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PT homologa Dirceu, mas ainda aguarda anúncio para compor chapa ao governo

Ata oficial da Federação confirma deputado e autoriza até mudanças posteriores na coligação, dependendo de Helder.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 02/08/26 09:00

Festa do MDB no Mangueirinho demonstrou força de Helder e Hana, mas ausência do anúncio do vice contrariou setores do PT/Fotos: Divulgação.


A


divulgação da ata eletrônica da convenção estadual da Federação Brasil da Esperança - PT, PCdoB e PV -, não por coincidência, dia da convenção do MDB, tornou oficial aquilo que o MDB preferiu deixar em suspenso. O documento homologou, por unanimidade, o deputado estadual Dirceu Ten Caten como candidato a vice-governador na chapa da governadora Hana Ghassan, além de confirmar os nomes de Helder Barbalho, do MDB, e Francisco Melo Filho Chicão, do União Brasil, para o Senado.

Poucas horas depois, entretanto, a convenção do MDB oficializou apenas a candidatura de Hana ao governo, sem anunciar o companheiro de chapa. O silêncio alimentou especulações, mas também reforçou uma percepção crescente entre dirigentes e observadores: a definição política pode já estar tomada, faltando apenas o momento considerado mais conveniente para torná-la pública.

O documento da Federação ajuda a compreender esse cenário. Além de homologar Dirceu Ten Caten como candidato a vice, a convenção delegou amplos poderes à Executiva Estadual para conduzir as negociações da coligação, inclusive promovendo alterações posteriores na composição partidária e, se necessário, nos próprios nomes da chapa majoritária.

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Bastidores de Brasília

Nos bastidores, fontes ouvidas pela coluna afirmam que o desfecho da negociação passou, nas últimas horas, pelo Palácio do Planalto. Segundo essas informações, o ex-governador Helder Barbalho teria conversado, na sexta-feira, com o presidente estadual do PT, senador Beto Faro, comunicando que o anúncio do vice não seria feito durante a convenção do MDB. A interpretação predominante entre interlocutores das duas legendas é que a decisão buscou preservar o calendário político da aliança, sem expor publicamente a influência exercida por Brasília nas tratativas.

Aliados lembram que Helder mantém uma relação de absoluta confiança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dificilmente criaria um impasse em torno de uma indicação considerada estratégica pelo governo federal. Por isso, entre os próprios participantes das negociações, prevalece a avaliação de que a questão está politicamente pacificada, restando apenas a formalização do anúncio.

Saída silenciosa

Outro detalhe chamou atenção durante a convenção do MDB. Antes do encerramento do evento, a cúpula do PT, liderada por Beto Faro, deixou o local discretamente, embora fazendo declarações sobre a antiga parceria com Helder Barbalho.

O gesto foi interpretado por participantes como um indicativo de que o partido já havia cumprido sua parte no acordo. Afinal, a Federação Brasil da Esperança já oficializou, em documento encaminhado à Justiça Eleitoral, a indicação de Dirceu Ten Caten para a Vice-Governadoria.

Enquanto o MDB optou por adiar o anúncio, o PT preferiu registrar sua posição em ata. Agora, a expectativa política concentra-se sobre Hana Ghassan e Helder Barbalho, de quem se aguarda apenas a confirmação pública de uma decisão que, nos bastidores, muitos já tratam como consumada.

Há setores do PT, porém, insatisfeitos com a estratégia do MDB. No final da noite de ontem, a coluna recebeu a nota abaixo, como notícia, revelando essa postura, conforme o título e o texto que publicamos abaixo, na íntegra: 

Ata da convenção sobe tom
e acirra disputa entre o PT
e o Avante pela Vice

A disputa entre PT e Avante pela indicação do candidato a vice-governador na chapa de reeleição da governadora Hana Ghassan, do MDB, ganhou um novo capítulo neste sábado, 1º, em Belém. A Federação Brasil da Esperança - formada por PT, PCdoB e PV - oficializou o deputado estadual Dirceu Ten Caten para o cargo e concedeu à Executiva Estadual de sua Federação poderes para rever inclusive a participação na coligação. O Avante, por sua vez, manteve formalmente a reivindicação da vaga para um filiado do partido, enquanto o MDB deixou a definição para negociação posterior entre sua direção e as demais legendas aliadas.

