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ELEIÇÕES 2026

Podemos expõe disputa interna e cobra espaço no projeto político de Daniel Santos

Encontro do partido em Belém reforça pré-candidatura ao governo, mas discurso de Wladimir Costa revela tensão entre aliados.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 27/05/26 08:55

Wlad Costa critica direita e exige atenção de Daniel Santos a Zequinha Marinho/Divulgação.


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encontro promovido pelo Podemos, em Belém, para fortalecer o projeto político do partido no Pará acabou produzindo um efeito colateral difícil de esconder: a exposição pública das tensões internas que já rondam a construção da pré-candidatura do ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos, ao governo do Estado em 2026.

Com a presença do senador Zequinha Marinho, dos ex-deputados federais Chapadinha, Vavá Marques, do deputado federal Olival Marques e de pré-candidatos da legenda, o evento tinha como objetivo consolidar o discurso de unidade do grupo, mas o tom adotado pelo ex-deputado federal Wladimir Costa acabou chamando mais atenção do que a própria programação política do encontro.

Cobranças públicas

Em discurso direcionado a Daniel Santos, Wladimir Costa saiu em defesa do projeto do ex-prefeito, criticou adversários políticos e transformou o ato partidário numa cobrança explícita por espaço e reciprocidade dentro da legenda.

Ao mencionar o influenciador Allen pelo Pará, ligado ao Partido Novo, Wlad afirmou que o comunicador teria feito ataques constantes ao ex-prefeito de Ananindeua. Também citou dificuldades enfrentadas por Daniel em outras siglas antes da aproximação com o Podemos. Mas o trecho que mais repercutiu nos bastidores foi a cobrança direta sobre apoio político aos candidatos proporcionais do partido.

“Não adianta dizer que você é bonito, que você é f... se não fizer nada por nós. Não irei te apoiar se não fizer nada por nós”, afirmou o ex-deputado, diante de dirigentes e pré-candidatos da legenda.

Na avaliação de integrantes do próprio grupo, a fala foi interpretada menos como ameaça de rompimento e mais como um recado político interno: o de que a construção de uma candidatura majoritária não pode ignorar os interesses de quem disputará vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

 Direita fragmentada

O discurso também evidenciou outra dificuldade enfrentada pelo campo conservador no Pará: a falta de convergência entre partidos e lideranças que orbitam o mesmo eleitorado.

Embora Daniel Santos seja tratado por aliados como um nome competitivo para a disputa estadual, o encontro do Podemos ocorreu sem participação de lideranças do PL ou de outras siglas da direita paraense. Nos bastidores, interlocutores admitem que ainda há forte disputa por protagonismo, sobretudo em torno da corrida ao Senado e da formação dos palanques regionais.

Wladimir Costa chegou a fazer referências indiretas ao funcionamento interno do PL no Pará e ao papel do deputado federal Éder Mauro no comando político da legenda no Estado.

Nos bastidores, aliados de diferentes grupos reconhecem que a consolidação de uma frente unificada da direita ainda depende de acomodações políticas que passam por espaços eleitorais, alianças proporcionais e compromissos futuros.

Pressão por espaço

O crescimento do projeto político de Daniel Santos dentro do Podemos também ampliou a disputa interna por estrutura, prioridade eleitoral e influência sobre o comando partidário.

Entre os pontos mais sensíveis está a necessidade de acomodar lideranças já consolidadas na legenda, incluindo a deputada federal Alessandra Haber, considerada um dos principais ativos eleitorais do grupo.

Reservadamente, integrantes do partido admitem que o desafio será equilibrar o fortalecimento de uma candidatura ao governo sem provocar desgaste entre deputados, pré-candidatos e lideranças regionais que dependem diretamente da estrutura partidária para viabilizar suas próprias campanhas.

O encontro do Podemos acabou revelando exatamente esse cenário: enquanto o discurso oficial tenta sustentar a ideia de unidade, a corrida interna por espaço político e sobrevivência eleitoral já começou nos bastidores.

Papo Reto

Denúncias encaminhadas à coluna apontam suposto uso político de espaços do Mangueirão, incluindo estacionamento e áreas VIP, em articulações ligadas à pré-candidatura de Cássio Andrade (foto) à Câmara Federal.

•Segundo relatos, apoiadores teriam acesso facilitado aos espaços administrados pela Seel, hoje comandada por Cássio, vice-prefeito licenciado de Belém.

Mesmo após mudança de circulação, motoristas continuam trafegando na contramão na ligação entre a Almirante Barroso e a João Paulo II, nas proximidades do Parque do Utinga. 

•Moradores relatam discussões frequentes e cobram maior presença de agentes de trânsito.

O velho ditado “rei morto, rei posto” parece ganhar novos capítulos na paróquia de Nazaré, em Belém. 

•Desde que o padre Assis foi transferido para o Rio de Janeiro, o padre Francisco Silva reassumiu a Basílica e a Diretoria da Festa de Nazaré trazendo de volta práticas mais tradicionais. 

Entre elas, a reativação da Adenaza, associação de devotos chamada a colaborar financeiramente com a igreja. 

•Nos bastidores, comenta-se também que a escolha de quem produziria o manto do Círio deste ano teria sido revista, o que já preocupa pelo atraso no cronograma de uma das maiores tradições da festividade.

Enquanto discursos oficiais exaltam mineração, agronegócio e hidrelétricas, pesquisadores e moradores denunciam o abandono de um dos maiores patrimônios arqueológicos do País, em Monte Alegre, oeste do Pará. 

•Sítios com registros humanos de mais de 12 mil anos enfrentam falta de proteção, investimento e fiscalização. O alerta é direto: não se trata apenas de pinturas rupestres esquecidas, mas de parte da própria história da Amazônia deixada à própria sorte.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.