Notas políticas revelam mais que opinião: expõem uma ruptura histórica entre imprensa e governo no Pará.
Pará é de todos”. Esse foi o título de uma das notas do Repórter 70, uma das mais prestigiadas colunas políticas do Estado, no dia 10 de fevereiro. No corpo, a afirmação é direta: “É grande a possibilidade de se formar uma frente contra o atual governo do Estado, seu governador e sua candidata…”. Segue-se a enumeração de nomes, cargos e partidos, costurada com o apoio do ex-governador Simão Jatene, e arrematada com a ideia de um “cansaço crescente na sociedade”.

Às vésperas de uma sucessão que se anuncia tensa e marcada por armadilhas táticas de lado a lado, um gesto editorial do jornal “O Liberal” chama mais atenção do que o conteúdo aparente da nota.
Dias depois, outra publicação da mesma coluna cunhava um título que soava menos como análise e mais como slogan de campanha: “O sonho deles é ter a posse do Estado do Pará”.
A artilharia verbal expõe um desses raros momentos em que a fatura sai do cofre e é exibida na vitrine. Mais relevante do que o ataque - de baixo potencial ofensivo - é a assinatura. No jogo de poder do Pará, quando o principal grupo de comunicação do Estado abandona o verniz da análise e pisa no território da acusação moral e patrimonialista, não se trata mais de jornalismo. Trata-se de um recado. E recados, nesse meio, pedem leitura das entrelinhas.
A frase sobre “posse e propriedade do Estado” não traz fatos novos, não apresenta documentos, não aponta fontes nem sugere desdobramentos. É uma acusação de intenção, construída para evocar, no imaginário local, o espectro do coronelismo e das elites que confundem o público com o privado. Uma borduna simbólica, manejada por quem conhece o peso que tem.
A pergunta, portanto, não é se o governador Helder Barbalho e sua família agem ou não como “donos do Pará”. A pergunta é outra: por que “O Liberal” decidiu, agora, empunhar essa borduna - com esse tom e dessa forma?
Para entender o momento, é preciso revisitar a relação entre o grupo que edita o jornal e a família Barbalho. Trata-se de um dos capítulos mais tensos da história política e midiática do Pará.
Nos anos 1980, a relação entre as Organizações Romulo Maiorana e Jader Barbalho passou da neutralidade à guerra aberta. Com a ascensão de Jader como principal liderança de oposição ao regime militar e, depois, governador eleito, os conflitos se intensificaram à medida que projetos políticos e interesses empresariais passaram a colidir.
A ruptura definitiva veio em meados da década de 80. “O Liberal” assumiu papel de oposição sistemática aos governos de Jader, com capas, colunas e reportagens denunciando corrupção, má gestão e “populismo”. A reação veio em 1988, com a aquisição do “Diário do Pará” pela família Barbalho, criando um duopólio midiático em que cada jornal passou a operar como trincheira política.
A disputa envolvia narrativa, poder e dinheiro - especialmente o controle das verbas publicitárias oficiais. A rivalidade entre Romulo Maiorana e Jader Barbalho tornou-se pública, ruidosa e duradoura.
Com o passar dos anos e a sucessão no comando do grupo, Ronaldo Maiorana herdou o legado e adotou uma linha de convivência institucional com o poder público, marcada por negócios transversais e uma espécie de “paz armada”. A regra tácita era clara: evitar a ruptura declarada.
Durante o governo Helder Barbalho, essa fronteira passou a ser testada. O desgaste acumulou-se e transbordou no fim de 2025, quando Ronaldo Maiorana denunciou, em redes sociais, ameaças atribuídas a delegados da Polícia Civil e a suposta omissão do governador e da vice-governadora Hana Ghassan.
A partir dali, o tom mudou. Críticas ao Estado e à Prefeitura de Belém ganharam espaço. Nos bastidores, a resposta do Palácio teria vindo pela suspensão da verba publicitária oficial, comunicada pela agência Gamma. A fatura atrasou. O ambiente azedou. Houve trégua breve. Depois, a artilharia voltou - agora mais dura e ostensiva.
A tensão também expôs fragilidades internas no jornal. A gestão da Secretaria de Comunicação do Estado, comandada por Vera Oliveira, virou alvo recorrente de notas com acusações graves, novamente sem lastro factual apresentado.
Somam-se a isso conflitos na Redação Integrada do jornal, agravados por contratações controversas e demissões recentes, que escancararam fraturas internas e o desconforto de uma redação pressionada por interesses cruzados.
O que se vê não é uma crise política sustentada por revelações sobre a gestão estadual. É uma crise de relacionamento entre o principal grupo de comunicação do Pará e o governo, travada no palco da opinião pública, mas alimentada por fatos que permanecem fora do alcance do leitor.
Nesse embate, a vice-governadora surge como elo mais vulnerável, oscilando entre ser poupada e alvejada, enquanto o conflito deixa os bastidores e se torna explícito.
Ao optar por uma acusação carregada de simbolismo - a da “posse do Estado” - “O Liberal” não faz jornalismo investigativo. Faz política. Expõe que a disputa saiu da sombra e que a borduna está à mostra.
Resta ao leitor uma constatação incômoda: desta vez, a notícia não é o governo. É o próprio jornal - que, ao decidir entrar no jogo do poder, resolveu também virar personagem dele.
Justiça manda União agir para desobstruir acesso em Santarém, enquanto povos indígenas mantêm ocupação contra decreto que privatiza rios e reabre debate ambiental histórico.

·Prefeita de Marituba, Patrícia Aguiar (foto) voltou a mostrar, na abertura do Carnaval da cidade, o que melhor sabe fazer: distrair seus seguidores.
·Envergando um modelito preto, a prefeita dançou com um gari, tão saçariqueiro quanto ela. Os buracos nas ruas da cidade ficam para depois do carnaval.
·A Prefeitura de Belém anunciou que o novo Restaurante Popular vai mudar de endereço. Será instalado no prédio da antiga Estação do Bondinho, na rua 13 de Maio com a avenida 16 de Novembro, praticamente ao lado da prefeitura de Belém.
·O único problema é que o novo local foi alardeado, mas não foi definida uma data para a inauguração, muito menos, o cronograma de obras de requalificação.
·A concessionária Águas do Pará parece que começou com o pé esquerdo no Estado. A prática de leitura de estimativa para medir e cobrar o consumo tem gerado controvérsias e, em alguns casos, prejuízos aos consumidores.
·Além do mais, pesa contra a empresa a precariedade do serviço, operado por funcionários desqualificados e sem equipamentos como hidrômetros para pronta instalação.
·A Secretaria da Fazenda identificou cerca de 1,7 mil empresas fantasmas operando em torno do Fisco estadual com emissão de notas fiscais eletrônicas falsas.
·A Vale anunciou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, frustrando as expectativas de lucro do mercado.
·O resultado foi influenciado por uma desvalorização do preço do níquel no Canadá e efeitos tributários, mas, apesar do prejuízo trimestral, a mineradora encerrou o ano com saldo positivo.
·A movimentação de sistemas meteorológicos sobre o território nacional deve dar uma chacoalhada no tempo a partir desta semana, com destaque para a chegada de uma frente fria capaz de reorganizar o padrão de chuvas em diversas regiões, incluindo o Norte.
·O alerta do Instituto Nacional de Meteorologia envolve rajadas de vento e risco de temporais, principalmente entre os dias 12 e 16 de fevereiro - período considerado crítico pelos meteorologistas.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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