O ponto de maior tensão está na parte final da ata da Federação. Além de homologar Dirceu Ten Caten como candidato a vice de Hana, o documento autoriza a Comissão Executiva Estadual a “praticar todos os atos necessários” à formalização das decisões da convenção. Os poderes incluem realizar novos entendimentos sobre a chapa, substituir candidatos majoritários e, se necessário, deliberar em sentido contrário à coligação aprovada, com a retirada ou inclusão de partidos e federações.

A cláusula não representa um rompimento com o MDB, mas preserva formalmente para a direção da Federação a possibilidade de rever sua estratégia caso Dirceu não seja confirmado. A redação também permite substituir os nomes definidos para cargos majoritários e tomar novas decisões diante de fatos que motivem mudança na tática eleitoral.

A posição contrasta com a convenção do MDB. O partido aprovou a candidatura de Hana Ghassan à reeleição, mas decidiu não escolher o vice naquele momento. A definição foi delegada à Comissão Executiva Estadual do MDB, em conjunto com os demais partidos da coligação e dentro do prazo eleitoral.

A indefinição também marcou o ato político realizado neste sábado no Mangueirinho. A convenção pública oficializou Hana para o governo e Helder Barbalho e Chicão para as duas vagas ao Senado, mas não anunciou o candidato a vice.

O Avante adotou uma solução intermediária. A ata da legenda aprovou que a vaga de vice seja ocupada por um filiado do partido e delegou ao presidente estadual a escolha do nome, de acordo com as negociações internas da coligação. O documento, porém, apresenta o deputado Josué Paiva - nome defendido publicamente pelo Avante e por setores evangélicos - como candidato à Assembleia Legislativa. A inclusão na chapa proporcional indica um recuo de sua candidatura à vice, embora o partido continue reivindicando formalmente a vaga a um de seus filiados, sem indicar que nome seria.

Nos dias anteriores às convenções, as duas legendas haviam transformado suas pretensões em atos públicos. O PT anunciou em suas redes, dia 24 de julho, que haviam concluído o “entendimento político” com o MDB de composição da chapa majoritária, com Dirceu Ten Caten confirmado com candidato a vice-governador. Dois dias depois, o Avante apresentou Josué Paiva como pré-candidato, destacando sua ligação com as igrejas evangélicas e sua representação política no oeste paraense.

A formalização de Josué como candidato a deputado estadual reduz o conflito em torno de seu nome, mas não encerra a disputa partidária. Pelas atas, há três decisões diferentes: a Federação apresenta Dirceu como vice e mantém poderes para rever a coligação; o Avante exige que a vaga fique com a legenda, sem definir outro nome; e o MDB adia a negociação com os aliados e a decisão final sobre quem acompanhará Hana Ghassan na chapa governista. 

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Papo Reto

•Enquanto a direção estadual trata a vice de Hana Ghassan como praticamente assegurada ao deputado Dirceu Ten Caten, começam a surgir vozes do próprio PT pedindo cautela. 

•Em postagem nas redes sociais, o filiado Charles Alcântara (foto) afirmou que o partido não deveria "se submeter ao acotovelamento" nem correr o risco de um constrangimento público, defendendo respeito ao tempo e à convenção do MDB. 

•O recado expõe que o discurso de unidade está longe de ser consenso entre os petistas.

•Antes mesmo de começar a convenção do MDB, no sábado, em frente à Arena Mangueirinho, já circulavam materiais de campanha com nomes de candidatos e respectivos números de urna. 

•A legislação eleitoral proíbe a divulgação desses números antes da homologação das candidaturas nas convenções. Pelo visto, havia quem já conhecesse o resultado antes da festa terminar.

•Depois dos búfalos passeando pela pista e obrigando motoristas a reduzir a velocidade, a recém-inaugurada avenida Liberdade volta a chamar atenção por outro motivo.

•Uma lontra morreu atropelada ao tentar atravessar a via, nas proximidades da avenida Perimetral. A nova estrada começa a cobrar um preço alto pela fauna amazônica.

•A prisão de João Pedro Santos, acusado de matar Dayse Diniz, de 25 anos, em Santarém, expõe uma pergunta incômoda: como um condenado por feminicídio em Uruará conseguiu voltar às ruas, permanecer foragido e fazer outra vítima? 

•O problema não é apenas o criminoso, mas um sistema que falhou duas vezes.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.