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SISTEMA BANCÁRIO

Um livro incômodo que revela a hidra financeira, os juros e o Brasil obediente

Obra ajuda a entender por que a política monetária parece sempre trabalhar para o mesmo freguês, inclusive no Brasil.

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  • Por Olavo Dutra
  • 20/02/26 16:52
Um livro incômodo que revela a hidra financeira, os juros e o Brasil obediente
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la não vota, não fala português e jamais se submete às urnas. Ainda assim, influencia decisões centrais da economia brasileira. Em “A Hidra Mundial”, o economista francês François Morin descreve um sistema financeiro global que funciona como uma criatura mitológica: muitas cabeças, tentáculos bem distribuídos e nenhuma disposição para ser controlada.

Morin desmonta a narrativa confortável do “livre mercado”. O que existe, segundo ele, é um oligopólio bancário internacional, articulado, coordenado e suficientemente poderoso para impor limites às políticas econômicas nacionais. Não governa países, mas define até onde eles podem ir.

François Morin desmonta o “livre mercado”: sistema é um oligopólio que impõe limites às políticas nacionais/Fotos: Divulgação.

Idioma da obediência

No Brasil, a hidra não precisa levantar a voz. Basta observar a política de juros. Vendida como instrumento técnico, neutro e inevitável, ela opera como mecanismo de alinhamento ao sistema financeiro global. Juros altos tranquilizam credores, blindam fluxos de capital e mantêm a economia doméstica em posição de respeito - respeito entendido como submissão disciplinada.

Crescimento, investimento produtivo e emprego entram na equação apenas como notas de rodapé. O que importa é sinalizar previsibilidade ao mercado, essa entidade sensível que reage mal a qualquer ensaio de autonomia.

Autonomia para quem?

Morin ajuda a formular a pergunta que raramente aparece nos comunicados oficiais: autonomia em relação a quem? No discurso, trata-se de blindagem contra pressões políticas. Na prática, muitas vezes soa como alinhamento estrutural às expectativas do sistema financeiro.

O Banco Central não cria a hidra, mas aprende rapidamente a conviver com ela. A estabilidade exigida não é a da economia real, mas a do sistema bancário - esse, sim, tratado como patrimônio intocável.

O subsolo das decisões

“A Hidra Mundial” dedica atenção especial ao território invisível das finanças: derivativos, swaps, hedge cambial, operações fora do alcance do cidadão comum. É nesse subsolo que o poder se exerce sem ruído. o Brasil, esse mundo paralelo ajuda a explicar crises empresariais recorrentes, bancos invariavelmente preservados e prejuízos que, por vias indiretas, acabam socializados. O vocabulário é técnico; o efeito é político; o resultado é sempre o mesmo

Bancos sob rédeas curta

Banco do Brasil, Caixa e BNDES aparecem com frequência como antídotos possíveis. Morin seria cético. Sem controle efetivo sobre a criação da moeda e o direcionamento do crédito, bancos públicos operam sob as mesmas amarras do sistema que deveriam contrabalançar.

Podem mitigar danos, mas dificilmente alteram a lógica. Viram instrumentos de política social em um jogo financeiro que já vem com regras escritas fora do País.

Democracia, teto financeiro

A hidra não governa, mas condiciona. Não legisla, mas limita. No Brasil, como em outras economias periféricas do sistema, a política econômica se move dentro de um corredor estreito, cuidadosamente vigiado pelos mercados. Morin não oferece soluções fáceis. Oferece algo mais raro: clareza. E clareza costuma ser malvista onde a obediência é apresentada como virtude técnica.

A hidra segue viva, bem alimentada e invisível. O Brasil, cauteloso. E o mercado, como sempre, satisfeito.

Referência:

“A Hidra Mundial - O Oligopólio Bancário”

François Morin/Editora Boitempo 

Papo Reto

Diretor da ANM, José Fernando Gomes Jr. (foto) está divulgando a nova resolução da Agência, que moderniza as normas de extração de recursos minerais para obras públicas para ampliar a eficiência e a transparência das administrações públicas na construção civil.

•A nova norma contempla licenças ambientais e de instalação, e desburocratiza as ações dos órgãos para dar maior celeridade às obras, com custos menores. 

Cada vez mais disputadas em razão de seu valor estratégico global, as chamadas "terras raras" estão virando a "cereja do bolo" num setor cada vez mais disputado.

•A Justiça Federal suspendeu as operações de uma mina da Vale, em Minas Gerais, após a mesma apresentar vazamentos.

A mineração ficou proibida e a companhia poderá realizar apenas ações emergenciais de contenção e segurança.

•O imóvel de R$ 9,4 milhões que o ex-ministro Ricardo Lewandowski comprou de um alvo da Polícia Federal ligado ao PCC, segundo denúncia do Estadão, promete esquentar mais alguns graus o inferno astral do ex-ministro. Lewandowski confirmou o negócio, mas alegou que o fez de "boa-fé".

Enquanto o circo pega fogo no IBGE, pondo para correr os técnicos de carreira e alinhando números favoráveis ao governo, o Ministério da Fazenda reduziu para 2,3% a estimativa do PIB 2026.

•A Federação Renovação Solidária - Solidariedade e PRD - acionou o STF contra norma do TSE que ampliou punições por propaganda eleitoral antecipada, permitindo sanções mesmo sem pedido explícito de voto.

A ação, relatada pelo ministro André Mendonça, sustenta que a regra extrapola o poder regulamentar da Justiça Eleitoral e gera insegurança jurídica na pré-campanha.

•A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou, em primeira discussão, projeto que estabelece multa entre R$ 500 e R$ 500 mil para agressores de mulheres, com valor dobrado em caso de reincidência.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.