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MARGEM EQUATORIAL

Petróleo reacende disputa energética e expõe riscos para investidores no Brasil

Indecisão do governo brasileiro na Margem Equatorial ilustra o custo do possível prejuízo: o País discute o projeto sem avançar há dez anos.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 07/01/2026, 11:00
Petróleo reacende disputa energética e expõe riscos para investidores no Brasil
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reaproximação pragmática entre Estados Unidos e Venezuela, estimulada por interesses energéticos claros, recoloca no radar global as maiores reservas provadas de petróleo do planeta - mais de 300 bilhões de barris concentrados, sobretudo, na Faixa do Orinoco. Após anos de colapso operacional, sanções e isolamento tecnológico, a indústria petrolífera venezuelana tende a iniciar um processo de reestruturação gradual, com maior presença de capital estrangeiro, governança e previsibilidade regulatória.

 

Previsão de criação de 320 mil empregos na região pode virar fumaça; País corre o risco de perder investimentos e o bonde da história/Fotos: Divulgação.

Esse movimento, embora longe de produzir efeitos imediatos, já é suficiente para reorganizar a lógica de alocação de investimentos globais no setor. E é nesse ponto que o Brasil entra no tabuleiro - não como protagonista, mas como País que corre o risco de perder uma janela estratégica, especialmente na Margem Equatorial, região que concentra expectativas históricas de desenvolvimento no Norte.

Retórica e realidade

É preciso, no entanto, separar retórica de realidade. O petróleo venezuelano é majoritariamente extra-pesado, de alto custo de produção e refino, exigindo refinarias complexas, elevado consumo energético e grandes volumes de capital. Além disso, a infraestrutura do país encontra-se profundamente deteriorada. Mesmo com sanções flexibilizadas e investimentos retomados, a recomposição plena da capacidade produtiva levará de dois a três anos, no mínimo. Não se trata, portanto, de uma retomada relâmpago, nem de petróleo altamente competitivo no curto prazo.

Ainda assim, o simples fato de a Venezuela voltar ao mapa dos grandes projetos energéticos já provoca efeitos colaterais relevantes. O capital internacional do petróleo é avesso à incerteza prolongada. Ele migra para onde há decisões claras, cronogramas definidos e previsibilidade institucional - mesmo quando os desafios técnicos são elevados.

O custo da indecisão

No Brasil, o impasse da Margem Equatorial ilustra o custo da indecisão. Há mais de uma década, o País discute licenciamento, protocolos e salvaguardas ambientais sem avançar na etapa decisiva: a perfuração exploratória, única capaz de confirmar se há óleo ou gás, em que volume e com que qualidade. Trata-se de uma questão geológica, não ideológica. 

Não depende da Venezuela, tampouco de movimentos internacionais. Depende de dados. É importante registrar: o Ibama não define a existência de petróleo. Seu papel é avaliar riscos e autorizar ou não a atividade após a apresentação de estudos técnicos. O problema central é que o Brasil ainda não produziu o conhecimento básico que permita uma decisão estratégica madura. Enquanto isso, oportunidades são adiadas, investimentos esfriam e a Região Norte permanece à margem de um debate que poderia redefinir seu papel econômico nas próximas décadas.

A comparação com a Venezuela, portanto, não deve ser feita em termos de corrida imediata, mas de posicionamento estratégico. Enquanto um país, mesmo com enormes dificuldades, sinaliza disposição para reorganizar seu setor energético, o outro hesita em sequer verificar o potencial de sua própria fronteira exploratória.

Perda de relevância

A história da indústria do petróleo é didática: janelas não se abrem indefinidamente. Elas exigem timing político, decisão técnica e visão de longo prazo. A Margem Equatorial representa, para o Norte e o Nordeste do Brasil, uma dessas janelas. Não como promessa automática de riqueza, mas como possibilidade concreta de desenvolvimento, geração de empregos, infraestrutura e integração nacional.

Ignorar essa expectativa - ou adiá-la indefinidamente - não torna o País mais sustentável. Apenas o torna menos relevante nas decisões energéticas do futuro.

Papo Reto

Em 2025, o governo Lula (foto) distribuiu mais de R$30,6 bilhões em emendas parlamentares, segundo o Portal da Transparência.

•Não é nada, não é nada, trata-se de R$1 bilhão a mais do que em 2024, que bateu recorde histórico nesta prática para cooptação de votos no Congresso.

Brasília entra oficialmente em modo eleitoral. O ano será de escolhas completas nas urnas: presidente da República, governadores, senadores e deputados. 

•Mesmo antes do início formal das campanhas, o clima já se impõe sobre o Congresso, os governos e os partidos, influenciando discursos, alianças e votações. Tudo é cálculo eleitoral.

Com apenas nove governadores aptos à reeleição, a disputa de 2026 tende a empurrar a maioria dos chefes de Executivo estadual para o Senado. 

•Com dois terços das cadeiras em jogo, a Casa Alta surge como o principal destino político para governadores em fim de mandato. Poucos falam em arriscar a corrida presidencial, o que parece mais jogo de cena. 

Com duas vagas por Estado em disputa, o Senado ganhou estatura de eixo central do jogo político. Mais do que uma corrida individual por mandatos, a disputa é tratada como batalha estrutural.

•Quem controlar a Casa terá poder sobre PECs, indicações ao STF e a própria estabilidade do próximo governo. 

Avizinha-se uma das maiores trocas de cadeiras do atual governo Lula. Com a exigência de desincompatibilização até abril, ao menos 20 ministros devem deixar o primeiro escalão para disputar eleições. 

•Diferentemente das costumeiras trocas ministeriais, a substituição no apagar deste mandato é, digamos, sui generis. 

Explica-se: é que, com o governo relativamente sereno e a reeleição cada vez mais nítida no horizonte, quem assumir agora carrega um ativo raro.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.