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Tempo perdido

Tempo no trânsito pode afetar bem-estar físico e emocional, aponta estudo

Impactos gerador por esse problema sobre a saúde física e mental permanecem, muitas vezes, em segundo plano

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  • Da Redação | Estadão conteúdo
  • 30/08/26 08:00
Tempo no trânsito pode afetar bem-estar físico e emocional, aponta estudo

Rio de Janeiro, RJ - Passar horas no trânsito já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Entre congestionamentos, longos trajetos e o transporte público lotado, o tempo gasto nos deslocamentos entre casa e trabalho ocupa uma parcela cada vez maior do dia. O problema é que esse período costuma ser encarado apenas como uma consequência da vida nas grandes cidades, enquanto seus impactos sobre a saúde física e mental permanecem, muitas vezes, em segundo plano.


Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil e o Sebrae, mostra que moradores de grandes centros urbanos passam, em média, o equivalente a 21 dias por ano no trânsito. No Rio de Janeiro, a situação é ainda mais desafiadora.


De acordo com um estudo do aplicativo de mobilidade Moovit, o tempo médio do deslocamento entre casa e trabalho na Região Metropolitana chega a 58 minutos por trajeto. Entre os usuários do transporte público, 11% passam duas horas ou mais em cada viagem, fazendo com que o tempo diário no trânsito possa ultrapassar quatro horas, o maior registrado no país.


Segundo o psicólogo Carlos Júnior, o deslocamento não deve ser visto apenas como um intervalo entre uma atividade e outra. "Múltiplos fatores estão envolvidos nesse processo, entre eles a insegurança diante de condições externas, a imprevisibilidade dos horários dos transportes coletivos e o desconforto durante o trajeto, como a ausência de ar-condicionado, os ruídos excessivos e a superlotação", afirma


Ele destaca, ainda, que, quanto mais tempo gasto no deslocamento, menor tende a ser o tempo disponível para atividades importantes, como descanso, lazer, prática de exercícios físicos, alimentação adequada e convivência social. A longo prazo, esse desequilíbrio pode comprometer a disposição e a qualidade de vida.


Quando o cansaço começa antes mesmo do expediente


De acordo com o profissional, os primeiros sinais de que o deslocamento está afetando o bem-estar emocional podem aparecer antes mesmo do início da jornada de trabalho. "O indivíduo pode perceber que a rotina está excessivamente concentrada no trabalho e no deslocamento, restando pouco tempo ou energia para o lazer, a convivência social e o autocuidado", explica. Entre os principais sinais de alerta, estão:


- Irritabilidade frequente;

- Impaciência durante a rotina;

- Cansaço antes mesmo do início do expediente;

- Falta de disposição para atividades fora do trabalho;

- Sensação de que o dia se resume ao deslocamento e às obrigações profissionais.


Os efeitos do trânsito vão além do estresse


Carlos ressalta que o impacto dos deslocamentos prolongados não se limita ao desconforto durante o trajeto, pelo contrário, diferentes áreas da vida podem ser afetadas.


Trabalho: o excesso de tempo no trânsito pode reduzir a concentração, a produtividade e o interesse pelas atividades profissionais.


Relacionamentos: o desgaste com o deslocamento pode favorecer o isolamento, a redução da energia para interações sociais e até a diminuição da libido.


Sono: as noites de sono podem sofrer consequências importantes, já que "o estresse se torna cíclico, porque a pessoa não consegue recarregar a energia", afirma Carlos.


Como tornar o deslocamento menos desgastante


Embora nem sempre seja possível reduzir o tempo gasto no trânsito, algumas estratégias podem ajudar a diminuir os impactos da rotina. O psicólogo recomenda:


1 - Evitar transformar o trajeto em uma extensão do trabalho, ou seja, não utilizar o tempo no transporte público ou de aplicativo para resolver demandas no celular ou notebook.


2 - Manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia, para que não falte energia para as horas em deslocamento;


3 - Cuidar da hidratação, principalmente em períodos quentes e secos, já que durante o deslocamento o acesso à fonte de água é limitado;


4 - Reservar tempo para atividades prazerosas para não fazer da vida um looping entre acordar, pegar trânsito, ir e voltar do trabalho e dormir;


5 - Buscar momentos de desconexão das demandas profissionais e conexão com relações sociais.


Quando procurar ajuda profissional?


O acompanhamento profissional pode ser importante e recomendado quando o desgaste provocado pelo deslocamento começa a afetar diferentes aspectos da vida. Entre os alertas, estão esgotamento constante, ansiedade persistente, alterações de humor, apatia e insônia.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.