No Pará, jogo real está em campo e Brasília, administrando crises, deixa a bola rolar sem controle de danos/Fotos: Divulgação.
Enquanto Brasília atravessa mais uma semana em modo “controle de danos”, evitando ruídos maiores e empurrando conflitos para debaixo do tapete, nos Estados - e no Pará em particular - o jogo real segue em curso, longe dos holofotes e cada vez menos disfarçado.

Na capital federal, o roteiro já virou padrão: crises administradas no varejo, articulações feitas no atacado e uma preocupação central - não deixar que o barulho político contamine a agenda econômica. O problema é que, ao optar por “não ver”, Brasília abre espaço para que os movimentos locais avancem sem mediação, sem freio e, principalmente, sem testemunha.
É nesse vácuo que a sucessão estadual de 2026 começa a ganhar forma no Pará.
O entorno do governador Helder Barbalho trabalha com a lógica de ocupação total do terreno: alianças sendo reforçadas por cima, pontes mantidas com setores estratégicos e uma clara tentativa de reduzir ao mínimo o espaço para surpresas. Não há pressa pública, nem método.
Do outro lado, o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, segue como variável incômoda. Com base eleitoral consolidada e trânsito em segmentos específicos, especialmente no campo religioso, ele representa menos um adversário declarado e mais um ponto de instabilidade no desenho que se tenta consolidar.
E é justamente aí que entra um fator que Brasília insiste em subestimar - ou prefere não enxergar: o peso crescente do eleitorado evangélico. No Pará, como em boa parte do País, esse segmento deixou de ser coadjuvante há muito tempo. Hoje, organiza candidaturas, influencia decisões partidárias e, sobretudo, atua de forma pragmática. Não há alinhamento automático, mas sobra cálculo político. Lideranças religiosas ampliaram presença nos bastidores, operando tanto na montagem de chapas proporcionais quanto na definição de nomes majoritários. Em alguns casos, com mais eficiência que estruturas partidárias tradicionais. O resultado é um redesenho silencioso do mapa de poder.
Brasília, ocupada em administrar suas próprias urgências, parece não captar - ou não priorizar - esse movimento. E ao não interferir, acaba permitindo que os Estados construam soluções próprias, muitas vezes desalinhadas com os interesses nacionais. No Pará, isso significa uma eleição que tende a ser menos previsível do que parece.
Porque, por trás das alianças formais e dos discursos ensaiados, há uma disputa real em curso: entre o controle institucional de grupos já estabelecidos, a emergência de lideranças com base social organizada e a influência crescente de segmentos que não pedem mais licença para participar - apenas entram no jogo.
E, como quase sempre acontece na política, o que hoje parece silêncio pode ser apenas o barulho que ainda não chegou ao microfone.

•A deputada federal Renilce Nicodemos (foto), do MDB, manteve o controle do Instituto Previdenciário do Estado, o Igepps.
•O vereador de Belém, Neném Albuquerque - marido de Renilce - deixou a presidência do órgão para concorrer a deputado estadual.
•Renilce Nicodemos indicou o advogado e modelo Wellington Albuquerque para substituir Neném. Tudo em família.
•A última operação deflagrada pela Polícia Federal no Maranhão encontrou um elo de ligação com o Pará. Atingiu gabinetes de desembargadores do TJ, assessores, escritórios de advocacia, empresas, residências de magistrados e empresários.
• A ligação: a empresa Lucena Infraestrutura e a residência do empresário Ednaldo Lucena. Paraense, Lucena vem a ser tio de Caio Lucena, candidato a deputado estadual no Pará.
•Oito anos atrás, em visita ao Distrito Industrial de Icoaraci, o então candidato ao governo do Pará, Helder Barbalho, prometeu modernizar a infraestrutura de acesso, aumentar a segurança e a oferta de serviços sociais para consolidar os empreendimentos e estimular novos investimentos.
•Dois mandatos se passaram e tudo só piorou: o Distrito Industrial de Icoaraci segue um verdadeiro "cemitério de espaços nobres", a exemplo de outros pelo Estado.
•Belém deve entrar na era fitness de alto padrão, com a chegada da academia Aurea GYM, que será inaugurada em maio.
•A academia limitará seu espaço a apenas 400 alunos e aposta em uma experiência premium, com uma mensalidade de R$ 1, 8 mil, maior que o salário-mínimo atual.
•A estrutura oferecerá equipamentos de linha top, além de um spa com crioterapia, hidroterapia e sauna infravermelha. Fica na Benjamin Constant, entre Gentil e Braz de Aguiar.
• Não tivesse sido anunciado em 1 de abril, Dia da Mentira, até que daria para acreditar que a Petrobras estuda meios de tornar o Brasil autossuficiente em diesel em cinco anos.
•Enquanto isso, o governo já estuda empurrar 35% de etanol na gasolina sob a linda justificativa da necessidade da transição energética.
•A oposição tem razão: o governo petista "falhou" ao desviar para a corrupção - materializada através do petrolão -, a montanha de dinheiro que já poderia ter dado ao Brasil autossuficiência na produção de diesel.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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