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A CAMINHO DO SAL

Paraense se arma para ultrapassar uma lombada a cada quilômetro e meio

Salinas no horizonte, lombadas no caminho: principal destino turístico do Pará segue atraindo milhares de visitantes no verão, mas acesso é uma corrida de obstáculos.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 28/06/26 12:00
Paraense se arma para ultrapassar uma lombada a cada quilômetro e meio
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om a chegada das férias escolares, milhares de paraenses voltam a colocar Salinópolis no roteiro. As praias continuam entre as mais belas do Norte do País, mas a viagem até o balneário se tornou um teste de paciência. Nas rodovias estaduais PA-324 e PA-124, o que chama atenção já não é apenas o movimento intenso, mas a impressionante quantidade de lombadas espalhadas pelo percurso.

 

Todo sofrimento será pouco: agora, há redutores de velocidade nas cabeceiras de praticamente todas as pontes das duas rodovias/Fotos: Arquivo.

Ao longo de cerca de 84 quilômetros, são aproximadamente 53 redutores de velocidade. Na prática, há uma lombada a cada 1,5 quilômetro. Uma concentração difícil de encontrar em qualquer outra rodovia brasileira e que, em tom de brincadeira entre os motoristas, já rende comentários sobre uma possível candidatura ao Guinness Book.

Uma nova moda

Se o número de lombadas já causava espanto, uma novidade aumentou ainda mais a perplexidade dos usuários: a instalação de redutores nas cabeceiras de praticamente todas as pontes das duas rodovias. Em muitos trechos, a sinalização horizontal é precária ou inexistente, enquanto a sinalização vertical também deixa a desejar, elevando os riscos, sobretudo à noite ou em períodos de chuva.

A preocupação com a segurança viária é legítima e necessária. O problema é que medidas dessa natureza precisam estar amparadas por estudos técnicos, critérios de engenharia de tráfego e estatísticas que justifiquem sua implantação. Multiplicar lombadas, por si só, dificilmente pode ser considerada uma política pública de mobilidade.

Perguntas sem resposta

Diante desse cenário, seria oportuno que o Ministério Público do Estado solicitasse à Secretaria de Estado de Transportes os estudos técnicos que fundamentaram a instalação de tantas lombadas, especialmente nas cabeceiras das pontes. Quais indicadores embasaram a decisão? Houve levantamento de acidentes, análise de fluxo ou avaliação dos impactos sobre o tempo de deslocamento?

Até o momento, essas respostas permanecem desconhecidas para quem utiliza diariamente as rodovias.

Viagem mais lenta

A percepção entre os usuários é praticamente unânime: a cada temporada, a viagem demora mais. O excesso de freadas e arrancadas aumenta o consumo de combustível, acelera o desgaste dos veículos e transforma um deslocamento que deveria ser cada vez mais eficiente em um percurso cansativo e pouco fluido.

Entre os motoristas, já circula até uma ironia recorrente. Dizem que os governantes talvez desconheçam a realidade das estradas porque, quando seguem para Salinas, costumam utilizar o avião. Enquanto isso, quem depende das rodovias enfrenta uma infraestrutura que parece caminhar em sentido contrário ao desenvolvimento.

Salinópolis continua sendo um dos maiores patrimônios turísticos do Pará. Justamente por isso, a cidade merece acessos modernos, seguros e planejados. Segurança no trânsito não se constrói apenas com obstáculos sucessivos, mas com engenharia, sinalização de qualidade, fiscalização eficiente e decisões fundamentadas em critérios técnicos. 

Caso contrário, o caminho até o principal cartão-postal do Estado continuará sendo lembrado menos pela paisagem e mais pela interminável sequência de lombadas.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.