meu Deus? Nasci no Jurunas. Eu amava participar dos concursos de miss, quadrilha... era lindo”, lamenta uma moradora. Em meio ao massacre digital, a direção ainda anunciou, em novembro, o desligamento de Daniel do Cavaco – artista plástico, compositor, professor e figura tradicional do Rancho. A saída pegou mal entre antigos integrantes.

À beira do abismo

Fundado em 1934, o Rancho Não Posso Me Amofiná representa não apenas uma escola de samba, mas um capítulo inteiro da cultura paraense. Sobreviveu a ditaduras, enchentes, incêndios, crises econômicas e mudanças de era. Mas agora enfrenta algo mais desestabilizador: a combinação de má gestão, descrédito interno, desgaste público e risco real de perder seu próprio chão.

Se o leilão prosperar, os tambores silenciam - e a Nação Jurunense, calejada, poderá testemunhar o capítulo mais triste de sua história.

Papo Reto

Bruno Kono (foto) deve explicar a presença do mesmo funcionário do Iterpa em invasões registradas na região do dendê. Chega como não sabe de nada e, como nada faz, deixa orelhas atrás de orelhas.

•A valorização dos trabalhadores rurais no Brasil, tema da redação do Enem 2025, batido à exaustão nos cursinhos, foi considerado "mamão com mel" pela maioria dos estudantes.

Dono de barraca na Feira da 25 disse ao repórter que "caiu pra trás" com a tabela de preços das frutas natalinas na Ceasa: "entre 70% a 100% mais caras que ano passado".

•Mesmo com o rombo histórico, os Correios obtiveram aval do Tesouro Nacional para o empréstimo de R$ 20 bilhões como "uma das ações estratégicas de curto prazo que integram o Plano de Reestruturação" da estatal.

Como já era esperado por 10 entre 10 brasileiros, Daniel Vorcaro e outros quatro sócios do Banco Master já foram postos em liberdade por canetada da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

•Acredite, a crise no mercado global de laticínios abriu espaço para uma tendência curiosa, mas extremamente lucrativa, dentro do agronegócio: o abraçar de vacas como produto comercial.

Com a queda acelerada nos preços do leite, fazendas nos EUA e na Inglaterra vêm encontrando no agroturismo afetivo uma alternativa real para manter as portas abertas, preservar empregos e gerar receita em meio a um dos períodos mais desafiadores para o setor leiteiro nas últimas décadas.

•Prepare a sombrinha porque a meteorologia prevê chuva em abundância no centro-norte do País, incluindo o Pará, nesta primeira semana de dezembro.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.