Presidência vira terreno fértil para bastidores, teorias, apostas e intrigas O ano em que robôs, fake news e milícias digitais marcaram as eleições no País Helder preserva o Senado, mas perde o governo do Pará;o que deu errado?
DISPUTA NA ALEPA

Presidência vira terreno fértil para bastidores, teorias, apostas e intrigas

Eleição alimenta especulações sobre traições, mudanças de alianças, supostas articulações e, também, uma enxurrada de fake News.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 19/10/26 09:00
Presidência vira terreno fértil para bastidores, teorias, apostas e intrigas
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eleição para a presidência da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), marcada para fevereiro de 2027, mal começou a ser desenhada e já virou um dos assuntos mais férteis da política paraense - além das conversas de bastidores e muitos conteúdos postados como “notícia” na rede social  que não sobrevivem à leitura rasa por falta de informações oficiais.

No burburinho do Legislativo estadual, os supostos favoritos de Daniel à sucessão e os boatos sobre desconforto na base do governo/Fotos: Arquivo.
 Mas, enquanto o governador eleito Daniel Santos não revela a sua inclinação, multiplicam-se as versões sobre quem teria a sua preferência. Também ganham proporções os possíveis nomes de quem estaria perdendo espaço e quais grupos tentariam negociar apoio em troca de influência na futura estrutura de poder.

Alguns nomes têm sido recorrentes na imprensa local e canais especulativos das redes sociais, mas ainda não têm uma definição pública. Entre eles figuram principalmente os nomes de Alexandre Gomes e Rui Begot, ambos do Podemos, como sendo os mais fortes em uma disputa na qual Fabrício Miranda também aparece nas especulações. No quesito “histórico” de proximidade com o governador eleito, os dois primeiros tendem a sair na frente.

Frisson nos bastidores

Enquanto as publicações identificam possíveis candidatos à presidência, mensagens que circulam reservadamente acrescentam uma camada de intrigas à disputa.  Uma fonte da coluna sustenta, por exemplo, que o deputado Ronie Silva teria tentado formar um bloco de oito parlamentares para negociar apoio ao grupo de Daniel. Porém, quatro integrantes desse suposto grupo teriam levado as informações diretamente a Helder Barbalho, ex-governador e senador eleito pelo MDB. A fonte também menciona um possível desgaste na relação entre Helder e nomes como o próprio Ronie Silva, Luth Rebelo e Paula Titan, além de sugerir que movimentações na Casa Civil teriam sido utilizadas para afastar aliados de Ronie.

Caneta entra em ação  

As movimentações na edição extraordinária do Diário Oficial do Estado do Pará de 14 de outubro citadas pela fonte até ocorreram, mas não há confirmação de que sejam fruto de delação política ou retaliação administrativa. 

O que é fato é que a sucessão no legislativo estadual também é cercada por uma questão política objetiva: o MDB elegeu 13 dos 41 deputados estaduais, enquanto o PL conquistou sete cadeiras. O Podemos, partido do governador eleito, terá três representantes. Essa composição fragmentada torna indispensável negociar a formação da Mesa Diretora, e este sim é o único fato concreto até o momento.

Mudança de lado

É fato também que o cenário de alternância de poder, ainda mais substituindo um grupo que se fortaleceu ao longo de oito anos, favorece especulações sobre acordos, possíveis mudanças de lado e redistribuição de espaços políticos.  Mas, até o momento, o único marco oficial indicado para esta etapa do novo governo é a comissão de transição nomeada por Daniel Santos para a passagem de governo. Essa estrutura está ligada à transição do Executivo estadual, sem relação direta com os caminhos que levarão à presidência do Legislativo estadual.

Por enquanto, a disputa é real, os interesses são evidentes e os nomes estão postos. O que ainda falta é transformar a enxurrada de versões no quadro que definirá a eleição da nova Mesa Diretora, em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura. Até lá, articulações podem avançar, alianças podem mudar e novos nomes podem entrar no páreo.

Papo Reto

•Lula (foto) foi projetar o Brasil do quarto mandato no debate de ontem com Flávio Bolsonaro e disparou: “o Brasil acabou”. A explicação vinha na sequência, mas o cronômetro cortou a fala antes do ponto final. 

•Ficou a frase, faltou o desfecho o que prova que, em política, meio segundo a mais às vezes salva um discurso - ou entrega o título ao adversário. O problema é quando quatro anos de governo não funcionam nem assim, nem assado.

•Falando em eleição, alguém explica o motivo da mudança de endereço de tantas seções de votação em Belém, Ananindeua e Castanhal?

•Lula chamou Roberta Luchsinger de “pilantra”. Ela devolveu chamando-o de mentiroso e mau-caráter, prometendo delatar. O que o público quer agora, porém, é menos adjetivos e mais documentos: se ela sabe, que entregue à Justiça, pois o País já viu escândalo demais anunciado em entrevista e esclarecido de menos nos autos.

•Fachin tirou o inquérito das mãos de Moraes, mas manteve as decisões contestadas pelas defesas. Se a primeira resposta do novo relator é confirmar o antecessor, a troca de cadeira não muda a lógica: o inquérito símbolo dos excessos do STF segue de pé como herança maldita.

•O STF decidiu que dívidas de crédito consignado não podem ser excluídas do cálculo do mínimo existencial nos casos de superendividamento. 

•Isso não significa cancelamento automático dos empréstimos nem renegociação garantida para qualquer contrato: cada caso ainda depende dos critérios legais.

•O Parque do Utinga fechou uma de suas dependências à visitação pública neste fim de semana. Tem cheiro de podridão no ar.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.