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Intervenção

Trump diz que EUA irão governar a Venezuela até uma 'transição adequada'

Líder chavista e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados do país por forças especiais dos EUA, a mando do presidente republicano

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  • 04/01/2026, 12:00
Trump diz que EUA irão governar a Venezuela até uma 'transição adequada'

Rio de Janeiro, RJ - O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que os americanos irão permanecer na Venezuela e "essencialmente comandar o país" até que uma transição política ocorra, após a captura do líder chavista, Nicolás Maduro, durante a madrugada. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva convocada pelo republicano em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, na qual também afirmou que empresas americanas retomarão suas posições na indústria de petróleo da Venezuela - que passou por um processo de nacionalização há mais de duas décadas -, ameaçando um novo ataque.


“Estamos lá agora, mas vamos permanecer até que uma transição adequada possa acontecer. Então vamos continuar operando até que isso aconteça. Essencialmente, vamos comandar até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata”, afirmou Trump.


A menção à interferência americana até uma transição política em Caracas ocorreu logo no início do pronunciamento inicial. Questionado após a abertura para perguntas sobre quem iria governar o país, Trump afirmou que o governo americano designaria nomes para tratarem diretamente do assunto, e sugeriu que conversas entre autoridades americanas e venezuelanas já estariam em curso.


“É o que está acontecendo agora. Estamos designando pessoas, falando com pessoas. Vocês ficarão sabendo”, disse Trump, acrescentando que “o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o general Dan Caine, chefe do Estado-maior conjunto, que o acompanharam na coletiva, estariam diretamente nesta operação.”


Ainda de acordo com o presidente americano, as autoridades estariam observando nomes dentro da Venezuela, incluindo militares do país, para coordenar o processo de transição política. Ele evitou se referir diretamente aos possíveis líderes de um governo de transição, mas ao ser questionado sobre o papel da vice-presidente Delcy Rodríguez, afirmou que ela teria mantido contato com Rubio mais cedo.


“Marco [Rubio] está trabalhando com isso diretamente. Ele teve uma conversa com ela [Delcy], e ela essencialmente deseja aquilo que acreditamos ser necessário para tornar a Venezuela grande de novo”, disse o presidente, fazendo a ressalva de que a chavista tinha sido escolhida por Maduro, dando a entender que haveria uma ressalva nesse sentido.


Outro aspecto destacado pelo republicano no pronunciamento foi sobre o retorno das companhias americanas ao país. O presidente afirmou que as empresas irão entrar na Venezuela para "consertar" a infraestrutura defasada após anos de nacionalização e explorar a commodity - reforçando a alegação das autoridades venezuelanas sobre a pressão militar ao país ser motivada por interesses econômicos nas maiores reservas de petróleo do mundo.


“Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, disse Trump. “E estamos prontos para lançar um segundo ataque, muito maior, se necessário.”


Novamente, ao ser questionado sobre o tema ao final do pronunciamento, Trump disse que os ataques foram em parte motivados pelo que considera uma dívida histórica da Venezuela com os EUA, pela expulsão das empresas americanas do país no início dos anos 2000.


“Eles falam em "nosso petróleo". [Mas] nós construímos toda aquela indústria lá, e eles só tiraram de nós como se fôssemos nada, e tivemos um presidente que decidiu não fazer nada. Fizemos algo sobre isso. Tarde, mas fizemos algo sobre isso”, respondeu o presidente, falando posteriormente em "reembolsar" empresários americanos "forçados" a deixar o país anos atrás.


Embora seja o primeiro pronunciamento aberto a todos os veículos de imprensa, Trump já havia antecipado alguns dos tópicos em entrevistas exclusivas pouco antes do início da coletiva. Assim como tinha dito à emissora Fox News, o republicano antecipou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, já estão a bordo de navio militar americano, em direção a Nova York, onde serão processados. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, disse que ambos serão processados por denúncias que incluem narcotráfico.


O presidente americano citou o envolvimento de Maduro com duas organizações criminosas - o Tren de Aragua, que acusou de cometer crimes violentos nos EUA, e o Cartel de los Soles, uma organização que especialistas acusam de não existir formalmente.


Um trecho da acusação apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA, obtido pela CNN, aponta Maduro, a esposa e o filho como acusados de transformar as instituições venezuelanas em focos de corrupção, beneficiar narcoterroristas violentos e ajudar a produzir e transportar toneladas de cocaína para os EUA.


'Em qualquer lugar, a qualquer momento'


Autoridades da cúpula do governo Trump também falaram com a imprensa, reforçando a mensagem do presidente sobre o uso da força para atingir seus objetivos. O secretário de Defesa Pete Hegseth, o primeiro a falar depois de Trump, passou a mensagem de forma direta.


“Como o presidente disse, nossos adversários permanecem despercebidos. A América pode projetar sua vontade em qualquer lugar, a qualquer momento”, afirmou Hegseth. “Nicolás Maduro teve sua chance, assim como o Irã teve sua chance: até não terem mais.”

Na mesma linha, o secretário de Estado Marco Rubio - apontado como um dos principais defensores da ação direta na Venezuela - afirmou que Maduro teve "diversas oportunidades" de evitar o desfecho deste sábado, e justificou a ação, afirmando que o líder chavista era um fugitivo da justiça americana há anos.


“Ele foi apresentado a diversas muitíssimo generosas propostas, mas preferiu agir como um selvagem”, disse Rubio, acrescentando posteriomente: “Ele poderia estar morando em outro lugar agora, muito feliz, mas ele quis posar de ‘garotão’."


Foto: Reuters

(Com O Globo)

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.