Molécula desenvolvida ao longo de três décadas entra em fase clínica e reacende debate sobre regeneração da medula espinhal.
e tempos em tempos, a ciência brasileira rompe o silêncio dos laboratórios e invade as redes sociais. Foi o que ocorreu nas últimas semanas com a polilaminina, apontada como possível alternativa terapêutica para pessoas com paralisia decorrente de lesão medular. Entre entusiasmo legítimo, desinformação digital e disputas narrativas, há um dado objetivo: existe, sim, um avanço científico relevante em curso - e ele precisa ser analisado com rigor, não com torcida.

A polilaminina é uma versão modificada da laminina, proteína presente na matriz extracelular do organismo e essencial para a organização estrutural dos tecidos. A proposta da molécula é criar um ambiente bioquímico favorável ao crescimento de axônios - as fibras nervosas responsáveis por transmitir impulsos entre o cérebro e o restante do corpo.
Quando ocorre uma lesão medular, esses axônios não conseguem se reconectar adequadamente. A polilaminina foi concebida justamente para estimular essa reconexão, funcionando como um suporte molecular que favorece a regeneração neural. Não é milagre; é biotecnologia aplicada à fronteira mais difícil da medicina.
A pesquisa é liderada pela neurocientista Tatiana Coelho de Sampaio, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O trabalho começou nos anos 1990 e atravessou cortes orçamentários, mudanças institucionais e a conhecida escassez de financiamento à ciência no Brasil.
Foram quase 30 anos de experimentos em cultura celular, testes em modelos animais e refinamento da molécula. Estudos em ratos com lesão medular indicaram crescimento axonal e melhora funcional. Em modelos veterinários, como cães com lesões crônicas, os resultados também foram considerados promissores. Nada disso equivale à comprovação clínica em humanos, mas desmonta a narrativa de improviso ou “descoberta repentina”.
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da aplicação da polilaminina em pacientes com lesão medular aguda. Fase 1 não mede eficácia ampla; mede segurança. O protocolo envolve número reduzido de voluntários e aplicação direta da substância na área lesionada, pouco tempo após o trauma. Vem a ser o primeiro degrau regulatório, não a aprovação comercial, nem é tratamento disponível no SUS e não há ainda liberação irrestrita: é a ciência entrando, formalmente, na arena clínica.
Nas redes sociais, circularam versões de que a pesquisadora teria perdido patente por falta de apoio. O cenário é mais técnico do que emocional. A tecnologia possui registros de propriedade intelectual e conta com parceria para desenvolvimento. A farmacêutica brasileira Cristália participa do processo de viabilização clínica e industrial.
Patentes têm prazo, exigem manutenção financeira e estão sujeitas a estratégias internacionais de mercado. Caso a eficácia clínica seja comprovada, o interesse global será imediato. Trata-se não de uma disputa ideológica, mas científica, regulatória e econômica.
Se os ensaios clínicos avançarem com resultados positivos, a polilaminina poderá representar uma das inovações mais relevantes da medicina regenerativa das últimas décadas. Lesões medulares, hoje, têm opções terapêuticas limitadas e recuperação funcional rara e a possibilidade de estimular reconexão neural altera paradigmas.
Mas prudência não é pessimismo. Muitas substâncias promissoras falharam nas fases 2 ou 3 de testes clínicos. Ciência não se consolida por viralização nem por comoção.
É compreensível que pessoas com paralisia e suas famílias enxerguem na notícia uma fresta de esperança. A emoção é humana. O rigor é obrigatório. O caso da polilaminina expõe duas realidades brasileiras: pesquisadores que persistem apesar das dificuldades estruturais e um ambiente digital que transforma debates técnicos em arena política.
Hoje, o fato concreto é este: há uma molécula desenvolvida ao longo de três décadas, com base científica consistente, que ingressou oficialmente na fase inicial de testes clínicos em humanos. Se confirmará a promessa, só os próximos anos responderão.
Mas, desta vez, não se trata de slogan. Trata-se de ciência brasileira testando seus próprios limites - e desafiando um dos maiores impasses da medicina contemporânea. E isso, por si só, já é notícia.

•Do jornalista Nélio Palheta, direto de Vigia, nordeste do Pará: “Achei escandaloso um município pobre como Vigia contratar - dizem que por R$ 1,5 milhão - show de um DJ chamado Alok (foto) para o carnaval.
•Ainda que a prefeitura tenha conseguido patrocínio, duvido que a marca tenha investido na Vigia esse valor. Consta ainda que o prefeito obteve emenda parlamentar - não duvido - da deputada Renilce Nicodemos.
•O fato é que Vigia, com onze bandas de música, optou por uma festa anódina, sem identidade cultural e sem tradição, transformando o carnaval numa simples esbórnia.
•Fora o fato da falta de transparência: festa de pão e circo cujos investimentos altíssimos precisam ser investigados. Mas, quede o MP? Quede o TCM? Quede os vereadores?”
•Internauta não perdoa: diz estar com saudades do tempo em que os escândalos na mídia se resumiam à importunação de baleia, cloroquina para ganso, jóias de presente e cartão de vacina...
•Um segundo internauta macetou a Escola de Samba de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí: ela seguiu à risca a cartilha do petismo. Prometeu mundos e fundos, mas não entregou absolutamente nada.
•Ah, sim: a OAB do Rio de Janeiro publicou nota contra a Acadêmicos de Niterói, condenando o que classifica de "intolerância religiosa na Sapucaí" durante o enredo pró-Lula.
•Dias Toffoli não tem mais dúvida: foi o presidente Lula que determinou o envio, pela Polícia Federal, de um relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal revelando as suas conexões com Daniel Vorcaro, do Banco Master, disse “O Globo”.
•O calhamaço de 200 páginas estarreceu o presidente da Corte, Edson Fachin, pois detalha todas as ligações, mensagens e transações que envolvem direta ou indiretamente o ministro.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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